A Casa do Dragão prepara novas batalhas e destaca Daeron em bom quarto episódio
Novo capítulo dá mais espaço para Ormund Hightower e jornada de Aegon
Era de se esperar que, após três semanas de episódios intensos, A Casa do Dragão finalmente pisasse no freio. Mas, ao contrário dos modorrentos capítulos da segunda temporada, o novo ano parece ter entendido que “não há tempo a perder” quando se fala em guerra, ocupação de territórios e famílias prontas para se atracar a qualquer custo. O grande acerto é a divisão no tempo de tela de cada trama dentro do episódio, o que expande o que conhecemos de Ormund Hightower e, claro, do príncipe Daeron Targaryen, que finalmente dá as caras.
É, de fato, uma melhora significativa como o roteirista David Hancock consegue trabalhar bem os clássicos plots A, B e C dos episódios de TV — e aqui eu ainda acrescentaria um D e E — sem perder o ritmo, acelerando a história com reviravoltas. Um bom exemplo é a ida de Daemon Targaryen (Matt Smith) até o Vale de Arryn. O que começa como uma negociação com Lady Jeyne Arryn logo vira um ótimo reencontro entre pai e filha, quando o marido de Rhaenyra encontra Rhaena (Phoebe Campbell), agora como a montadora do dragão Roubovelha — apontada como a responsável pela morte de Jacaerys no primeiro episódio. É um momento intenso entre os dois, com um bom tom melodramático, e que traz consequências diretas para a relação de Daemon e Rhaenyra, já que ele decide proteger a filha da fúria da rainha.
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O mesmo vale para a jornada de Aegon II Targaryen (Tom Glynn-Carney) e Larys Strong (Matthew Needham). Os dois encontram Sunfyre caído na floresta próximo a Pouso das Gralhas, mas o corpo do dragão já está cercado por pessoas que tentam lucrar com a sua presença. Aegon abraça a criatura e entendemos sua ligação com o animal, que ele afirma ainda estar vivo. Entretanto, não há tempo para sentimentalismos e eles precisam deixar o dragão para trás antes de serem descobertos. Ao chegarem a Pouso das Gralhas, tudo gira em torno do cadáver de Meleys, o dragão de Rhaenys, morto na temporada passada. Como um espólio de batalha, os restos mortais ficaram ali enquanto um povo miserável vive no local, mal tendo o que comer. Para sobreviver, Larys e Aegon precisam trabalhar, e o rei deposto é colocado para limpar fezes e urina. Quando se revolta por não ter o que comer, Aegon é relembrado de que está longe do palácio em Porto Real e precisa se ajoelhar e beijar o sapato do líder local.
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Outro que ganha seus minutos de trama e finalmente sai do lugar é Criston Cole (Fabien Frankel). O cavaleiro vai com sua tropa até Harrenhal, onde encontra a destruição causada por Vhagar, mas nenhum sinal de Aemond Targaryen (Ewan Mitchell). Alys Rivers (Gayle Rankin) mente, dizendo que o caolho não está lá. Ao saber da queda de Porto Real — agora sob o controle de Rhaenyra —, Cole decide ir para a guerra e atacar mesmo sem o suporte do dragão de Aemond. Gwayne Hightower (Freddie Fox) se mostra contra e diz que eles deveriam pedir ajuda ao primo Ormund, mas Sor Criston afirma que não há lugar para hesitações no mundo, a não ser cumprir seu papel, e que eles atacarão os exércitos das Terras dos Rios como um “escorpião faz com o boi”: na calada da noite.
Rhaenyra é chamada de Rainha dos Bastardos
Em Porto Real, Rhaenyra Targaryen (Emma D'Arcy) ainda tenta entender o que Ormund quis fazer ao enviar um Daeron falso para ela como parte do acordo de paz. A rainha reúne seu conselho, que conta apenas com Mysaria (Sonoya Mizuno) e o Grande Maestre Orwyle (Kurt Egyiawan), a quem ela promete um lugar no governo enquanto ele for leal e continuar trazendo boas ideias. A ausência de Corlys Velaryon (Steve Toussaint) é sentida, e o Serpente Marinha diz para Alyn de Hull (Abubakar Salim) tomar seu lugar no conselho, já que o jovem pode servir melhor a Rhaenyra do que o próprio pai, após a discussão do Velaryon com a rainha no episódio passado.
