Elenco de Agents of SHIELD/ABC

Créditos da imagem: ABC/Divulgação

Séries e TV

Crítica

Agents of S.H.I.E.L.D. – 7ª temporada

Primeira série do MCU chega ao fim equilibrando emoção, efeitos visuais de cinema e dose certa de fan-service

Nicolaos Garófalo
20.08.2020
19h14

Quando estreou em 2013, Agents of S.H.I.E.L.D. tinha a missão de expandir o Universo Cinematográfico da Marvel para a TV. Em suas primeiras temporadas, a série fez referências diretas a Vingadores, Thor: Mundo Sombrio e Capitão América: O Soldado Invernal, mostrando consequências das grandes batalhas mostradas nos blockbusters. Diferente do resto do MCU, no entanto, a produção sempre esteve em seu melhor quando se libertava das amarras dos longas produzidos por Kevin Feige e deixava a imaginação de seus roteiristas fluir sem obstáculos para as telas. Ao longo de seis anos, Agents of S.H.I.E.L.D. explorou propriedades como H.Y.D.R.A., o Império Kree e os Inumanos, com um tom único que fugia da fórmula básica levada aos cinemas pelo Marvel Studios. Em sua sétima e última temporada, a série manteve seu espírito livre, ao mesmo tempo em que relembrou alguns dos personagens mais marcantes de sua história.

Já em clima de despedida, o sétimo ano apostou na viagem do tempo para justificar o retorno de tramas e personagens queridos. Partindo do gancho deixado pela temporada anterior, Daisy (Chloe Bennet), May (Ming-Na Wen), Mack (Henry Simmons), Deke (Jeff Ward) e Yo-Yo (Natalia Cordova-Buckley) seguem Simmons (Elizabeth Henstrige) e Enoch (Joel Stoffer) em uma missão através no tempo para impedir que os chronicoms (raça de andróides alienígenas) destruam a S.H.I.E.L.D. Embora a premissa abra espaço para comparação com Legends of Tomorrow, da rival DC, a série da Casa das Ideias consegue se manter única graças ao seu uso imaginativo do tema e ao charme de seus personagens principais.

Evitando a saturação dos saltos temporais aleatórios no qual a temporada se apoia, Agents of S.H.I.E.L.D. brincou com diferentes gêneros e estilos, com episódios com elementos de noir, policial e filme de assalto, incorporando o estilo cinematográfico das diferentes épocas pelas quais os protagonistas passavam. Aliada à sintonia afiada do elenco liderado por Clark Gregg, essas mudanças narrativas deixam os episódios ágeis e divertidos, resultando em uma temporada confortável de ser assistida.

Sem malabarismos, os roteiros do novo ano dão o devido tempo para o desenvolvimento de cada um de seus personagens, sejam velhos conhecidos, como Jiaying (Dichen Lachman) e John Garrett (James Paxton), ou adições recentes, como Nathaniel Malick (Tomas E. Sullivan) e Kora (Dianne Doan). “Transferido” da saudosa Agent Carter, Daniel Sousa (Enver Gjokaj) é a melhor novidade trazida para a última temporada e sua química com Mack, Daisy e Coulson (Gregg) faz parecer que o agente está há anos em Agents of S.H.I.E.L.D.

A sétima temporada também não economizou nos efeitos visuais. Batalhas espaciais, uso de superpoderes e até uma viagem ao reino quântico aparecem com a mesma qualidade reservada aos filmes do MCU, dando à despedida da série uma roupagem épica.

Este último ano sofre, no entanto, na representação de seus vilões. Sullivan nunca parece completamente confortável na pele de Malick, com um exagero de tiques e maneirismos, enquanto Sibyl (Tamara Taylor), líder dos chronicoms, tem um final extremamente anticlimático. A personagem, que arquitetou todos os planos contra os agentes, é descartada de maneira esquecível no episódio final, contrastando com o destino agridoce dos protagonistas. Além disso, os androides extraterrestres nunca parecem uma ameaça real, sendo facilmente derrotados aos montes até pelos membros não super-humanos da equipe titular.

Ainda assim, não se pode dizer que o encerramento de Agents of S.H.I.E.L.D. foi insatisfatório. Cada personagem recebeu um final emocionante e coerente com as histórias que viveram nos últimos sete anos. A conclusão agridoce apenas realçou a emoção das cenas antes dos créditos e sem dúvida trará lágrimas aos olhos de fãs de longa data da série.

Dentro e fora das telas, Agents of S.H.I.E.L.D. passou por diversos obstáculos antes de cruzar a linha de chegada. A série, no entanto, criou um cenário propício para inovações ao adaptar personagens dos quadrinhos para a TV e deixa um legado que marcará a história da Marvel na mídia. Primeira produção televisiva do MCU, o programa se despede com uma forte temporada final, desafiando seus sucessores do Disney+ a criar uma atmosfera tão original e encantadora quando a que conquista fãs da Marvel desde que foi ao ar pela primeira vez.

Nota do Crítico
Ótimo