Stephen Amell em Arrow

Créditos da imagem: Arrow/CW/Reprodução

Séries e TV

Crítica

Arrow – 8ª temporada

Último ano da série do Arqueiro Verde homenageia legado da produção com boas atuações e tramas descomplicadas

Nicolaos Garófalo
30.01.2020
12h11

Apesar de alternar entre picos e vales de qualidade ao longo de suas oito temporadas, Arrow criou um legado inegável na TV, abrindo portas para diversos derivados e se tornando a base para o chamado Arrowverse - que, mesmo com o término do seriado do Arqueiro Verde, ainda conta com mais cinco produções, com mais duas a caminho. Concebido como uma versão mais realista das aventuras de Oliver Queen, para não só aproveitar o sucesso da trilogia cinematográfica O Cavaleiro das Trevas, mas também contrastar com a então recém-encerrada Smallville, Arrow amadureceu ao longo dos anos e sua oitava e última temporada explorou esse crescimento com capítulos apoiados na nostalgia e no carisma de seu elenco.

Embora boa parte desta oitava temporada tenha servido como um grande prelúdio ao crossover Crise nas Infinitas Terras, suas tramas suscintas e episódios bem escritos lembravam, a cada semana, uma das temporadas anteriores de Arrow, com capítulos como “Starling City” e “Welcome to Hong Kong” dando nova cara a velhas tramas, sem que seu conteúdo parecesse requentado. Determinados a cumprir o acordo feito com o Monitor (LaMonica Garrett), Oliver (Stephen Amell) e Diggle (David Ramsey) retornaram a diversos cenários marcantes da série e encontraram com personagens queridos pelos fãs da produção da CW, encaixando-os no roteiro sem que suas participações parecessem forçadas ou meros produtos de uma tentativa de criar uma atmosfera nostálgica.

Focada em encerrar a série em apenas dez episódios, a temporada deixou de lado tramas desnecessárias e, consequentemente, deu pouco espaço para o infame clima de novelão que dominam produções da emissora. Não que essa característica não esteja presente. O constante discurso de Oliver sobre seu fim e seus problemas com Mia (Katherine McNamara) foram padrão nos sete episódios pré-Crise (e durante o evento também) e essa repetição se tornou rapidamente cansativa.

“Purgatory”, sétimo capítulo deste último ano, foi escrito basicamente como uma grande briga entre as duas gerações de Arqueiros Verdes e seu roteiro cansativo destoou da boa leva de episódios, assim como o fraquíssimo “Leap of Faith”. Ambas as histórias tentaram amontoar o máximo possível de tramas e nem as participações sempre bem-vindas de Thea (Willa Holland) e Roy (Colton Haynes) conseguiram salvar os roteiros embolados.

Felizmente, esse não foi o padrão da temporada, que contou, de modo geral, com histórias simples, divididas entre 2019 e 2040, e contou com atuações primorosas de Ben Lewis como um William adulto e Katie Cassidy como Laurel. A atriz entregou suas melhores performances ao longo deste último ano e sua caracterização como a versão mais durona – e levemente violenta – da ex de Oliver mais do que justifica seu título como uma das três protagonistas do derivado Green Arrow and The Canaries, cujo ótimo piloto foi exibido como nono episódio deste ano.

Amell também não perdeu suas últimas oportunidades de brilhar na pele do herói. Embora o roteiro insistisse melancolicamente em lembrar que seu personagem ia morrer, o ator conseguiu expor elementos ainda não explorados de Oliver e momentos como sua conversa com William em “Present Tense” ou a divertida troca de farpas com Laurel mostraram o que Amell é capaz de fazer quando não é obrigado a apenas fechar a cara e reclamar com os colegas.

As ótimas sequências de ação também impressionaram na temporada. Mesmo em capítulos mais fracos, como o já citado “Purgatory”, as cenas de combate entre a Equipe Arqueiro e seus oponentes tiveram as melhores coreografias da história da série, com o ápice sendo alcançado no finale “Fadeout”. No episódio, um Oliver ainda com sede de sangue enfrenta sozinho um exército particular em uma das cenas mais maravilhosamente violentas já apresentadas na produção.

Olhando para o futuro do Arrowverse ao mesmo tempo em que relembra o árduo caminho pelo qual a série passou ao longo destes oito anos, a temporada final de Arrow encerrou uma das mais importante séries de super-heróis da história da TV com chave de ouro. Em uma temporada enxuta e com poucos erros, a produção entregou finais satisfatórios para seus principais personagens e, ainda por cima, criou diversas possibilidades que devem ser aproveitadas no futuro da DC na CW, prestando, assim, a maior homenagem possível ao pioneirismo de Arrow.

Nota do Crítico
Ótimo