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Crítica

Bates Motel - 5ª Temporada | Crítica

Atualização do clássico Psicose traz novas reviravoltas, mas mantém a história macabra

Aline Diniz
04.05.2017
14h47
Atualizada em
29.06.2018
02h27
Atualizada em 29.06.2018 às 02h27

Bates Motel teve uma jornada curiosa até seu último ano. Ao ser anunciada, a série não foi muito bem recebida devido ao assunto que abordaria: os clássicos personagens imortalizados no filme Psicose, de 1960, dirigido por Alfred Hitchcock. Não seria uma tarefa fácil contar o passado de Norma (Vera Farmiga) e Norman Bates (Freddie Highmore), explicar tudo até o ponto momento que vemos no longa. Ainda assim, o desafio estava aceito e começava o prelúdio.

[Cuidado, possíveis spoilers abaixo!]

Foram quatro anos de altos e baixos, mas a constância da atuação dos protagonistas sustentava todo o restante. A quinta temporada, por sua vez, trazia a mais difícil tarefa de todas: adaptar os acontecimentos do filme, trazer Marion Crane (Rihanna) de volta e refazer a clássica cena do assassinato no banheiro do motel. A série já tinha se provado quando escolheu matar Norma com o suposto vazamento de gás, sendo ainda mais corajosa quando coloca a polícia para determinar sua morte um suicídio; mas refazer a clássica cena do chuveiro ainda era um grande desafio para a produção.

Desde o primeiro episódio do quinto ano, Bates Motel deixava claro que estava em sua reta final. Norman nunca estivera mais descontrolado enquanto estava sozinho - em companhia apenas de sua doença - na grande casa aos fundos do motel. Aliás, todas as cenas que envolvem Norma nessa temporada são espetacularmente bem feitas, sempre fazendo referência à outra personalidade na mente do jovem. Nos últimos episódios, os jogos com espelhos e vidros dão um ar ainda mais especial à doença, principalmente quando a mãe toma conta.

Por mais instável que a série tenha sido ao longo de seus cinco anos, os episódios finais trazem tensão e um estranho conforto simultaneamente. É curioso como mesmo que tenha se baseado no filme original, o programa toma alguns rumos completamente diferentes, mas quase tudo funciona dentro do proposto. A nova morte no chuveiro, por exemplo, cabe perfeitamente nos moldes introduzidos, honrando a original sem copiá-la.

Parte do problema da série é, no entanto, seus novos personagens. Dylan Massett (Max Thieriot), Alex Romero (Nestor Carbonell), Emma Decody (Olivia Cooke), entre outros, claramente servem para esticar a trama. Principalmente na última temporada, com tudo o que Norman enfrenta com sua doença e solidão, suas tramas parecem ainda mais desnecessárias.

A única nova história que se salva é a de Madeleine Loomis (Isabelle McNally). Sua semelhança com Norma e a obsessão de Norman come ela deixam ainda mais evidente o elemento imaginativo da doença, causando confusão no jovem e introduzindo Sam Loomis (Austin Nichols) de uma forma diferente, dando ainda mais embasamento para as decisões tomadas pelos roteiristas.

Bates Motel é uma boa atualização de um clássico, com novas reviravoltas surpreendentes apesar de manter o tom sóbrio da obra original. As excelentes performances de Freddie Highmore e Vera Farmiga entregam ainda mais credibilidade ao prelúdio, que homenageia o clássico de maneira sutil e velada. Norman e Norma Bates explicados com muito bom gosto.

Nota do Crítico
Ótimo

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