Entre seus aliados, Rhaenyra também não sente muita segurança. Ela manda Hugh, o Martelo (Kieran Bew) dividir a vigia de Tumbleton com Ulf, o Branco (Tom Bennett), já que Hugh se mostra preocupado com a família que vive no local. Já Ulf vai pedir favores para a rainha em nome de seus amigos da taverna. Sem paciência, Rhaenyra diz que ele não deve mais frequentar o local, já que pode sofrer o ataque de algum inimigo. Ulf se mostra contrariado por não poder usar seus privilégios, mas não contesta a rainha; ele apenas relata que viu pichações de “Rainha dos Bastardos” na região.
Rhaenyra manda que os cavaleiros da Patrulha da Cidade descubram os autores das pichações. Usando de extrema violência, eles invadem casas e agridem moradores até achar um suposto culpado, que nunca confessa o crime. É um golpe duro do novo reinado contra a população, que acaba assustada pela brutalidade dos Mantos Dourados.
Ainda no palácio, Daemon retorna com dez mil moedas de ouro e uma “vingança”: a cabeça do homem que montava Roubovelha no momento da morte de Jacaerys. A “prova”, contudo, é falsa, e o Targaryen a usa para esconder a verdadeira culpada: sua filha Rhaena. A cabeça pertence a um homem qualquer que ele viu cuidando de ovelhas. Rhaenyra se revolta com o assassinato, dizendo que queria ter olhado nos olhos do verdadeiro algoz de seu filho, mas Daemon rebate dizendo que isso não traria paz. A rainha encara o crânio sobre a mesa e, fora da sala, Mysaria deixa claro que sabe que aquele homem era inocente.
Ormund Hightower prepara seu plano contra Rhaenyra
A grande trama do episódio se passa em Tumbleton, a cidade de comerciantes citada no final do episódio passado. O local foi tomado pelas tropas de Ormund Hightower após ele enganar Rhaenyra e Daemon com seu acordo de paz falso. A cidade está ocupada por soldados, que passam a viver nas casas dos moradores, já que o contingente é grande e não há alojamentos para todos.
Entre os locais está a esposa de Hugh, que vive com o irmão. Quando um dos soldados tenta atacá-la, a cunhada e o irmão reagem, e todos terminam levados para um encontro com Ormund e Daeron Targaryen. O comandante condena a atitude do soldado e decreta que ele terá o braço quebrado — tal qual fez com a esposa do morador — além de ser castrado. Ormund manda que um maestre atenda os feridos. A atitude serve para mostrar aos lordes locais uma postura sensata do novo líder e dar uma lição a Daeron sobre a necessidade de se manter o pulso firme para evitar que as tensões aumentem.
A relação dos dois é nitidamente a de mestre e escudeiro. Daeron, embora chamado de príncipe, respeita o primo de segundo grau como seu mentor e a figura paterna que nunca teve. Há um ótimo contraponto em um momento do episódio em que Alicent Hightower (Olivia Cooke) fala sobre o filho para Rhaenyra, comentando que mandá-lo embora para Vilavelha o tornou um jovem melhor, longe das tramas, invejas e conflitos dos irmãos — o que pode ter, inclusive, poupado sua vida, destino bem diferente do que tiveram os outros filhos da rainha viúva.
Entretanto, Ormund mostra sua verdadeira face ao final do episódio, quando encontra Daeron junto ao seu dragão, Tessarion. O comandante externa todo o seu lado religioso voltado à Fé dos Sete e revela como considera os dragões criaturas amaldiçoadas em Westeros. Ele diz que Daeron será o novo rei de Westeros, mas, para isso, precisa ser justo. Os cavaleiros trazem de volta o homem que havia sido atacado no vilarejo, e Ormund ordena que o jovem príncipe o execute. Ao contestar, dizendo que a “misericórdia” também deveria ser a virtude de um rei, Daeron ouve de Ormund que aquelas palavras se assemelham às do falecido Viserys, o que faz o jovem se desculpar. O comandante argumenta que o homem atacou um soldado — que é a extensão do reinado — e que isso não pode ser perdoado.
Até então visto como um jovem atencioso, educado e gentil, Daeron agora precisa sujar as mãos de sangue para seguir o plano maior do primo para o seu futuro governo. Ainda hesitante, ele empunha a espada e mata o homem. Tessarion se aproxima e queima o corpo. Iluminado pelas chamas que ironicamente julga serem do mal, Ormund termina o episódio dizendo: “Agora sim nós podemos começar”.
A guerra está cada vez mais próxima de Tumbleton, e devemos ver um dos momentos mais icônicos do livro Fogo & Sangue muito em breve nas telas.
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