HBO Max/Divulgação

Créditos da imagem: HBO Max/Divulgação

Séries e TV

Entrevista

Nas vielas da nova Cidade de Deus: diretor conta tudo sobre o revival

Ao Omelete, Aly Muritiba compartilhou detalhes da produção que estreia em 2024

Omelete
6 min de leitura
02.12.2023, às 14H55

Após encarar cerca de três horas de trânsito intenso para atravessar São Paulo no horário de pico, fui de Guaianases, no extremo leste, até o Grajaú, na parte sul. Meu destino? O set de filmagens da série de Cidade de Deus. Logo que cheguei, me deparei com um cenário curioso, onde uma coisa ficou clara: a comunidade do Grajaú abraçou completamente a produção da HBO Max e da 02 Filmes dirigida por Aly Muritiba.

A quadra de futebol da rua se transformou no refeitório e camarim dos artistas, enquanto as casas em frente ao local das filmagens serviam, de bom grado, como apoio para os equipamentos de iluminação. As crianças da figuração moravam por ali e chegavam felizes da escola para participarem das filmagens, enquanto seus responsáveis aguardavam orgulhosos ao lado delas.

Essa participação dos moradores foi muito importante e, segundo Muritiba, em todos os locais de filmagens das 64 diárias ele fez questão de “pedir para a produção contratar o máximo de pessoas possível daquela comunidade, e de contratar os serviços dos fornecedores de lá”. Ele continua: “todos os figurantes que fazem parte da nossa série são das comunidades onde estamos filmando”.

E para dar o tom de realidade que a série precisa, as filmagens são feitas em ruas, vielas, córregos e construções reais das comunidades por onde a série se passa. Só em São Paulo, a produção grava em quatro periferias diferentes, como explica o produtor executivo Wellington Pingo: “Em cada comunidade, temos dezenas de outras locações, como casas, bares, etc. Mas chegamos ao final [das filmagens da primeira temporada] com mais de 100 locações diferentes. Mas a série não se passa apenas na comunidade. A gente filma em outras locações e ainda temos muitas filmagens para fazer no Rio”, diz.

Pingo também conta que, mesmo gravando em São Paulo, houve uma preocupação constante em deixar tudo visualmente com a cara do Rio, afinal, é lá que fica a favela retratada na obra. “A série mostra a cultura carioca, o jeito de andar e até de falar. Em momento algum deixamos de manter a originalidade”,

Reforçando o ar carioca da produção, a equipe também montou um elenco basicamente de atores do Rio de Janeiro, muitos deles da própria Cidade de Deus. “O elenco é formado não só por gente conhecida, mas por gente que ainda não tem muita experiência. A gente tem entre 12 e 15 atores da Cidade de Deus. O primeiro teste de elenco que a gente fez também foi na Cidade de Deus”, conta Muritiba.

Diferentemente do filme, a série de Cidade de Deus pretende destacar o lado positivo da comunidade. Fazendo um mea-culpa pelo longa estereotipado de 2002, o foco do revival deixará de ser nas armas e na criminalidade e passará para os projetos sociais e culturais da região.

O Omelete conversou por pouco mais de cinco minutos com o diretor Aly Muritiba, que nos contou detalhes dos seis episódios da primeira temporada e flashbacks do filme de 2002. Confira o nosso papo na íntegra abaixo:

Omelete: A gente percebeu que você está com uma música do Olodum na cabeça hoje. Como está a trilha sonora da série? Vocês já estão pensando nisso?

Aly Muritiba: Já! A gente está licenciando algumas músicas que com certeza vão entrar e o Beto Vilares e o pessoal da Ambulante está compondo a trilha sonora. Tem um núcleo da série que é o universo do funk. Uma das personagens é uma cantora de funk, então a gente compôs umas músicas originais para ela com uma dupla carioca chamada Bronca.

E a série se passa quantos anos depois da última cena do filme?

