Cartaz de Chernobyl

Créditos da imagem: HBO/Divulgação

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Chernobyl | Minissérie explora ganância e desinformação como fonte de terror

Narrativa mostra o lado de quem tentou acobertar a tragédia

Arthur Eloi
11.05.2019
09h35

O desastre nuclear de Chernobyl é um dos marcos históricos mais importantes para compreender vários aspectos da cultura popular: durante a Guerra Fria, o pavor do extermínio nuclear era constante e o acidente ocorrido na usina de Pripyat em 1986 serviu para potenciar o medo dos efeitos destrutivos da radiação. Esse lado já foi muito explorado em inúmeros filmes ao longo das décadas, mas agora a HBO busca dramatizar um ponto de vista diferente da tragédia: o dos responsáveis por tentar acobertá-lo.

Chernobyl, nova minissérie da emissora, abre logo após a explosão do reator nuclear: os funcionários presentes suspeitam que as coisas fugiram do controle, enquanto os chefes e oficiais da União Soviética tratam apenas como um incêndio que ainda pode ser domado. Conduzindo seus horrores como um suspense político, o primeiro episódio investe em um ritmo lento para demonstrar como a ganância, frieza e a desinformação podem tornar algo terrível ainda pior.

Para deixar o espectador ainda mais agoniado, a série ressalta a falta de conhecimento radioativo da época e também a ausência de informações claras durante os primeiros dias do ocorrido, mostrando sequências terríveis dos funcionários da usina sendo consumidos pelas ondas de radiação e também dos habitantes de Pripyat assistindo ao “espetáculo” enquanto são banhados por partículas do reator nuclear destruído. O primeiro capítulo estabelece peças que podem se agravar ao longo da narrativa e só nos minutos finais revela que sua trama será conduzida pela perspectiva de Valery Legasov (Jared Harris), um cientista convocado por Mikhail Gorbachev para uma força-tarefa de emergência.

É uma abordagem com bastante potencial, mas algo que não deve melhorar é sua apresentação: o piloto pouco explora a estética brutalista soviética que é tão característica da época. Além disso todo o elenco fala apenas em inglês, o que cria uma grande dissonância ao ter intérpretes claramente britânicos interpretando operários ucranianos com nomes como Vasily, Anatoly, entre outros. É uma descaracterização bizarra que, mesmo tendo apenas começado, já deixa claro que vai ofuscar a riqueza da ambientação.

Chernobyl tem uma trama interessante nas mãos ao discutir um infeliz evento da humanidade pelos olhos de quem tentou garantir que nunca tivesse sido revelado ao público. Com apenas cinco episódios, a minissérie pode contar uma história concisa, simples e impactante, mas que com certeza não terá final feliz.

Chernobyl é transmitida às sextas pela HBO, às 21h. Os episódios também estarão disponíveis no serviço de streaming HBO Go.