Rio2C | Criadores de Brasil 70 querem contar histórias do Corinthians
Naná Xavier e Rafael Dornellas falaram sobre criação da série da Netflix durante o evento no Rio de Janeiro
Enquanto a Copa do Mundo 2026 não chega, a Netflix prepara o lançamento de Brasil 70: A Saga de Tri, minissérie que vai contar os passos da seleção brasileira comandada por Pelé, Zagallo, Gérson, Jairzinho e todo o escrete verde e amarelo na conquista do tricampeonato. Em entrevista ao Omelete, os criadores da série, Naná Xavier e Rafael Dornellas, contaram que não pretendem parar por aí e têm mais projetos em mente, incluindo o seu time de coração: o Corinthians.
O serviço de streaming realizou o painel “Esportes na Netflix: Como Criar Histórias Memoráveis a Partir de Paixões Nacionais”, no Rio2C, com a participação dos diretores da série, Pedro e Paulo Morelli, além de Luis Ara, diretor dos documentários Ronaldinho Gaúcho e Tetra - Acreditar de Novo, e as diretoras da Netflix, Elisa Chalfon e Haná Vaisman.
Após o painel, Naná e Rafael contaram um pouco do processo de criar Brasil 70 - A Saga do Tri, juntando a história de João Saldanha, Zagallo e Pelé na minissérie. “Quando a gente fez as pesquisas, a gente percebeu que já existia uma conexão natural entre eles como lideranças dentro desse grupo. E aí a gente começou a se organizar em termos de dramaturgia”, disse Naná. “Automaticamente, meio que natural, você esbarra num personagem como o João Saldanha e fala: ‘cara, eu tenho uma coisa aqui que é muito grande e é uma história que está prestes a ser contada, está gritando para ser contada’. E o Saldanha vai esbarrar com o Pelé, que vai esbarrar com o Zagallo”, completou Rafael.
A dupla ainda falou sobre a vontade de criar novas histórias sobre futebol, uma paixão de ambos, sobre a Copa de 1994 e, claro, do Corinthians e da Gaviões da Fiel.
Confira a entrevista completa abaixo.
OMELETE: Uma das coisas mais interessantes de Brasil 70: A Saga do Tri são os três protagonistas da história: o João Saldanha, o Zagallo e o Pelé. Então, como foi para vocês juntar essas três histórias para conversarem nessa série de cinco capítulos?
Naná Xavier: Quando a gente fez as pesquisas, a gente percebeu que já existia uma conexão natural entre eles com as lideranças dentro desse grupo. E aí a gente começou a se organizar em termos de dramaturgia. Uma ideia que a gente trabalha muito é que toda história tem que ter um protagonista e um antagonista. Antagonista não é necessariamente uma pessoa má que faz alguma coisa ruim, é só alguém que está em oposição à pessoa que está carregando a história. E aí a gente brincou muito com esses três, sempre colocando eles em conflito, trocando eles de posição. Então às vezes alguém carrega uma história e a gente escolhia um outro para antagonizar essa história, criar conflito.
Rafael Dornellas: Foi uma coisa que acho que foi no processo de pesquisa e de desenvolvimento da narrativa. Automaticamente, meio que natural, você esbarra num personagem como o João Saldanha e fala: "cara, eu tenho uma coisa aqui que é muito grande e é uma história que está prestes a ser contada, está gritando para ser contada". E o Saldanha vai esbarrar com o Pelé, que vai esbarrar com o Zagallo. A gente percebe que são três pilares que vão estar no México durante a Copa. Então a questão foi pegar essas três coisas grandes e fazer isso que a Naná falou de organizar os antagonismos, o arco.
OMELETE: Eu tive um professor na faculdade, o Ronaldo Helal, e ele falava muito sobre idolatria, sobre o Pelé, sobre o Ronaldo e tal. Vendo a série, a gente percebe um ufanismo que tem ali, aquela coisa de voltar a torcer. Vocês realmente quiseram trazer isso, misturar um pouco o fato histórico realmente, mas também com essa ideia de um encantamento que o futebol traz?
Rafael Dornellas: Acho que sim, e também é incontornável. Quando você começa a olhar para essa época e olhar para essa Copa, você não tem como não falar do contexto, as coisas estão muito juntas. Então é incontornável e a gente ficou muito feliz com a abertura tanto da direção da O2 quanto da Netflix de falar: "não, essa história tem que ser contada desse jeito, não vamos não olhar para isso".
Naná Xavier: Acho que a gente quis também reproduzir um pouco o nosso sentimento de apaixonado por futebol. Acho que todo fã de futebol tem essa coisa: é um pouco iludido, mas às vezes essa realidade se concretiza e aí você tem esse gás para continuar acreditando.
