Nachtergaele revela como Cenoura volta para Cidade de Deus: A Luta Não Para
Ator contou ao Omelete a gênese da história do traficante na segunda temporada
Créditos da imagem: Matheus Nachtergaele como Cenoura em Cidade de Deus: A Luta Não Para (Reprodução)
Para Matheus Nachtergaele, retomar o “Santo Cenoura” em Cidade de Deus: A Luta Não Para foi um exercício curioso. Em entrevista ao Omelete, o ator falou com reverência do filme original de Fernando Meirelles e Kátia Lund, e professou que a série da HBO Max se localiza “num mundo um pouco mais leve” do que ele.
É nesse contexto, segundo Nachtergaele, que reencontramos o traficante Cenoura (um “bandido do bem”, como define o ator) após temporada na prisão, relutante em voltar para a vida do crime: “As circunstâncias o fazem ter que voltar. Ele é uma pessoa que é obrigada a voltar para o crime por laços afetivos, mas a contragosto”.
Confira a seguir o trecho completo da entrevista! A segunda temporada de Cidade de Deus: A Luta Não Para chega em 8 de novembro à HBO Max.
OMELETE: Quero falar com você, também, de outro projeto que está aqui no Festival: a segunda temporada do Cidade de Deus - A Luta Não Para. Como foi retomar esse personagem, o Cenoura, depois de tantos anos, e voltar para aquele mundo que foi tão marcante pro cinema nacional?
NACHTERGAELE: Eu não vi nada ainda da série, só os trailers, que gostei muito. Vi a primeira temporada e achei bem legal. Mas voltar ao Cenoura foi uma delícia mesmo. Porque Cidade de Deus, o filme original, me parece ter sido um filme que, assim como o O Auto da Compadecida, mas de outra forma, deixou herdeiros, marcou época e influenciou uma maneira de filmar no mundo todo. Cidade de Deus estabeleceu qual é o nosso bangue-bangue, e eu acho isso bom, que a gente tenha o nosso western, sabe? Acho bonito que isso tenha dado frutos como Cidade dos Homens, A Luta Não Para, e adorei poder voltar.
Eles tinham me chamado para fazer a primeira temporada, e eu estava ocupado fazendo Renascer, a novela. Então, assim que acabou Renascer, fui fazer a segunda temporada. Agora é diferente, com novo diretor, novos personagens, mas encontrei algumas pessoas do Cidade de Deus original, e encontrei aquele ambiente de criação que também existia lá atrás, atores misturados com não atores. Cidade de Deus conseguiu reformular, ou modernizar, o docudrama. Uma ficção, mas também documental. Baseado em fatos reais, mas entretenimento, usando a carne de não atores, de pessoas daquela realidade para contar a história, o que causa um fundo pensante de denúncia, uma coisa bonita.
Na série, eu acho, é tudo um pouco mais leve, então eu tive que descobrir como voltar para o Cidade de Deus de uma forma mais suave. Desta vez a gente fez em São Paulo, também numa comunidade. O Cenoura foi preso no final do filme original, então ele está fora do crime, não quer voltar para o crime, e as circunstâncias o fazem ter que voltar. Então foi gostoso imaginar, supor uma continuidade para ele. E, por causa da situação do mundo, eu acredito que aquele Cenoura tão sorridente, que era entre aspas um "bandido do bem", volta para o crime contrariado, amargurado. Uma pessoa que é obrigada a voltar para o crime por laços afetivos, mas a contragosto. Estou curioso para ver!
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