Riverdale

Créditos da imagem: CW/Divulgação

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5 provas de que Riverdale precisa acabar (e dois motivos para continuar)

Quarta temporada demonstra o quanto essa já é uma história absolutamente cansada

Henrique Haddefinir
06.11.2019
15h43
Atualizada em
06.11.2019
16h34
Atualizada em 06.11.2019 às 16h34

Riverdale é uma das séries adolescentes mais bem sucedidas entre o público brasileiro. Criada por Roberto Aguirre-Sacasa a série tem Greg Berlanti na produção-executiva e isso não é pouca coisa. O produtor é responsável por todo o universo DC da televisão, que inclui Supergirl, Arrow, The Flash e por aí vai. Berlanti tem uma carreira sólida no universo adolescente, já foi roteirista de Dawson's Creek, Everwood e recentemente dirigiu o elogiado longa Com Amor, Simon. Era de esperar, então, que Riverdale fosse ser um sucesso, não só por ser adaptada das HQs, mas por que a mistura de elenco jovem, tramas adolescentes e mistérios com pitadas de How to Get Away With Murder parecia uma receita infalível. 

Quatro anos depois, a receita não se demonstrou tão eficiente assim. Riverdale se tornou uma produção popular, mas desprestigiada e repetitiva. Seus fãs ainda desejam uma permanência eterna na grade da CW (e no catálogo da Netflix), mas esse amor incondicional se encontra com evidências dramatúrgicas de que a história luta cada vez mais para continuar sendo contada. Abaixo preparamos uma lista de 5 provas da inconveniente verdade: Riverdale precisa acabar.

1. O High School Nunca Termina

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Nos EUA, os anos do Ensino Médio são três, exatamente como aqui. Esses são, também, anos importantes para as séries de TV, que sabem que durante três temporadas ficarão focadas naquele universo. Após isso, começam os preparativos para a faculdade e a série amadurece com os personagens. O canal CW é especialista em séries adolescentes e seus ensinos médios. Contudo, em Riverdale o ciclo parece que nunca termina. Já são quatro temporadas e eles seguem no High School. Os atores, que por lá já são escalados com idades avançadas por causa das leis trabalhistas, começam com personagens de 16 anos apesar de já ter 20, 25 anos (K.J. Apa tem 22, Lili Reinhart 23, Camila Mendes 25 e Cole Sprouse tem 27 anos, por exemplo). Com o tempo, isso vai ficando mais gritante e o ambiente escolar mais absurdo. O que inclui seus dramas. Como a série tem o mesmo nome da cidade em que se passa, a faculdade representaria a mudança dos personagens de cenário e por isso a ideia de cancelá-la após esse quarto ano parece sensata e correta.

2. Coerência Pra Quê?

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Por ser baseada numa HQ, Riverdale ganhou um tratamento estético mais apurado. Ela foi chamada também de Twin Peaks para adolescentes, dado seu clima sombrio e seus mistérios. Esse é um dos seus pontos mais positivos, sem dúvida nenhuma. Contudo, por ser uma produção adolescente com mais de 20 episódios por temporada, os roteiristas se debatem cada vez mais para manter nosso interesse. Viradas rocambolescas são providenciadas a cada cinco minutos e a coerência é deixava em segundo plano em nome do choque. Coisas como o corpo putrificado de Jason (Trevor Stines) preservado por sua irmã Cheryl (Madelaine Petschsão feitas só para chocar, não considerando a evolução da personagem. Além disso, todos os anos tudo dá muito errado o tempo todo, ninguém tem uma rotina, está todo mundo sempre lutando para salvar alguém, prender alguém, matar alguém... Uma característica de séries de super-heróis, por exemplo. E que saibamos, em Riverdale, ninguém voa ainda.

3. Mistérios

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Séries baseadas em mistérios sempre se colocam numa cilada quando o assunto é um mistério fragmentado. Riverdale começou com o mistério de quem matou Jason, depois de quem era o Black Hood, depois do Rei Gárgula e agora precisamos descobrir o que aconteceu com Jughead (Cole Sprouse). Basicamente, a série se divide entre o “quem é” e o “quem matou”. Todos os anos o mistério começa no mesmo ponto da temporada e termina no mesmo ponto da temporada, revelando uma estrutura cíclica que já tinha arruinado séries como Damages, 24 Horas e até a própria How to get away with Murder. Aos poucos, tudo vai perdendo o foco, a graça, vai ficando previsível e desinteressante. Em uma última temporada seria possível assumir riscos e provocar surpresas de verdade.

4. Musicais em Baixa Rotação

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Eventualmente, séries nesse modelo estrutural antigo fazem alguma coisa para sair da zona de conforto. Riverdale já começou a fazer isso nos seus primeiros anos com um episódio inteiro dedicado ao musical de Carrie. Fizeram de novo no ano seguinte e entreatos, o mundo da música adentrava a ação na figura dos grupos e do protagonismo de Archie. Contudo, a cada momento musical providenciado para impedir o sono, mais sonolentos eles parecem. No episódio seguinte ao tributo para Luke Perry, presenciamos uma apresentação de Veronica (Camila Mendes) ao som de All That Jazz e o resultado não poderia ser mais apático e desinteressante.

5. Os Parentes Estratégicos

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Um bom exemplo de como esse recurso é cansativo está na trajetória de séries como Barrados no Baile e Revenge. Todas as vezes que os roteiristas precisam movimentar a história de formas que não cabem nos personagens regulares, novos personagens surgem. Na maioria das vezes é o pai de alguém, irmão de alguém, ex de alguém; e em muitos casos é um filho perdido ou renegado no passado. Em quase todas as vezes eles só ficam naquela temporada, entram no primeiro, saem último e em muitas vezes morrem. Riverdale não seria diferente... Além de alguns personagens novos como o novo diretor da escola (vivido por Kerr Smith, que trabalhou com o produtor Berlanti em Dawson’s Creek e protagonizou o primeiro beijo gay da televisão americana), que tem o absurdo nome de Mr. Honey; a série também está enrolada em algumas outras ligações familiares que só complicam a fluidez das histórias. Quem era irmão não é, quem não era é. Uma bagunça. 

Porém, para aqueles que mesmo com tudo isso são fãs ardorosos da série, também temos algumas razões pelas quais ainda vale a pena acompanhar a história da cidade:

1. Laços

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Ao mesmo tempo em que a série tem laços afetivos usados de maneira oportunista para garantir sobrevida à produção, está na longa relação entre os personagens o seu maior apelo. O maior exemplo foi o lindo episódio em tributo a Luke Perry, que vivia o pai de Archie (K.J. Apa). Foi muito bonito ver como os roteiristas fugiram da sedução por um novo mistério e entregaram um episódio bem escrito, emocionado, com uma linda participação de Shannen Doherty, com quem Luke contracenou anos em Barrados no Baile. São esses pequenos momentos entre personagens que já acompanhamos há tanto tempo, que valem nosso carinho pelo programa.

2. Audiência?

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Um dos grandes argumentos dos defensores de Riverdale é que “ela é uma série de sucesso”. Em abril desse ano ela registrou sua pior audiência, com menos de um milhão de espectadores por episódio. No episódio inicial da quarta temporada (o do tributo), esse número subiu para um milhão e 100 mil, baixando na semana seguinte para uma audiência pior ainda, menos de 800 mil. Audiência nunca foi um critério para qualidade, mas sempre foi um critério para longevidade. Resta nos perguntarmos se a série tem ou não como melhorar esse quadro.