Séries e TV

Crítica

Billions - 2ª Temporada | Crítica

Tensão permeia a ótima segunda temporada da série

Thiago Romariz
17.07.2017, às 18H21
ATUALIZADA EM 17.07.2017, ÀS 19H06
ATUALIZADA EM 17.07.2017, ÀS 19H06

Billions é a típica série de alto nível que se perde por ser nichada. Com duas temporadas exibidas nos EUA, o seriado produzido pelo Showtime conta a história de dois extremos do capitalismo americano: o governo e os acionistas. O controle e a liberdade, personificados por Paul Giamatti e Damien Lewis, respectivamente. Apesar de parecer monótona nos primeiros momentos, o programa mais um exemplo da ótima safra que a TV americana traz.

O segundo ano da série aprofunda e aproxima o perfil dos protagonistas: o juiz Chuck Rhoades e o acionista Bob Axelrod. A construção das duas personas nunca tenta aproximar o espectador com situações ou decisões que sejam "relacionáveis". O roteiro de Brian Koppelman, Andrew Ross Sorkin e David Levien vai na direção contrária e deixa claro quão diferentes Rhoades e Axelrod são entre si e em relação à audiência. Eles são exemplos máximos de um sistema que permite desvios em qualquer ponta. E por isso não existem heróis ou vilões unilaterais em Billions.

Chegar a essa conclusão em uma era onde anti-heróis como Walter White são ídolos, não é difícil. A caracterização do protagonista avido por atitudes amorais está presente também, mas a forma com que constrói essa trajetória é o que a diferencia das demais séries atuais. Aqui, dois personagens se confundem em atitudes e discursos e trocam de papéis o tempo inteiro. A perseguição entre Bob e Chuck, permeada por coadjuvantes impecáveis como Maggie Siff e Malin Akerman, chama atenção por não delinear ou prever atitudes dos dois.

Toda a luta entre a dupla é pautada pelo sistema de compra e venda de ações na bolsa de valores. A enorme quantidade de termos específicos do meio, seja judicial ou econômico,  não atrapalha o entendimento da trama, que sempre foca na relação entre as pessoas. Da mesma forma que House of Cards fez o público gostar e entender da política dos EUA, Billions faz com o mercado de ações e o sistema de justiça que o cerca.

Além das hipnotizantes cenas entre Giamatti e Lewis, existe também uma metalinguagem escondida nas sessões de terapia comandadas pela psicóloga Wendy. O estudo que ela faz com cada um dos funcionários de Bob ou mesmo com a dupla protagonista joga na cara do espectador as camadas mais profundas (e obscuras) dos personagens da série. Wendy não só analisa os episódios passados como prevê as atitudes dos principais jogadores - e quando você percebe e entende a estratégia de alguém, fica fácil quão vital ela é para o desenvolvimento da série. Siff é tão importante quanto Giamatti e Lewis.

A excelência do seriado vai além do roteiro. Passa pela fotografia, que deixa Bob sempre em ambientes claros, límpidos e cheios de torres brancas e vidraças; enquanto Chuck está em escritórios escuros, decorados com mobílias antigas e sempre povoados por homens mais velhos e engravatados. A trilha sonora também situa a narrativa com toques de suspense e mistura clássicos pop dependendo do clima do episódio.

Billions é uma série completa, que no final da segunda temporada deixa diversas possibilidades e fecha outros tantos arcos. É um estudo de personagem, um mergulho na obsessão humana pelo dinheiro, pela justiça e pela ganância.

Nota do Crítico
Ótimo

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