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BBB 26 é histórico e dificilmente veremos outra edição igual

Reality bate recordes, gera polêmicas e entrega momentos inéditos que podem nunca mais se repetir

Omelete
6 min de leitura
21.04.2026, às 18H45.

São 100 dias desde que o BBB 26 começou e, a julgar por edições como a de 2025, com as péssimas duplas, e outras edições recentes, como a vencida por Amanda em 2023, era difícil acreditar que o formato voltaria a operar no sucesso das edições da “Era Covid”. Não precisou de muito para que a edição, que misturava ex-participantes, famosos e desconhecidos, conquistasse o público. Ainda assim, ninguém esperaria que, três meses depois, o Big Brother Brasil 26 terminasse com o selo de “edição de colecionador”, criando situações que, talvez, nunca mais vejamos no reality da TV Globo.

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A ideia de que assistir ao Big Brother Brasil é um tempo desperdiçado, que poderia ser gasto lendo um livro, já morreu. Ou, pelo menos, deixou de ser bandeira daqueles que apontam o reality show como algo subcultural. Lançado em 2002, o reality que coloca participantes dentro de uma casa, sem acesso ao mundo exterior ou a informações externas, extrapolou a TV e, desde a pandemia, se tornou um fenômeno das redes sociais. Torcidas passaram a ditar vencedores, cancelados, heróis e vilões, indo além de impactar apenas quem assiste ao programa e se tornando parte de memes, discussões sociais e, claro, muitas brigas.

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Reprodução/TV Globo

Eu ainda estava na faculdade, lá por 2007, quando meu professor de Comunicação e Cultura, Ronaldo Helal — sociólogo, comunicador, mestre, doutor e tudo mais que um currículo pode ter — disse em sala que gostava do BBB. Segundo ele, era uma forma de observarmos o comportamento da sociedade de perto e ao vivo. A vigésima sexta edição do Big Brother Brasil mergulhou nisso desde o início, com todos os participantes desconhecidos sendo escolhidos nas Casas de Vidro.

Dentro de shoppings espalhados por todo o país, os participantes viviam um experimento de “zoológico humano”, em que o comportamento das torcidas do lado de fora chamava ainda mais atenção. Foi o que aconteceu com Milena, ou Tia Milena, como é conhecida agora, atacada por pessoas que a xingaram e desmereceram seu trabalho em prol de outra participante.

BBB 26 tem elenco de sucesso entre famosos, ex-participantes e desconhecidos

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Reprodução/TV Globo

Ao entrarem na “casa mais vigiada do Brasil”, ex-BBBs como Sarah Andrade e Alberto Cowboy buscavam redenção: uma vista como traíra do fenômeno Juliette e o outro como o grande vilão da edição de Diego Alemão. Sol Vega, que sofreu com o racismo em sua edição e no pós-BBB, tentava uma nova chance, assim como Babu Santana e Ana Paula Renault, grandes nomes e favoritos de suas edições, que acabaram não chegando à final. Jonas Sulzbach, que ficou em terceiro lugar no BBB 12, também tentava finalmente conquistar o prêmio máximo.

Do outro lado, famosos como Henri Castelli, Solange Couto, Edilson Capetinha e Aline Campos (ex-Riscado) corriam atrás de um bom cachê e, quem sabe, novas oportunidades, assim como Juliano Floss, que mirava furar a bolha da internet.

Já os desconhecidos mostraram algo que há muito não se via no Big Brother Brasil: gana pelos prêmios. Enquanto, nas últimas edições, todos queriam virar uma nova Juliette ou Gil do Vigor, no BBB 26 eles ansiavam qualquer recompensa — dinheiro, apartamento, carro, um ano de chocolate e até produtos de limpeza. Não é à toa que sete participantes resistiram mais de 100 horas no Quarto Branco, vivendo com água e biscoito, levando a produção a ter que oferecer prêmios em dinheiro para que alguns desistissem.

BBB 26: Uma briga após a outra e recorde de audiência

Já dentro da casa, o que se viu foi um retrato do Brasil atual. Houve claramente uma polarização entre participantes com pensamentos mais conservadores e outros mais liberais. A grande disputa se deu logo de início, com Ana Paula e Babu criando uma frente contra Brígido, Matheus, Sarah, Alberto e Jonas.