Se passa 20 anos depois da última cena do filme. Se passa em 2004, quando a gente encontra alguns personagens do filme 20 anos depois. Wilson se tornou um fotógrafo célebre, importante no jornalismo policial; a Berenice hoje em dia é uma grande liderança Comunitária junto da Cinthia; o Barbantinho é um cara super querido na comunidade, está se candidatando a vereador. A gente vai contar a história desses personagens 20 anos depois.

Foto: Renato Nascimento e Lais Lima/Tangerina
Foto: Renato Nascimento e Lais Lima/Tangerina

A gente vai ter uma resolução para aquela molecadinha da Caixa Baixa?

Eles voltam na série. Tem o núcleo da Caixa Baixa e volta o personagem do Thiago Martins [o ator não estará na série], que é um dos grandes personagens da série. Ele volta para a comunidade e trava uma disputa com o seu pai adotivo, Curió, vivido pelo Marcos Palmeira. E o braço direito dele na turma da Caixa Baixa, o Pezinho, também volta e tá com ele aí no bonde.

Por que vocês escolheram gravar aqui em São Paulo?

Na verdade, a gente grava em São Paulo e no Rio. Mas boa parte da decisão se deu por questões de produção, a produtora é daqui, está aqui, e a Cidade de Deus é uma comunidade horizontalizada, não é morro. A gente precisava achar uma comunidade assim para filmar no Rio e quando estávamos começando a procurar a locação [no Rio], estava acontecendo — ainda está — uma disputa territorial entre as milícias e o grupo criminoso da Cidade de Deus. Isso tornava tudo muito inseguro para a gente. Não sabíamos quando poderíamos ou não filmar na própria Cidade de Deus, que era minha vontade. Como a gente não podia lidar muito com essa insegurança, não dava para ficar mudando o plano de filmagem todas as vezes que houvesse uma operação policial, um confronto entre traficantes. A gente acabou trazendo para cá. Encontramos comunidades que se parecem muito com a Cidade de Deus.

E falando em comunidade, percebi que a comunidade aqui abraçou bastante o set de vocês. Inclusive, tem equipamento que vocês utilizaram nos puxadinhos das casas. Como foi esse contato?

As comunidades abraçaram muito a gente porque a gente também abraçou muito a comunidade, né? Todos os lugares onde estamos indo filmar, fiz questão de pedir para a produção para contratar o máximo de pessoas possível daquela comunidade, e de contratar os serviços dos fornecedores daquela comunidade para dar uma movimentada também na economia. Então, todos os figurantes que fazem parte da nossa série são figurantes das comunidades onde estamos filmando. O elenco é formado não só por gente conhecida, mas por gente que ainda não tem muita experiência. Ele é formado basicamente por gente que vem do Rio. A gente tem 12 ou 15 atores da Cidade de Deus, o primeiro teste de elenco que a gente fez foi na Cidade de Deus. Fiz questão de trazer um monte de gente de lá para trabalhar conosco, mas era muito importante abraçar a comunidade [de São Paulo] também.

Falando um pouquinho de tempo, quantas diárias vocês planejaram e quando que vocês pretendem encerrar as filmagens?

São 64 diárias, a gente começou no final de junho e vai até 6 de novembro. Então, amanhã a gente terá chegado na metade das filmagens.

Qual é a previsão de lançamento da série?

2024.

Quantos episódios terá essa primeira temporada?

São seis episódios.

Mas pensando em uma segunda temporada?

Já tem história para uma segunda temporada. Vai depender da Warner [Bros. Discovery].

Teremos algum flashback do filme?

O filme é todo narrado pelo Buscapé e ele se vale de alguns flashbacks para contar a história. Essa estrutura também é utilizada na série, o que a gente faz é alguns flashbacks usando imagens do filme, inclusive usando algumas imagens originais que não entraram no filme, como alguns takes e planos que não foram utilizados na montagem final. A gente vai botar tudo isso na série.

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