Criador de Stuart Não Consegue Salvar o Universo sobre fazer humor: "É difícil"
Nova série é spin-off de The Big Bang Theory
A pergunta parece simples, quase retórica: depois de criar um spin-off de The Big Bang Theory ambientado num multiverso de ficção científica, o que é mais difícil de fazer? Chuck Lorre não precisou de um segundo para responder. E a explicação que veio em seguida diz mais sobre o processo criativo de Stuart Não Consegue Salvar o Universo do que qualquer sinopse oficial poderia dizer.
Em entrevista exclusiva ao Omelete, Lorre e Bill Prady destrincharam a diferença com uma precisão que só vem de quatro décadas trabalhando no gênero. A ficção científica, segundo eles, tem uma margem de erro. Você pode construir um universo extraordinário, inventar regras e tecnologias, e desde que o resultado satisfaça certas convenções do gênero, o público tende a aceitar. "Quando você inventa algo muito bom, dá para notar", disse Prady. "As pessoas geralmente vão gostar daquela coisa se ela satisfizer certas convenções da ficção científica."
A comédia não tem essa margem. "Algo ou é engraçado ou não é", resumiu Lorre. "Comédia é muito mais difícil [de fazer]. Muito mais difícil. O riso é imposto a você pelo que você está assistindo ou ouvindo. Não é voluntário. É uma resposta involuntária. Se você tem que pensar e depois rir, desista." Prady completou: "Com a comédia, você não tem ideia se algo que você acha hilário vai funcionar com as outras pessoas." E esse, segundo ele, é o medo que nunca desaparece, não importa quantas temporadas bem-sucedidas você tenha no currículo.
O que torna Stuart Não Consegue Salvar o Universo um experimento particularmente arriscado é exatamente a combinação dos dois. A série precisa convencer o público de que seu multiverso faz sentido e, ao mesmo tempo, arrancar gargalhadas de situações que emergem desse multiverso. Para Lorre, a bússola foi sempre a mesma de The Big Bang Theory: "O objetivo foi, em cada página de cada episódio, provocar um riso sincero e alto." A ficção científica é o cenário. A comédia é o ponto principal.
Há um detalhe que Lorre revelou e que explica muito sobre como essa bússola funciona na prática. Depois de décadas gravando com plateia ao vivo no estúdio, ele desenvolveu uma espécie de plateia interna, uma voz na cabeça que reage às cenas como se estivesse sentada nas arquibancadas. "Eu consigo notar: 'isso não vai funcionar' sem a plateia. Porque a plateia, a partir de um certo ponto, fica gravada na sua consciência." Bill Prady disse, rindo, que chegou a ouvir a risada da plateia imaginária na cabeça do próprio Chuck. "É realmente perturbador", brincou. De fato, quarenta anos de comédia na TV deixam marcas.
Na história, o personagem Stuart Blossom, é encarregado de restaurar a realidade após um dispositivo feito por Sheldeon e Leonard causar um apocalipse. A série está disponível na HBO Max. Saiba mais sobre a produção aqui.
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