Rafael Dornellas: Tem uma magia mesmo, uma fantasia, tem alguma coisa que é da ordem do inexplicável. Tem um discurso que o Saldanha faz no final que ele fala que a gente tem que acreditar, independente de você poder não acreditar no seu país, no final o país está dentro de você. Tudo faz parte disso. E sendo ele quem ele era... muita gente tinha uma imagem negativa dele do jeito errado, porque ele era um crítico, ele era uma figura muito combativa, politizado para caramba. E essa contradição é interessante, porque como é o cara que está lutando contra o governo ditatorial, comunista, torcendo para a seleção? O que ele fala para a Teresa, para a esposa dele... é meio que uma coisa meio mística, difícil de explicar.
Naná Xavier: E a gente acha que também é isso, o futebol tem essa característica democrática incontornável. Acho que é meio aquela história de "se eu não puder dançar, não é minha revolução". Se eu não puder jogar futebol, não é minha revolução.
OMELETE: E vocês participaram também da parte da ação, que são as jogadas e os lances icônicos em si? Porque vendo, me lembrou uma coisa meio super-herói, tipo anime, sabe? A bola vem, para, o slow motion... Como foi criar esses momentos tão icônicos para a gente sentir de novo isso?
Rafael Dornellas: O mais importante para a gente como contador da história era chegar no momento conhecendo bem os personagens e torcendo pela narrativa. Então a gente tinha que ter essa cama feita da narrativa para, quando chegar nahora, você estar torcendo. E aí selecionar as jogadas icônicas e entender qual era o melhor jeito. A gente foi para o set, então a gente estava ali junto.
Naná Xavier: Trabalhamos próximo da direção, mas eles foram realmente muito detalhistas, minuciosos e desenvolveram essa estética. É uma coisa que não tinha muito precedente, então foi quase uma invenção.
Rafael Dornellas: Foi, é uma coreografia mesmo, quase uma dança.
OMELETE: Eu já vi outras produções de futebol, mas igual ao que eles fizeram aqui na série eu nunca tinha visto. E se vocês tivessem que contar alguma outra história, não só de futebol, mas de esporte, qual que vocês gostariam de fazer?
Naná Xavier: Tem várias. A gente tem muita vontade de fazer algo relacionado à história do Corinthians, sendo corinthianos. É um sonho.
Rafael Dornellas: Temos vários projetos pessoais de fundação do Corinthians, Democracia Corinthiana, Invasão do Maracanã em 76...
Naná Xavier: Contar a história da torcida também, da Gaviões da Fiel. E um outro sonho que a gente tem agora é contar alguma história relacionada ao futebol feminino.
Rafael Dornellas: E também, não dá para não falar que a gente tem um desejo comum que 94 seria muito legal fazer. A história está pronta, é uma história absurdamente foda, então também seria incrível.
Tudo sobre Brasil 70 - A Saga do Tri
A minissérie vai recriar, de forma imersiva, lances clássicos e momentos de bastidores que ajudaram a construir o legado de uma das maiores equipes de futebol de todos os tempos. Um mergulho nos desafios, emoções e temores que acompanharam os jogadores como Pelé, Tostão, Félix, Carlos Alberto, Jairzinho, Gérson e Rivellino, além dos técnicos Saldanha e Zagallo durante a preparação e a disputa do torneio.
O enredo se desenrola em um dos momentos mais marcantes tanto do futebol quanto da História política brasileira, em meio à fase mais dura do regime militar, enquanto a equipe demonstra sua genialidade em campo sob a enorme pressão de representar um país inteiro.
O elenco principal conta com Rodrigo Santoro (João Saldanha), Bruno Mazzeo (Zagallo) e Lucas Agrícola (Pelé), em uma co-produção envolvendo Netflix e O2 Filmes.
Completam o elenco nomes como Marcelo Adnet (Eusébio Teixeira), Bruna Mascarenhas (Rosemeri), Gui Ferraz (Jairzinho), Ravel Andrade (Tostão), Maicon Rodrigues (Paulo Cézar Caju), Caio Cabral (Carlos Alberto), Daniel Blanco (Rivellino), Val Perré (Mário Américo), Lara Tremouroux (Rosa), Felipe Frazão (Leo), Fillipe Soutto (Gérson), Hugo Haddad (Félix), Victor Salomão (Dadá Maravilha) e José Beltrão (Parreira).
A direção geral é assinada por Paulo Morelli e Pedro Morelli, com episódios dirigidos também por Quico Meirelles. A criação é de Naná Xavier e Rafael Dornellas. A produção também está a cargo de Paulo Morelli e Pedro Morelli, ao lado de Cris Abi, com Guto Gontijo na produção executiva. Felipe Sant'Angelo assina com Naná Xavier a redação final dos roteiros.
Brasil 70 - A Saga do Tri estreia em 29 de maio na Netflix.
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