Aggretsuko

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Séries e TV

Crítica

Aggretsuko - 1ª Temporada

Nova aposta da Sanrio vai além da "fofice"

Gabriel Avila
27.07.2018
17h15
Atualizada em
27.07.2018
17h52
Atualizada em 27.07.2018 às 17h52

A Sanrio é dedicada a criar personagens fofos para vender variados tipos de produtos. Sua maior franquia é Hello Kitty, a gatinha sem boca que já ganhou seu próprio episódio em Brinquedos que Marcam Época, a série documental da Netflix que conta a história de diversas linhas brinquedos e seu impacto cultural. Aggretsuko é uma nova produção da Sanrio em parceria com o serviço de streaming, mostrando como empresa soube se atualizar com um anime que vai além da “fofice”.

Retsuko é uma panda vermelha que tem uma vida comum, no sentido mais trágico da palavra. A garota passa pelas mais estressantes situações do cotidiano, do metrô lotado à cobrança exaustiva de seus chefes, e sua válvula de escape é um karaokê onde ela encontra paz cantando brutais canções de heavy metal. A forma como os problemas de Retsuko são apresentados conforme a trama avança e o contraste com seus momentos de fúria são o grande atrativo dessa animação, que curiosamente tende a agradar o público adulto.

Apesar de pensada para as crianças, tanto por sua parte visual quanto pela simplicidade no roteiro, a animação brilha ao traduzir de forma lúdica os principais problemas da vida adulta, utilizando os tais personagens fofos a serviço da trama. A tragicomédia nas situações mais absurdas não deixa que a história se leve a sério demais,  porém dá pistas claras do que quer dizer. Não há exemplo melhor do que a metáfora trazida na imagem dos chefes abusivos de Retsuko: um porco e uma cobra.

Trazer assuntos tão distintos como heavy metal e fofura na mesma produção não é aleatório. Desde o início da década um curioso estilo musical tem tido cada vez mais espaço nas paradas de sucesso japonesas: o Kawaii metal, que mistura os agressivos instrumentais do heavy metal com características do pop japonês, como figurinos combinando e danças coreografadas. O maior expoente desse estilo é a banda Babymetal, que já tocou em grandes festivais com nomes como Guns N’ Roses e Ozzy Osbourne.

Enxergar tendências em sua própria cultura para criar uma nova obra é o grande êxito dessa comédia. Seus episódios curtos chegam a passar a sensação de repetição pela forma como os problemas de Retsuko se apresentam e como ela lida com tudo, mas por se tratar de uma história contínua, os dilemas acumulados se mostram cada vez mais diversos (e mais divertidos).

Aggretsuko está disponível na Netflix e já tem uma segunda temporada garantida para 2019.

Nota do Crítico
Ótimo