A Casa do Dragão | Assim como Criston Cole, 5º episódio não chega a lugar algum
Trama modorrenta anda em círculos, sem acrescentar nada de novo até os últimos minutos
[O texto abaixo contém spoilers do quinto episódio da 3ª temporada de A Casa do Dragão]
O que mais temíamos aconteceu: A Casa do Dragão entregou, com o quinto episódio da terceira temporada, um capítulo que lembra os piores momentos do ano anterior. Andando em círculos e repetindo situações, a história - que parecia ter encontrado o caminho certo para montar esse tabuleiro de guerras e traições - volta a não ter o que dizer que justifique o alongamento da trama.
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É interessante perceber que esse freio e a consequente queda de interesse estão ligados diretamente à maior presença de Criston Cole (Fabien Frankel), personagem que andava sumido nas últimas semanas. O cavaleiro já vem sobrando há muito tempo em A Casa do Dragão, e nesta terceira temporada parece ainda mais deslocado. Com pouquíssimos minutos no primeiro capítulo, um relance no segundo, ausência no terceiro e um momento “foi até Harrenhal e voltou” no quarto, agora ele aparece guiando seus homens para uma missão que ninguém - nem os soldados, nem o público - entende.
O início do episódio é até interessante, com Cole fazendo o que havia prometido: agindo nas sombras e matando seus adversários na calada da noite. Entretanto, a roteirista Phillipa Goslet e a diretora Nina Lopez-Corrado parecem querer fazer de Cole uma espécie de Walter Kurtz, de Apocalypse Now, remoendo seu papel na guerra e no mundo, mas com zero profundidade. Frankel já mostrou que consegue entregar bons momentos dramáticos na série, mas Cole é, entre os principais, o personagem mais mal desenvolvido ao longo de todas as temporadas de A Casa do Dragão. A sensação é de que ele está fazendo hora extra em Westeros.
Quem ganha um de seus melhores momentos na série até aqui é Larys Strong (Matthew Needham), que segue tendo que lidar com os rompantes de humor e com a falta de entendimento do mundo à volta de Aegon Targaryen (Tom Glynn-Carney). O jovem rei toma uma lição de moral daquelas de seu acompanhante, que deixa claro que Aegon desperdiçou a oportunidade pela qual todos estão guerreando em Westeros por ser um completo mimado, que coloca a culpa em todos, menos em si próprio. É um momento importante de virada para o possível futuro do personagem na série, especialmente após a chegada surpresa de Tyland Lannister (Jefferson Hall), que parecia ter morrido na Batalha da Goela. Com a volta do aliado, a dupla agora tem uma saída: Casterly Rock, o lar da família Lannister.
Terror em Porto Real
As coisas em Porto Real não andam bem para nenhum lado. Rhaenyra Targaryen (Emma D'Arcy) segue cada vez mais isolada dentro de seu próprio reinado e conselho. Sem voz para dar ordens e pensando mais na vingança do que em ganhar o reino de vez, a Targaryen tem mais um embate com Daemon (Matt Smith). O rei consorte quer descobrir quem está assassinando os membros da Guarda da Cidade, enquanto a regente quer que ele vá atrás de Aemond (Ewan Mitchell) e da dragão Vhagar. Ele diz que precisa proteger seus homens e deixa Rhaenyra falando sozinha. A rainha ainda sofre por não conseguir se aproximar de Joffrey, seu filho que finalmente chegou ao castelo. O medo dela em chegar perto do filho e amaldiçoá-lo com seus dramas, assim como aconteceu com Jace (Harry Collett) e Luke (Elliot Grihault), a atormenta ainda mais.
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O plano de terror na cidade é parte da trama de Ormund Hightower (James Norton) para colocar Daeron Targaryen (Benjamin Evan Ainsworth) como o rei de uma vez por todas. Ele, inclusive, já proclama o primo de segundo grau como o legítimo regente e manda cunhar moedas de ouro com o rosto do jovem. Vale o destaque para James Norton, que vem entregando um grande antagonista na pele de Ormund. O jogo de xadrez entre o Hightower e Daeron termina com o jovem vencendo e, apavorado com a reação do seu “padrasto”, pedindo desculpas pelo xeque-mate. Ormund tem um acesso de raiva e, quando achamos que ele vai bater no rapaz, apenas diz que ele nunca precisa se desculpar por suas vitórias, dando mais uma lição de como Daeron deve se comportar no trono.
A investigação de Daemon acaba levando-o a descobrir o plano de Ormund e a existência de infiltrados na cidade que estão agindo contra o reinado de Rhaenyra. Com os Mantos Dourados caçando os traidores, Daemon acaba sofrendo uma de suas maiores derrotas. Ele encontra um grupo inteiro morto violentamente, com os corpos colocados em uma mesa como uma grande ceia e uma mensagem escrita na parede chamando o cenário de “Banquete dos Traidores”. Cada vez mais, Daemon e Rhaenyra perdem força em seu novo reinado.
Aemond finalmente apareceu
Longe dali, Baela (Bethany Antonia) e Addam (Clinton Liberty) seguem procurando Vhagar e Aemond. Eles encontram rastros do dragão, mas nenhum sinal deles. A filha de Daemon se mostra incomodada com a situação após a Batalha da Goela e com a forma como, ao tentar ser a heroína do dia, acabou se sentindo - e sendo vista - como uma das responsáveis pela morte de Jacaerys.
Em Harrenhal, os homens continuam procurando Aemond, e Alys Rivers (Gayle Rankin) os espanta dali com as lendas e “terrores” do castelo. O filho de Alicent (Olivia Cooke) finalmente acorda, e Alys conta que Vhagar foi embora dali. Ele a questiona se é um prisioneiro e diz que não é nada sem seu dragão. Alys relembra Aemond que Porto Real foi tomada e que Rhaenyra declarou Aegon morto pelo irmão.
Quando outros homens tentam invadir Harrenhal escalando as paredes do castelo e ameaçam a vida de Alys, Aemond mostra que está recuperado dos ferimentos e os mata.
Em Porto Real, Alicent tenta lidar com a situação da gravidez de Helaena (Phia Saban), que se nega a abortar a criança, mesmo com a mãe explicando que aquilo pode causar sua morte. Afinal, caso Rhaenyra descubra, não deixará que um novo possível herdeiro ameace seu reinado. O Grande Meistre Orwyle (Kurt Egyiawan) traz um remédio para ajudar, mas a jovem se nega a tomar.
Mysaria (Sonoya Mizuno) descobre a situação e o plano de fuga das duas e diz que precisa contar para Rhaenyra, mas Alicent pede que ela não o faça. A antiga rainha então oferece que a filha e ela sejam poupadas e, em tempo, caso Rhaenyra saia do poder, ela pedirá que a nova aliada seja poupada.
Sem conseguir dar procedimento ao plano, Alicent e Helaena descobrem uma passagem secreta pelas paredes do quarto onde são mantidas. As duas fogem, mas encontram um beco sem saída e acabam, aparentemente, presas dentro das paredes do castelo.
A expectativa é que nos próximos episódios finalmente tenhamos a grande Batalha de Tumbleton, mas, por esta semana, A Casa do Dragão pisa demais no freio e perde a empolgação que vinha construindo com os últimos quatro capítulos. Que não seja uma volta ao que víamos no segundo ano.
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