Ao tentarem trazer informações externas, utilizando a “militância de esquerda” de Ana Paula para tentar cancelá-la aqui fora, o grupo se uniu e iniciou uma espécie de caça às bruxas — ou à Bruxona, como Ana se autointitulou desde que Pedro disse ter se engasgado com falas dela. O brother, aliás, desistiu do programa quando estava prestes a ser expulso por importunação, após tentar beijar Jordana à força.

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Reprodução/TV Globo

Entre muitas brigas, Babu Santana, que era um dos favoritos ao prêmio no início, viu sua popularidade cair por terra ao criar um embate que utilizava de um ponto importante — o racismo sofrido por outros participantes pelo público — apenas para justificar seu conflito com Ana Paula. O mesmo aconteceu com Sol Vega, que acabou expulsa ao partir para cima da mineira. Edilson foi outro retirado da casa após agredir Leandro Boneco. As ameaças do ex-jogador fizeram com que Boneco tivesse uma crise de pânico, temendo o pior para sua família e a região onde moram, na Bahia.

Essa ebulição constante tornou o BBB 26 um marco para a TV Globo e para o Globoplay, seu serviço de streaming. A audiência da plataforma aumentou 74% em relação ao ano passado e superou todas as edições desde o BBB 20, ficando atrás apenas da edição vencida por Juliette.

O programa também gerou mais de 32 bilhões de visualizações nas redes sociais, superando em mais de 285% o BBB 25. O sucesso das constantes discussões fez com que a Globo priorizasse, pela primeira vez, o consumo via streaming. Provas importantes, como a de liderança, passaram a ter partes transmitidas exclusivamente no Globoplay. Com mais ações ao longo do dia e mais interações de artistas com os participantes, o público acompanhou o reality ainda mais de perto.

Reta final do BBB 26 é marcada por luto dentro e fora da casa

E, quando as coisas pareciam esfriar, surgia uma nova briga. Grupos se dividiam e se reuniam novamente, até que o Big Brother chegou ao último paredão com uma situação extrema. Duas mortes abalaram o programa, tanto fora quanto dentro da casa.

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Reprodução/TV Globo

A perda de Oscar Schmidt colocou Tadeu, seu irmão, no centro das atenções do público. E agora? O que aconteceria com o apresentador que vinha ganhando a simpatia dos telespectadores a cada semana? Dois dias depois, o pai de Ana Paula Renault, favorita ao prêmio de mais de 5 milhões de reais, também morreu. Os fãs não sabiam como ela reagiria, e a produção não sabia se perderia o principal nome do programa às vésperas da final.

O que se viu foi algo talvez irrepetível no Big Brother Brasil. Tadeu apresentou o programa daquele dia, e Ana Paula seguiu no jogo. O BBB 26 se tornou uma experiência coletiva, com o público acompanhando a dor de ambos, impotente. Confinados apenas com a tela e as redes sociais, vimos o apresentador quebrar o protocolo e compartilhar sua dor com o trio finalista, formado por Juliano Floss, Milena e Ana Paula Renault.

Em um movimento totalmente inédito, assistimos a uma final antecipada, 24 horas antes do último episódio. Tadeu Schmidt entrou na casa, abraçou o “Trio Eterno”, conversou com eles e mostrou vídeos da jornada de cada um nesses 100 dias. Se o BBB 26 é uma “edição de colecionador”, a produção entregou, no penúltimo dia, aquela figurinha brilhante que ninguém consegue facilmente. Um momento de ternura e emoção em uma trajetória marcada por brigas, palavrões, preconceitos, cancelamentos, incoerências e, nos momentos finais, luto.

O Big Brother Brasil 2026 é, sim, histórico — tanto para quem gosta do formato quanto para quem tenta entender como ele ainda desperta tanta paixão e sucesso quase 25 anos após sua estreia. O ser humano é movido por histórias, personagens e narrativas que são moldadas — e, acredite, o reality show não passa incólume a isso — para mexer com nossos sentimentos. Olhando para os 100 dias do BBB 26 e a sua história, só nos resta desejar sorte ao BBB 27.

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