Park Solomon em cena de Branding in Seongsu (Reprodução)

Créditos da imagem: Park Solomon em cena de Branding in Seongsu (Reprodução)

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Branding in Seongsu é rom-com inventiva que não se leva a sério demais

Park Solomon, de All of Us Are Dead, esbanja carisma no k-drama do Viki

Omelete
3 min de leitura
15.02.2024, às 14H22.
Atualizada em 20.02.2024, ÀS 16H36

Em uma das melhores cenas dos episódios iniciais de Branding in Seongsu, dois colegas de So Eun-ho (Park Solomon) explicam para ele como funciona a hierarquia da agência de publicidade onde trabalham. Na direção inventiva de Jung Heon-soon (Chefe de Cozinha Moon), o diálogo é ilustrado por vinhetas extravagantes: a equipe de elite comandada pela implacável Kang Na-eon (Kim Ji-eun) se transforma em um corte tropical iluminada em neon rosa, com a rainha sendo abanada por folhas de bananeira; enquanto isso, o time que representa a ralé da empresa é renegado a um porão enevoado, explorado somente por estagiários com cara de sofrimento e vestidos como se estivessem escalando o Everest.

É esse tipo de humor visual ousado que eleva Branding in Seoungsu um pouco acima de suas limitações narrativas como comédia romântica. O casal principal, formado previsivelmente por uma mulher obcecada pelo trabalho e um homem com uma abordagem muito mais relaxada dele, solta menos faíscas do que deveria - e seria mais legal acompanhar a inversão da dinâmica de poder que existe entre eles, tendo em vista de Na-eon é a chefe de Eun-ho, mais velha do que ele, e de muitas formas uma personagem mais sólida em suas vicissitudes adultas, se não fosse óbvio que a série está estabelecendo tudo isso no início só para subverter a hierarquia depois, “ensinando uma lição” à sua protagonista.

Por hora, no entanto, a produção mostra que sabe como se divertir, e acende a esperança de que pode continuar não se levando a sério conforme os episódios progridem. O formato da produção certamente se presta para isso, uma vez que Branding in Seongsu prospera em episódios muito mais curtos do que a média dos k-dramas (a maioria tem capítulos que batem na 1h10, enquanto a série do Viki nunca passa dos 30 minutos), decisão criativa que mantém a energia narrativa em alta e segura as expectativas de densidade do espectador. É muito mais fácil definir e apoiar seus personagens em pinceladas leves - há um ótimo momento em que vemos Eun-ho em sua rotina matinal natureba, que faz maravilhas pelo processo de construir boa vontade pelo personagem - quando não temos que passar tanto tempo com eles.

Ademais, aqui é onde Park Solomon encontra o espaço para justificar seu estrelato meteórico, impulsionado pelo sucesso de All of Us Are Dead. O carisma jovial do seu Eun-ho está no texto de Choi Sun-mi (It's Okay to Be Sensitive), mas o ator faz bem ao abraçar também o lado desajeitado, incompleto e equivocado (ainda que bem-intencionado) do personagem, um rígido idealista cujas pontificações morais são temperadas com uma gentileza e uma ingenuidade que o fazem muito menos irritante do que poderia ser. Nas mãos de Solomon, Eun-ho é todo formado por hesitações, ainda que as mascare com uma autoconfiança que é transparentemente falsa, e talvez por isso tão charmosa.

Há também a sugestão discretíssima de um mergulho na fantasia para temperar as expectativas para o futuro da série. Ao menos nesses primeiros passos tímidos, Branding in Seongsu se mostra bastante apta a estender a sua fluência brincalhona na linguagem cinematográfica para outros cantos do contínuo da cultura pop - o momento em que Na-eon chega em casa e, assustada com as luzes apagadas, acaba imaginando (ou será que não?) uma mão fantasmagórica que toca o seu ombro é surpreendentemente arrepiante. É um bom sinal para o desenvolvimento da trama, que promete desde a primeira sinopse uma troca de corpos entre o casal protagonista.

Enfim, desde que não se perca em ambições desmedidas, Branding in Seongsu tem o talento para suplantar as próprias limitações e se provar um ótimo passatempo para fãs de rom-com e fãs de k-drama - especialmente aqueles com paciência ou tempo curto para os novelões mais densos do subgênero.

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