American Horror Story

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Episódio 100 de American Horror Story não foi nada daquilo que os fãs esperavam

Ryan Murphy toma decisões ousadas para a história de 1984, mas frustra os fãs que esperavam por mais conexões

Henrique Haddefinir
25.10.2019
19h06

Para qualquer série alcançar a marca de 100 episódios é um feito considerável e que merece celebrações. Geralmente, essas marcas centenárias ganham episódios especiais... Glee comemorou 500 números musicais, Grey’s Anatomy comemorou 300 semanas, esse tipo de marca é uma ótima desculpa dos realizadores para fazer manobras criativas inesperadas ou adicionar elementos de momentos passados para cativar fãs. Considerando que American Horror Story tem temporadas entre os 12 e os 10 episódios, era de se esperar que a marca dos 100, depois de nove ciclos, fosse resultar em viradas rocambolescas. Mas, ao que parece, a ideia de Murphy foi um pouquinho diferente.

A direção escolhida foi a de não afetar a narrativa de 1984 com a obrigação de comemorar a ocasião. Em se tratando de Murphy, o compromisso com a coerência de seus núcleos é louvável, só acabou reverberando numa frustração inevitável que deu ao episódio 100 (que se chama assim mesmo) um gosto um pouco amargo. Nada de Sarah Paulson espreitando numa cena ou Evan Peters batendo à porta para vender uns biscoitinhos. Com exceção de algumas poucas referências e sutilezas inseridas no episódio, ele foi apenas mais uma hora regular, com bom avanço dramatúrgico, mas só isso. É importante estabelecer que não termos uma comemoração não significa que o episódio foi ruim. AHS 1984 sabe muito bem onde quer chegar.

Deathstoock

Não se pode dizer que 1984 não tenha oferecido algumas surpresas... Em retrospectiva, não parecia que a presença do serial killer Richard Ramirez (Zach Villa) fosse ser tão importante. Também parecia que a mitologia dos fantasmas presos seria um carro-chefe dos episódios seguintes, mas não será exatamente assim. Nosso anseio de ver a história da série dando as caras teve que se contentar com pequenos detalhes, como o sanatório de Briarcliff (de Asylum) sendo citado, como a presença de Leslie Jordan (de Coven) ou mesmo com referências indiretas, como Emma Roberts morrendo e ressuscitando, numa provocação com a quantidade de vezes em que ela passou por isso quando vivia Madison Montgomery.

A história de Mr. Jingles, no entanto, repetiu o clichê do pecador que interpreta a vida como se ela não pudesse livrá-lo do pecado. É um recurso repetitivo e previsível, resolvido no último instante e que acaba impedido John Carroll Lynch de dar mais camadas ao próprio trabalho. Ele, que já esteve em Freak Show e Hotel, teve agora sua primeira grande oportunidade de revelar mais do que uma expressão de assassino. Sabemos que o enredo se prepara para a convergência dos personagens no festival de música, mas teria sido melhor entregar Jingles à própria transformação, já que os mortos do acampamento representam um perigo muito maior que ele.

Leslie Grossman vive, definitivamente, uma vilã ainda pior que Ramirez. Uma das surpresas do episódio ficou por conta do avanço no tempo, com saltos até 1985 e, depois, em 1989. Margaret apareceu como uma milionária que usava o negócio dos locais associados a crimes como fonte de renda, explorando o medo e a curiosidade. Murphy sempre teve uma atração imensa por histórias violentas, enquanto, ao mesmo tempo, sempre as equilibrou com seu senso de otimismo. Ele está explorando histórias violentas, mas coloca numa personagem como Margaret a crítica contra esse filão do entretenimento. O festival provavelmente será o centro dos episódios finais; e considerando sua grandiosidade, podemos estar diante do maior massacre da história da série. Se aquela gente toda morrer no terreno do acampamento, o que isso não pode provocar em termos de mitologia?

Não foi um episódio como esperado, não tivemos aparições marcantes e nem retornos a antigos cenários explorados pela produção. Mas, foi um episódio que manteve o fluxo da narrativa, respeitando a estrutura planejada para 1984. Apesar da frustração, foi uma prova de amadurecimento. De certo, não vale tudo em nome do fan service.