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Crítica

Black Mirror: Hang the DJ - 4ª temporada | Crítica

O amor nos tempos do pacote de dados

Natália Bridi
29.12.2017
15h51
Atualizada em
30.12.2017
07h01
Atualizada em 30.12.2017 às 07h01

Encontrar um par ficou mais fácil. Seja para transar ou para casar, aplicativos e redes sociais unem pessoas que jamais se conheceriam naturalmente. “Hang the DJ”, episódio da quarta temporada de Black Mirror, explora esse nicho sentimental da tecnologia com um sistema para determinar a compatibilidade entre casais.

A promessa é de uma sintonia de 99,8%, mas para chegar a essa quase perfeição é preciso passar por relacionamentos imperfeitos. A data de validade é determinada já no primeiro encontro, com o casal se adaptando ao pouco (ou muito) tempo que têm. Tudo acontece por um motivo, diz a conselheira amorosa virtual, respondendo aos anseios e às dúvidas dos seus usuários, que vivem em uma espécie de retiro futurista e fortemente vigiado. É preciso aprender com os erros, seja os seus ou os dos outros, e o sistema está lá para garantir que isso seja feito.

A aura tecnológica, porém, não é mais interessante do método casamenteiro do episódio roteirizado por Charlie Brooker, o criador da série, e dirigido por Timothy Van Patten (Boardwalk Empire, Sopranos, Game of Thrones). O âmago do capítulo está no fator que determina a porcentagem de compatibilidade. O amor é mais complexo do que “dar match” ou ter gostos e visões em comum e “Hang the DJ” descreve o sentimento com precisão.

Georgina Campbell e Joe Cole estrelam o romance e têm a química necessária para colocar o espectador em uma torcida inevitável por um “felizes para sempre”. Entre sorrisos e piadinhas bobas, os dois vão adicionando os ingredientes que determinam a cumplicidade entre duas pessoas. É uma construção bonita, que foge da idealização, e fala com propriedade do que pode unir ou separar um casal.

Encontrar alguém ficou mais fácil, mas a busca por amor ainda é uma tarefa árdua. “Hang the DJ” trabalha com todas as agonias do sentimento, da busca à manutenção, em uma história perfeita para corações românticos ou em busca de esperança.

Nota do Crítico
Ótimo