Miley Cyrus em episódio da 5ª temporada de Black Mirror

Créditos da imagem: Black Mirror/Netflix/Divulgação

Séries e TV

Crítica

Black Mirror - 5ª Temporada: "Rachel, Jack and Ashley Too"

Episódio com Miley Cyrus é pouco impactante mas diverte com crítica à indústria musical e artistas fabricados

Arthur Eloi
05.06.2019
18h12
Atualizada em
06.06.2019
09h24
Atualizada em 06.06.2019 às 09h24

[Cuidado! Spoilers de "Rachel, Jack and Ashley Too" abaixo]

Foi uma agradável surpresa quando a participação de Miley Cyrus no quinto ano de Black Mirror foi anunciada. Agora, com o episódio “Rachel, Jack and Ashley Too” fechando a temporada, fica claro que a contribuição da cantora vai além de sua voz e atuação, incluindo sua experiência na indústria musical.

A trama acompanha a garota Rachel (Angourie Rice), que passa por dificuldades em sua casa após a morte de sua mãe, mudança de residência e também intrigas com Jack (Madison Davenport), sua irmã mais velha. Para lidar com tudo isso, ela busca inspiração na diva pop Ashley O (Cyrus), cujas letras falam sobre autoconfiança, esperança e resistência. Após a cantora entrar em um estranho coma, Rachel descobre que sua boneca robótica Ashley Too, inspirada na artista, pode ser um sinal de que as coisas também são complicadas para a sua ídola.

Contado em dois lados distintos que eventualmente se misturam, é um capítulo que explora os métodos abusivos da indústria da música pop, que cria personagens imutáveis com o objetivo de licenciar ao máximo essa imagem artificial - mesmo que contra a vontade ou criatividade do artista, tratado como descartável e facilmente substituível. Ao mesmo tempo, também deixa claro que mesmo uma mensagem fabricada, que não parte de um lugar honesto mas sim comercial, pode ter um efeito altamente positivo na vida dos fãs ajudando-os a navegar por tempos difíceis. Assim, o episódio acerta na conscientização ao apontar um preocupante problema, mas não jogar a culpa gratuitamente no consumidor.

O tom de “Rachel, Jack and Ashley Too” é um pouco destoante, já que começa sério ao apresentar os vários assuntos polêmicos já citados, mas eventualmente torna-se um pouco mais cômico quando as duas metades da trama se combinam, quando Rachel e sua irmã descobrem que podem salvar a vida de Ashley. O terceiro ato portanto é um pouco inconsistente neste aspecto, mas divertido por ver Cyrus sem amarras ao dublar uma robô boca-suja e sarcástica da sua celebridade contida.

Ainda que a abordagem e temática sejam boas, o que decepciona é como o capítulo apenas recicla tecnologias já apresentadas anteriormente, como a inteligência artificial feita a partir de uma cópia do cérebro que foi inicialmente mostrada no aterrorizante “White Christmas” - especial de natal de 2014, quando a série sequer era da Netflix. Infelizmente isso não parece um problema único do episódio, mas sim geral da fase atual série, que agora repete muitas das mesmas ideias sob a desculpa de tratar-se de um universo só.

Mesmo agradando, “Rachel, Jack and Ashley Too” fecha a quinta temporada reforçando o erro do restante da nova leva de capítulos: boas ideias, execuções decentes, nenhum impacto. A trama segura a barra, entretém e trata de um tema relevante, mas Black Mirror pode sim ser melhor do que isso - como já foi no passado.

Nota do Crítico
Regular