San Diego Comic-Con 2020

Notícia

Todd McFarlane diz que documentário sobre sua vida e carreira é só o começo

Quadrinista foi entrevistado por Marc Silvestri e J. Scott Campbell

Marcelo Forlani
23.07.2020
20h50

Todd McFarlane é um dos quadrinistas mais conhecidos do mundo. Depois de chamar atenção dos fanboys (e fangirls!) com seu Hulk e destruir tudo ao desenhar Homem-Aranha, o canadense chamou uns amigos e foi criar sua própria editora, a Image Comics, em que os criadores seriam donos dos seus personagens e poderiam fazer o que quisessem com eles. McFarlane desceu os nove círculos do Inferno para contar a história de Al Simons, um agente da CIA que é traído e retorna ao mundo dos vivos como Spawn. E logo depois iniciou a McFarlane Toys, que revolucionou a forma de fazer “bonequinhos”.

Esta biografia resumida vai ser vista em detalhes a partir de domingo, quando o canal estadunidense SyFy estreia o documentário Todd McFarlane: Like Hell I Won’t (que poderia ser livremente traduzido como “Todd McFarlane: O caramba que eu não vou!"). Para promover o programa, o produtor do Mike Avila chamou os quadrinistas Marc Silvestri (Witchblade, The Darkness) e J. Scott Campbell (Danger Girl, Gen 13) para ajudar a entrevistar Todd McFarlane.

O quadrinista começou dizendo que não gosta de se definir como CEO e co-fundador. Ele se vê como um artista e que nesta posição, você está sempre apostando, para ver o que vai pegar ou não. "Eu sou um grande fã de esportes, como vocês sabem, e pergunto a vocês: na NBA, quem é o cara que mais errou arremessos? Kobe Bryant, que está lá no Hall da Fama da NBA. Só erra quem arrisca. E eu gosto de arriscar”, disse. 

Sobre o documentário, que teve um trailer exibido no painel, ele vai mostrar muitas cenas do início de sua carreira até a publicação de Spawn #300, que o levou ao Guiness Book como série de quadrinhos pertencente ao seu criador que está há mais tempo sendo produzida. Mike Avila lembra que perguntou se teria alguém que ele não queria no filme e só um nome foi citado e não é uma pessoa do meio dos quadrinhos. "Não tenho animosidades com ninguém”, disse o entrevistado. 

O trailer mostra que Todd teve mais de 300 cartas de rejeição até conseguir a chance na indústria de quadrinhos. Isso o tornou mais forte e determinado? “Se tivesse sido aceito na segunda carta, ia agarrar esta oportunidade e me esforçar da mesma forma”, bravejou.  

Jeff Scott Campbell entrou na brincadeira de zoar o entrevistado dizendo que tudo o que Todd fez foi desenhar de forma sutil um monte de teias no Homem-Aranha e colocá-lo em poses um pouco diferentes. Depois, com Venom, ele não criou nada, apenas desenhou um Homem-Aranha com dentes grandes. E que ele aprendeu com McFarlane que você não precisa ficar detalhando o tecido de uma capa, você só precisa desenhar triângulos. “Mas, acima de tudo, Todd me ensinou a ser humilde, respeitar hierarquias e a cuidar do meu dinheiro, sem sair por aí gastando em coisas banais”, brincou, em referência aos inúmeros itens da coleção de esportes do criador do Spawn. 

Marc Silvestri, sócio-fundador de McFarlane na Image Comics, lembrou que os dois se conhecem há mais de 30 anos. "Ele é o mesmo cara, não importa se ele está no meio de um monte de fãs de quadrinhos, ou com quadrinhistas em uma sala. Ele é sempre o mesmo. O que não é algo comum. Isso porque ele é o que é”. disse. 

Scott, que conheceu Todd quando já era um quadrinista reconhecido lembrou seu primeiro encontro: “Conversar com Todd é como conversar com um rádio. Ele está sempre falando alguma coisa para você”, zombou. 

O canadense lembrou de uma história do começo da Image Comics, quando eles foram chamados por uma grande agência de Hollywood, que queria assinar com eles e transformar os seus quadrinhos em produtos para cinema, TV, etc. "E eu tinha uma ideia: o que quer que Marc falasse, eu ia falar o contrário, mesmo que eu acreditasse que ele estava certo. Porque eu queria mostrar para a agência que eles não iam conseguir trabalhar com seis criadores ao mesmo tempo e achar que estaríamos todos de acordo com tudo. Todo mundo ali na Image ia querer ser o escolhido para um projeto. Quando estávamos no estacionamento, eles estavam furiosos comigo, mas eu queria mostrar para eles que era melhor termos agências diferentes, que nos valorizassem de forma individual, porque se Spielberg aparecesse procurando um quadrinista genial, todo mundo ia querer ser o escolhido e ia rolar um conflito de interesses ali. Eles me odiaram, mas logo esqueceram isso, porque no mesmo dia eu tinha um encontro com a New Line para falar do filme do Spawn e vários perguntaram se podiam vir junto”, riu McFarlane.  

Sobre a nova produção do seu personagem nos cinemas, McFarlane disse que as coisas continuam acontecendo mesmo agora na pandemia e que em breve ele vai poder falar mais. "Jamie Foxx me mandou uma mensagem ontem falando que 'a energia que estou usando para fazer Tyson eu vou usar com você em Spawn'"

O produtor perguntou por que ele havia decidido abrir as portas da sua vida e mostrar tanta coisa dos bastidores do seu dia a dia? "A resposta sincera? É bom para os negócios”, disse McFarlane. 

Mas o que nem você sabe ainda é que o documentário é apenas a primeira parte de um trabalho que vai ter mais uma ou duas partes. Espero estar saudável o suficiente, mas sei que em vinte anos terei tanta coisa nova para falar, que teremos outras coisas para mostrar. Eu ainda nem dirigi o meu primeiro filme”, desafiou o quadrinista.