Avatar: Os Sete Refúgios marca início de novo ciclo para a franquia dos elementos
Animação traz situação inédita para a franquia de Aang e Korra
Qualquer um que já tenha visto alguma versão de Avatar conhece muito bem a máxima: o Avatar é aquele responsável por trazer o equilíbrio ao mundo. O nascimento e ascensão de um avatar sempre representou esperança e força para a humanidade — até agora. Em Os Sete Refúgios, vemos a trama destruir completamente a reputação do Avatar, colocando o outrora símbolo de paz em uma posição de carrasco da humanidade, o que proporciona um ciclo narrativo diferente para esse personagem.
Desta vez, nem Nação do Fogo nem burocratas ansiosos por poder ameaçam o mundo — isso porque eles nem existem mais. Tudo o que sobrou do que conhecíamos de Avatar é um mundo devastado por um cataclisma, que todos acreditam ter sido causado por Korra. Por causa disso, o Avatar passou a ser marcado como o destruidor da humanidade, não seu salvador. É neste mundo que surgem as gêmeas Pavi e Nesha, ambas com o poder do Avatar. Órfãs, elas passam a ser caçadas por inimigos tanto humanos quanto espirituais, dando início a sua jornada para salvar todos os Sete Refúgios.
Sejamos sinceros: um novo Avatar salvando sua civilização agora não seria de grande acréscimo para a franquia. Já vimos isso acontecer em duas eras muito diferentes e com problemas diversos. Repetir a mesma fórmula seria o mesmo que tentar alimentar os fãs com nostalgia barata. Aqui, temos a chance de olhar para um universo já conhecido através de uma perspectiva muito diferente, com a confiança de ter os criadores Michael DiMartino e Bryan Konietzko de volta à produção. É o dilema de uma franquia que tem uma excelente série base e precisa se distanciar dela para continuar inovando.
Dessa vez, o mundo de Avatar aparece com um tom muito mais sombrio e imediatista do que nas séries anteriores. Tudo pode ruir a qualquer momento em uma sociedade já prejudicada. Isso tira de Pavi e Nesha a chance de serem crianças, e cada uma carrega — à sua maneira — o peso de ser uma das novas avatares. A sensação fica ainda mais evidente com o medo que a sociedade tem de que um novo avatar cause outro cataclisma e leve o que restou da humanidade à extinção.
Porém, mesmo com tantos perigos, não há, nesta primeira temporada, um inimigo claro. Enquanto em Aang e Korra os vilões possuíam rosto e nome, Os Sete Refúgios decidiu dar o benefício da dúvida para todo mundo e fugir da cansativa dinâmica maniqueísta de bem e mal com a qual estávamos acostumados. A escolha abre novas possibilidades para os personagens secundários, mas cobra um preço: sem objetivos claros, os antagonistas perdem a força marcante que tinham nas séries anteriores.
É por isso que o principal conflito da temporada não reside em vilões ou crises humanas, mas na relação das gêmeas. Enquanto uma foi adotada por um membro do alto escalão do refúgio, a outra cresceu nas ruas, sem apoio ou um lar de verdade. Entender como elas foram separadas e quem foram seus pais é o maior acerto da temporada, e o que mantém a tensão mesmo quando lutas, espíritos e crises ficam em segundo plano. Isso é uma vantagem, pois deixa o espectador mais próximo das protagonistas e torna seu drama mais convincente.
Tecnicamente, a primeira temporada entrega um bom trabalho de animação, mantendo o padrão do que a Nickelodeon fez em todas as oportunidades de trabalhar com a franquia. Agora na Paramount+, a qualidade segue a mesma — não é revolucionária, mas é consistente. O som vai além, tornando os momentos importantes mais épicos e memoráveis, como nas interações das protagonistas com o misterioso espírito vermelho.
Com boas ideias, mas que ainda pedem mais firmeza, Avatar: Os Sete Refúgios marca o início de um novo momento para a franquia. Mesmo sem o equilíbrio, as novas avatares refrescam esse universo e deixam a promessa de um futuro ainda mais interessante para os fãs. Que venham mais ciclos, e que sejam ainda melhores.
Avatar: Os Sete Refúgios
Avatar: Seven Heavens
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