Foto de Cine Holliúdy

Créditos da imagem: Cine Holliúdy/Globo/Marcos Rosa

Séries e TV

Artigo

Cine Holliúdy | Série surge polida e lúdica na tela da Globo

Trama é baseada no filme homônimo de Halder Gomes

Henrique Haddefinir
29.05.2019
11h39

Antes de ser parte da atual programação da TV Globo, o cinema fantástico de Francisgleydisson (Edmilson Filho) tinha passado pela experiência de ser curta metragem e depois, longa. Em 2012, a parte um do Cine Holliúdy se tornou – inesperadamente – uma das maiores bilheterias do Ceará, estado onde também se passa a história, com sua linguagem forte, marcada por uma musicalidade própria e muitas expressões regionalistas (tanto a ponto do filme ter sido exibido com legendas). Nesse ano de 2019, a parte dois do filme estreou também nos cinemas cearenses e conseguiu um feito único: levou mais pessoas às salas de cinema que Capitã Marvel.

A mágica tem uma explicação óbvia: a criação de Halder Gomes se comunica diretamente com o cidadão cearense, usando como base para sua conquista algumas boas doses de lúdico que provocam catarse imediata e captam imediatamente a audiência. Francisgleydisson é um apaixonado pelo cinema como todos nós somos e sua luta para manter viva a mágica dessa arte passa por uma comédia física, exagerada, caricata mesmo, honrando os códigos que fazem do cinema mundial uma imensa rede de tipos com os quais qualquer um pode se identificar.

Era de se esperar, então, que a ideia de uma série de TV fosse servir para estender a vida do protagonista em pauta. Era uma ironia entregue em delivery: uma história sobre lutar contra o poderio da TV se tornaria, enfim, televisiva. Isso, entretanto, não intimida a história que veremos, já que é ainda a batalha contra o entretenimento fácil, acessível sem sair de casa, que permeia os 10 episódios do primeiro ano da série. Na TV, Francis vai brigar para manter o cinema em primeiro plano de exploração. Tudo isso com muito humor, tiradas e pitadas de Guel Arraes, que inventou a identidade da comédia nordestina a ponto de criar uma paleta acessível para qualquer um que deseje uma pequena exploração.

A Caixa

Como em toda boa dramaturgia universal, Cine Holliúdy começa com chegadas. Situada nos anos 70 (dez anos antes dos eventos do filme), a trama encontra Francis administrando o único cinema da cidade de Pitombas. Tudo vai bem até que o prefeito Olegário (Matheus Natchtergaele) chega à cidade com sua nova esposa e enteada. Heloísa Périssé e Letícia Colin se incumbem de colorir as forasteiras, que são espelhadas uma na outra.Socorro quer se aproveitar do marido prefeito e Marylin nem mesmo queria estar ali. Mas, exige uma TV nova assim que chega ao tal do “fim do mundo”. O problema é que Pitombas não conhece essa tal de televisão e Francisgleydisson vai fazer tudo que puder para evitar que conheça.

A partir do momento em que começa o primeiro quadro, não dá mais para desviar os olhos da atração. Cine Holliúdy tem um texto rápido, com aquela inteligência calculada, que não aparece nos vocábulos e sim na descrição perfeita de como funcionam as engrenagens daqueles personagens tão particulares. Como era se esperar tudo é muito colorido, brilhante, quente, ligeiro. Assim como em O Auto da Compadecida, por exemplo, as cenas são ditas num ritmo acelerado, com câmeras que buscam os atores enquanto eles falam indo de um lado para o outro; e em poucos minutos de episódio, dão conta de todos os planos mirabolantes do protagonista. É uma fórmula realmente irresistível.

O elenco se esmera em ser crível e fantasioso ao mesmo tempo. Tal qual no mundo de Don Quixote, nada é o que parece ser para Francis e seu fiel escudeiro Munízio (Haroldo Guimarães), muito responsável, devemos dizer, pelo carisma das primeiras sequências da série. Edmilson já tem pleno domínio do personagem, mas além dele e de Haroldo, apenas Falcão surge do elenco do primeiro filme para reviver seu personagem na TV. Périssé, Colin, Natchtergaele são algumas das novas adições, assim como Belinha (Solange Teixeira), que também é responsável por fazer o time de coadjuvantes crescer e preencher aquele universo com muita competência.

A paixão por Marylin e a chegada da maldita da TV (instalada no meio da praça) começam a temporada inspirando o protagonista a competir criando seus próprios filmes. Segundo o próprio Edmilson, a cada semana um novo gênero será abordado e o cinema, na sua versão mais simplória e comovente, será retratado com um certo lirismo surpreendido. Cine Holliúdy tem o objetivo maior de divertir com honestidade o espectador disponível, mas no meio da sessão da película não será incomum ver alguém limpar envergonhado uma lágrima repentina. A série é toda uma celebração.

Escrita por Marcio Wilson e Claudio Paiva, baseada no longa-metragem homônimo escrito e dirigido por Halder Golmes, a série tem direção artística de Patricia Pedrosa e direção de Halder Gomes e Renata Porto D’Ave. No elenco ainda estão Gustavo Falcão, Solange Teixeira, Carri Costa e Frank Menezes, além das participações especiais de Ney Latorraca, Chico Diaz, Miguel Falabella, Ingrid Guimarães, Tonico Pereira, Bruno Garcia, Rafael Infante, Rafael Cortez, entre outros.

Os 10 episódios da primeira temporada já estão na Globoplay e a série estreou na TV em 7 de maio.