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Amor e Sorte | Conheça a série da Globo sobre relacionamentos durante a pandemia

Episódios foram produzidos pelos atores em suas próprias casas

Henrique Haddefinir
08.09.2020
19h00
Atualizada em
04.09.2020
12h56
Atualizada em 04.09.2020 às 12h56

A cultura e a arte têm sido o grande bálsamo do público nesses tempos de pandemia e algumas produções que estão por vir já revelam como esses tempos afetaram os processos criativos da nossa televisão. Nesta (8) a Globo estreia logo depois da novela das 21 horas uma nova série antológica, em quatro episódios, que foi idealizada e produzida levando em consideração exatamente todo esse cenário. Amor e Sorte tem histórias independentes uma da outra, mas o tema para cada uma delas é o mesmo: como a pandemia afeta relacionamentos românticos e familiares.

A ideia partiu do diretor Jorge Furtado, que pensou em atores que estivessem juntos e pudessem manipular eles mesmos os equipamentos de filmagem: “Eu fiz uma lista mental de atores que estivessem quarentenados juntos. Cada roteirista tinha liberdade para planejar sua história, mas os relacionamentos entre casais serviram como uma espécie de base”. Isso acabou se confirmando na maneira como os episódios foram se distribuindo. Lázaro Ramos e Tais Araújo; Caio Blat e Luisa Arraes; Emílio Dantas e Fabíula Nascimento são os três casais que ilustram como as relações românticas foram afetadas pela pandemia em seus diferentes estágios. Fernanda Montenegro e Fernanda Torres apresentam uma outra perspectiva.

Os episódios foram distribuídos assim:

  • “Linha de Raciocínio”: Estrelado por Taís Araújo e Lázaro Ramos. Os dois vivem um casal que causa uma grande turbulência matrimonial por conta de divergências que são pioradas pelo isolamento.
  • “A Beleza Salvará”: Estrelado por Luisa Arraes e Caio Blat, fala de um relacionamento que começa junto com a pandemia.
  • "Territórios”: Emílio Dantas e Fabíula Nascimento vivem um casal que está se separando quando a pandemia se instaura.
  • “Gilda e Lúcia”: Estrelado por Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, esse é o episódio que sai fora da curva romântica, com mãe e filha que se distanciaram por questões ideológicas e foram obrigadas a se reunir na pandemia.

A direção dos episódios ficou a cargo de Andrucha Waddington e Patrícia Pedrosa. Andrucha pôde dirigir o episódio de Fernanda Torres e Fernanda Montenegro presencialmente (ele é casado com Torres), mas Patrícia Pedrosa, por exemplo, fez todo o trabalho com os atores remotamente: “Tudo foi filmado de maneira 100% remota, mas a qualidade é de como se não tivesse sido feito em casa”. Taís Araújo e Lázaro Ramos contam que precisaram acompanhar atentamente as instruções dos técnicos e que assistiram até a tutoriais no YouTube na hora de lidar com os equipamentos. O episódio deles foi escrito por Alexandre Machado, que resumiu bem a que se refere seu trabalho na criação desse episódio: “Quando a gente começa a fazer piada é porque está começando a curar o trauma”.

Na outra ponta, o episódio protagonizado por Fernanda Torres e Fernanda Montenegro se aproxima do drama que é ser obrigado a dividir seu espaço com alguém que você ama, mas que não entende. “A mãe dessa mulher que eu interpreto foi jovem na década de 60, 70, ela tem um pensamento esquerdista, naturalizado. A filha é sistemática e às vezes é ela quem parece a mãe. Uma desconhece o mundo da outra”, disse Fernanda Torres. O ponto crítico está justamente no momento em que elas são obrigadas ao encontro. “A pandemia é o acaso que coloca essas mulheres juntas”, completou Andrucha.

Essa “dramaturgia da pandemia” (como bem ilustrou Jorge Furtado) foi recebida pelos atores como uma descoberta de novas habilidades. Os casais que compõem a maioria dos episódios precisaram aprender a lidar não só com o criativo, mas com o técnico. O mesmo aconteceu no episódio das Fernandas, com a diferença de que com a família confinada em um sítio, filhos e netos acabaram participando ativamente de todo o processo.

Quando perguntadas sobre como foi atuar dentro da própria casa (um espaço que representa um limite de neutralidade para atores) as Fernandas contaram mais uma curiosidade: “Tivemos sorte porque no sítio há uma casinha além da casa principal, onde os jovens costumavam ficar longe dos adultos. A gente usou aquela casa como cenário para as personagens e isso ajudou muito a separar as coisas”, disse Fernanda Torres. A mãe completou logo em seguida: “Quando o dia de trabalho acabava era só dar uma pequena caminhada até a outra casa. Mas, isso não foi notado. Instintivamente nós acabamos separando as coisas”.

Amor e Sorte estreia dia 8 e terá seus episódios exibidos todas as terças. O primeiro episódio será justamente Gilda e Lúcia, estrelado por Torres e Montenegro. A previsão é que os próximos sejam os de Taís e Lázaro; Emílio e Fabiula; e fechando a temporada Caio e Luisa.