BBB 26 é histórico e dificilmente veremos outra edição igual
Reality bate recordes, gera polêmicas e entrega momentos inéditos que podem nunca mais se repetir
São 100 dias desde que o BBB 26 começou e, a julgar por edições como a de 2025, com as péssimas duplas, e outras edições recentes, como a vencida por Amanda em 2023, era difícil acreditar que o formato voltaria a operar no sucesso das edições da “Era Covid”. Não precisou de muito para que a edição, que misturava ex-participantes, famosos e desconhecidos, conquistasse o público. Ainda assim, ninguém esperaria que, três meses depois, o Big Brother Brasil 26 terminasse com o selo de “edição de colecionador”, criando situações que, talvez, nunca mais vejamos no reality da TV Globo.
A ideia de que assistir ao Big Brother Brasil é um tempo desperdiçado, que poderia ser gasto lendo um livro, já morreu. Ou, pelo menos, deixou de ser bandeira daqueles que apontam o reality show como algo subcultural. Lançado em 2002, o reality que coloca participantes dentro de uma casa, sem acesso ao mundo exterior ou a informações externas, extrapolou a TV e, desde a pandemia, se tornou um fenômeno das redes sociais. Torcidas passaram a ditar vencedores, cancelados, heróis e vilões, indo além de impactar apenas quem assiste ao programa e se tornando parte de memes, discussões sociais e, claro, muitas brigas.
Eu ainda estava na faculdade, lá por 2007, quando meu professor de Comunicação e Cultura, Ronaldo Helal — sociólogo, comunicador, mestre, doutor e tudo mais que um currículo pode ter — disse em sala que gostava do BBB. Segundo ele, era uma forma de observarmos o comportamento da sociedade de perto e ao vivo. A vigésima sexta edição do Big Brother Brasil mergulhou nisso desde o início, com todos os participantes desconhecidos sendo escolhidos nas Casas de Vidro.
Dentro de shoppings espalhados por todo o país, os participantes viviam um experimento de “zoológico humano”, em que o comportamento das torcidas do lado de fora chamava ainda mais atenção. Foi o que aconteceu com Milena, ou Tia Milena, como é conhecida agora, atacada por pessoas que a xingaram e desmereceram seu trabalho em prol de outra participante.
BBB 26 tem elenco de sucesso entre famosos, ex-participantes e desconhecidos
Ao entrarem na “casa mais vigiada do Brasil”, ex-BBBs como Sarah Andrade e Alberto Cowboy buscavam redenção: uma vista como traíra do fenômeno Juliette e o outro como o grande vilão da edição de Diego Alemão. Sol Vega, que sofreu com o racismo em sua edição e no pós-BBB, tentava uma nova chance, assim como Babu Santana e Ana Paula Renault, grandes nomes e favoritos de suas edições, que acabaram não chegando à final. Jonas Sulzbach, que ficou em terceiro lugar no BBB 12, também tentava finalmente conquistar o prêmio máximo.
Do outro lado, famosos como Henri Castelli, Solange Couto, Edilson Capetinha e Aline Campos (ex-Riscado) corriam atrás de um bom cachê e, quem sabe, novas oportunidades, assim como Juliano Floss, que mirava furar a bolha da internet.
Já os desconhecidos mostraram algo que há muito não se via no Big Brother Brasil: gana pelos prêmios. Enquanto, nas últimas edições, todos queriam virar uma nova Juliette ou Gil do Vigor, no BBB 26 eles ansiavam qualquer recompensa — dinheiro, apartamento, carro, um ano de chocolate e até produtos de limpeza. Não é à toa que sete participantes resistiram mais de 100 horas no Quarto Branco, vivendo com água e biscoito, levando a produção a ter que oferecer prêmios em dinheiro para que alguns desistissem.
BBB 26: Uma briga após a outra e recorde de audiência
Já dentro da casa, o que se viu foi um retrato do Brasil atual. Houve claramente uma polarização entre participantes com pensamentos mais conservadores e outros mais liberais. A grande disputa se deu logo de início, com Ana Paula e Babu criando uma frente contra Brígido, Matheus, Sarah, Alberto e Jonas.
