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Crítica

13 Reasons Why | Crítica

Com produção de Selena Gomez, série da Netflix discute suicídio, machismo, estupro e mais

Pedro Martins
31.03.2017
14h10
Atualizada em
03.04.2017
12h07
Atualizada em 03.04.2017 às 12h07

Baseada no romance do estadunidense Jay Asher, 13 Reasons Why, nova série da Netflix, traz à tona um relato autêntico do conturbado período que é a adolescência. Depois de sofrer abusos físicos, sexuais e psicológicos, Hannah Baker (Katherine Langford), de 17 anos, vê-se destruída a ponto de enxergar apenas uma solução para seus problemas: pôr fim à própria vida.

Duas semanas depois, Clay Jensen (Dylan Minnete), colega de classe que nutria uma paixão secreta pela garota, encontra uma misteriosa caixa com várias fitas cassete à porta de casa. À medida que ele escuta, as fitas trazem flashbacks que revelam um mundo sombrio e cruel por trás do cotidiano juvenil: “Talvez eu nunca saiba por que vocês fizeram o que fizeram. Mas eu posso fazê-los sentir como foi”, diz Hannah, que, antes de se suicidar, decidiu narrar em detalhes os Porquês de sua ruína.

Produzida pela cantora Selena Gomez e pelo ganhador do Oscar Tom McCarthy (Spotlight), 13 Reasons Why triunfa ao ampliar de forma coerente a narrativa do livro, permitindo discussões que vão além dos conflitos da protagonista. Na série, a história não é contada de uma lente maniqueísta, com indivíduos inteiramente bons ou maus. O espectador se sensibiliza com os problemas de todos os personagens, mesmo sabendo que foram eles os responsáveis pelos atos que levaram Hannah ao suicídio. Estuprada, uma das meninas lamenta: “Você sabe o que acontece quando garotas pedem ajuda.”

Composto predominantemente por estreantes, o elenco empresta grande verdade aos dramas de seus personagens – ainda que, seguindo a constante hollywoodiana, alguns dos atores sejam evidentemente velhos demais para seus papéis. Com explosões emocionais capazes de deixar os nervos à flor da pele, Minnete e Langford são os que roubam a cena. Ademais, é emocionante ver Kate Walsh (Grey’s Anatomy) expressar genuinamente a dor e a indignação de uma mãe que perdeu a filha de maneira tão trágica quando sequer estava ciente do problema.

Além de corrigir graves deslizes de estruturação e continuidade da narrativa literária, os showrunners Brian Yorke e Diana Son denunciam a falta de atenção e a ineficiência com as quais o problema é tratado. No entanto, ao longo de 13 episódios, a série falha por inconstâncias de ritmo entre um capítulo e outro, algo que, somado à abordagem das temáticas perturbadoras, talvez não inspire o hábito do público da Netflix de maratonar a série.

Com intenções que vão além do entretenimento, 13 Reasons Why é chocante e assustador, mas autêntico e necessário. Deixa a certeza de que, quando uma garota morta decide contar uma história, você deve parar para escutá-la.

Nota do Crítico
Ótimo