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Séries e TV
Entrevista

Juliana Rojas: “Porque histórias hétero são universais, mas lésbicas são nicho?”

Diretora, roteiristas e estrela de Amora explicam importância da série do Canal Brasil

Omelete
4 min de leitura
08.10.2026, às 09H00.
Ana Hikari e Bruna Linzmeyer em Amora (Reprodução)

Créditos da imagem: Ana Hikari e Bruna Linzmeyer em Amora (Reprodução)

O ano é 2026 e, por algum motivo, Amora é a primeira série brasileira totalmente dedicada a histórias de amor sáficas. O ineditismo do anúncio da produção do Canal Brasil, que teve sua pré-estreia ontem (7) no Festival do Rio 2026, desvela um preconceito que ainda existe – senão entre o público, com certeza entre os tomadores de decisão da indústria.

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Amora adapta o livro de Natália Borges Polesso, um marco na literatura LGBTQIAPN+ brasileira, através de um formato de antologia: quatro episódios, quatro histórias de mulheres que se amam na mesma cidadezinha ficcional que batiza o projeto. No primeiro, exibido no Festival, Bruna Linzmeyer e Ana Hikari vivem um casal prestes a ter filho, que precisa encarar uma reunião de família inesperada.

É uma série agridoce em tom, mas também no pioneirismo de sua criação – por que não temos mais Amora’s por aí? Foi o que o Omelete perguntou à diretora Juliana Rojas, às roteiristas Julia Anquier e Thais Guisasola, e à estrela Linzmeyer, durante a pré-estreia no Rio de Janeiro. Confira!

OMELETE: Quando essa série foi anunciada como “a primeira totalmente focada em amor entre mulheres no Brasil", fiquei chocado. Eu acho que quando esses anúncios vêm, cai a ficha de que ainda é a exceção esse tipo de projeto – por que você acha que essa resistência ainda existe, e o que fazer para empurrar isso para a frente?  

ANQUIER: Eu vou te dar um outro choque: nenhum direito LGBTQIA+ é garantido por lei. Todos são decisões do STF. Então depende de quem são os juízes do STF - e aí nada está garantido. Esse é um choque grande. 

GUISASOLA: É muito importante a gente contar histórias que representem todas as pessoas, e acho que a gente tem uma carência muito grande sobre as narrativas sapatão. É um tanto quanto chocante entender que a gente não está nas telas, que a gente não se vê, que a gente não consegue passar por um processo de se entender sapatão a partir de histórias onde a gente possa se reconhecer. Então é realmente chocante o fato de não existir outra série na televisão brasileira que retrate as nossas vivências e as nossas experiências. E por isso se faz tão importante que a nossa série exista, que a gente possa continuar produzindo, e que outras vozes também possam continuar produzindo, porque é fundamental para a nossa existência, para a nossa resistência, para a desmistificação, para o entendimento sobre o que é família, sobre o que é o amor. 

ROJAS: Acho que tem uma resistência porque histórias de amor entre mulheres – histórias LGBT em geral, mas particularmente histórias sáficas, são vistas às vezes como histórias nichadas, né? A gente tende a olhar um certo padrão, que é o padrão heteronormativo, como o universal. Então um romance tipo Uma Linda Mulher é considerado universal, mas se forem duas lindas mulheres… aí é nichado, né? [Risos] E acho que esse é o principal preconceito, né: a gente conseguir ser visto como humanos também, e não como uma categoria. E aí é importante quebrar isso, porque são simplesmente pessoas se amando. Acho que todo mundo consegue se relacionar com isso, né? Esse é o grande desafio: as pessoas entenderem que, mesmo elas não sendo pessoas sáficas, elas podem se identificar. Mesmo que você não seja uma pessoa lésbica, uma pessoa bissexual, vai ter alguém no seu círculo que vai ser, e a gente precisa explorar, batalhar pela nossa humanidade no audiovisual.

LINZMEYER: Eu acho que Amora vem ocupar uma lacuna de mercado imensa. Eu acho que é muito inteligente e muito estratégico das produtoras, de quem está fazendo essa série acontecer, porque existe uma comunidade, um grupo de pessoas muito sedento para assistir a uma série como essa. Então eu acho que as pessoas estão comendo bola, e eu acho que vai ser um grande sucesso – porque eu mesma, como espectadora, tem anos que espero assistir a uma série como essa.

*Amora estreia no primeiro semestre de 2027 no Canal Brasil.

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