Ao tentarem trazer informações externas, utilizando a “militância de esquerda” de Ana Paula para tentar cancelá-la aqui fora, o grupo se uniu e iniciou uma espécie de caça às bruxas — ou à Bruxona, como Ana se autointitulou desde que Pedro disse ter se engasgado com falas dela. O brother, aliás, desistiu do programa quando estava prestes a ser expulso por importunação, após tentar beijar Jordana à força.
Entre muitas brigas, Babu Santana, que era um dos favoritos ao prêmio no início, viu sua popularidade cair por terra ao criar um embate que utilizava de um ponto importante — o racismo sofrido por outros participantes pelo público — apenas para justificar seu conflito com Ana Paula. O mesmo aconteceu com Sol Vega, que acabou expulsa ao partir para cima da mineira. Edilson foi outro retirado da casa após agredir Leandro Boneco. As ameaças do ex-jogador fizeram com que Boneco tivesse uma crise de pânico, temendo o pior para sua família e a região onde moram, na Bahia.
Essa ebulição constante tornou o BBB 26 um marco para a TV Globo e para o Globoplay, seu serviço de streaming. A audiência da plataforma aumentou 74% em relação ao ano passado e superou todas as edições desde o BBB 20, ficando atrás apenas da edição vencida por Juliette.
O programa também gerou mais de 32 bilhões de visualizações nas redes sociais, superando em mais de 285% o BBB 25. O sucesso das constantes discussões fez com que a Globo priorizasse, pela primeira vez, o consumo via streaming. Provas importantes, como a de liderança, passaram a ter partes transmitidas exclusivamente no Globoplay. Com mais ações ao longo do dia e mais interações de artistas com os participantes, o público acompanhou o reality ainda mais de perto.
Reta final do BBB 26 é marcada por luto dentro e fora da casa
E, quando as coisas pareciam esfriar, surgia uma nova briga. Grupos se dividiam e se reuniam novamente, até que o Big Brother chegou ao último paredão com uma situação extrema. Duas mortes abalaram o programa, tanto fora quanto dentro da casa.
A perda de Oscar Schmidt colocou Tadeu, seu irmão, no centro das atenções do público. E agora? O que aconteceria com o apresentador que vinha ganhando a simpatia dos telespectadores a cada semana? Dois dias depois, o pai de Ana Paula Renault, favorita ao prêmio de mais de 5 milhões de reais, também morreu. Os fãs não sabiam como ela reagiria, e a produção não sabia se perderia o principal nome do programa às vésperas da final.
O que se viu foi algo talvez irrepetível no Big Brother Brasil. Tadeu apresentou o programa daquele dia, e Ana Paula seguiu no jogo. O BBB 26 se tornou uma experiência coletiva, com o público acompanhando a dor de ambos, impotente. Confinados apenas com a tela e as redes sociais, vimos o apresentador quebrar o protocolo e compartilhar sua dor com o trio finalista, formado por Juliano Floss, Milena e Ana Paula Renault.
Em um movimento totalmente inédito, assistimos a uma final antecipada, 24 horas antes do último episódio. Tadeu Schmidt entrou na casa, abraçou o “Trio Eterno”, conversou com eles e mostrou vídeos da jornada de cada um nesses 100 dias. Se o BBB 26 é uma “edição de colecionador”, a produção entregou, no penúltimo dia, aquela figurinha brilhante que ninguém consegue facilmente. Um momento de ternura e emoção em uma trajetória marcada por brigas, palavrões, preconceitos, cancelamentos, incoerências e, nos momentos finais, luto.
O Big Brother Brasil 2026 é, sim, histórico — tanto para quem gosta do formato quanto para quem tenta entender como ele ainda desperta tanta paixão e sucesso quase 25 anos após sua estreia. O ser humano é movido por histórias, personagens e narrativas que são moldadas — e, acredite, o reality show não passa incólume a isso — para mexer com nossos sentimentos. Olhando para os 100 dias do BBB 26 e a sua história, só nos resta desejar sorte ao BBB 27.
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