Luke Skywalker e Jean-Luc Picard, quem é mais inteligente?

San Diego Comic-Con 2020

Notícia

Quem tem mais inteligência emocional, Luke Skywalker ou Jean-Luc Picard?

San Diego Comic-Con colocou psicólogos para embate entre as duas franquias

Salvador Nogueira (Trek Brasilis)
25.07.2020
11h32

Qual ícone passou pela jornada mais rica, do ponto de vista psicológico, e tem mais inteligência emocional, Luke Skywalker ou Jean-Luc Picard? Este foi o tema central do clássico painel que contrapõe fãs de Star Trek e Star Wars e já foi para sua sexta edição ("episódio VI") nesta San Diego Comic Con.

A brincadeira, claro, é colocar em confronto as duas maiores e mais tradicionais sagas espaciais da cultura pop. Mas, no fim das contas, tudo não passa de uma desculpa para a celebração de ambas, e de como elas podem iluminar os caminhos de seus espectadores no mundo atual.

Moderado por Brian Ward, o painel colocou dois psicólogos gabaritados, o dr. Ali Mattu (da minissérie Explicando a Mente, da Netflix) e a dra. Drea Letamendi (dos podcasts The Arkham Sessions e Lattes with Leia), para defender, respectivamente, os pontos de vista de Star Trek e Star Wars.

Como é costumeiro, cada um deles tinha um fiel escudeiro. Pelo lado de Trek, o escolhido da temporada foi o ator e escritor Todd Stashwick, que chegou a participar de um episódio de Star Trek: Enterprise, e pelo lado de Wars, a escalada foi Jennifer Muro, que escreveu episódios da websérie animada Star Wars Forces of Destiny. Mas com uma pegadinha: em celebração à diversidade, sem aviso prévio, os dois trocaram de time: Muro fez suporte a Mattu no time Trek, e Stashwick migrou para o lado de Letamendi, no time Wars.

Mas e aí, vamos acabar com a enrolação? Quem tem mais inteligência emocional, Luke Skywalker ou Jean-Luc Picard? A conclusão, veja você, é que os dois personagens, apesar de serem bem diferentes, têm mais em comum do que se imaginaria.

"Amo tanto a jornada dos dois", disse Mutta. "Deixarei Luke para o lado de lá, mas, se falarmos de Picard, estamos falando de um indivíduo que vivenciou muitos traumas. Ele foi assimilado pelos borgs, se tornou Locutus, se viu envolvido num ataque que causou a morte de muitos humanos, depois ele perdeu seu irmão, sua cunhada e seu sobrinho, em Jornada nas Estrelas: Generations, e nós vemos ele enfrentar o trauma dos borgs de novo em Jornada nas Estrelas: Primeiro Contato e na série Picard."

"E o que o torna emocionalmente inteligente ao longo de tudo isso é a sua nave, a sua tripulação, é a conselheira Troi, o significado e o propósito de ser um oficial da Frota Estelar. Em Picard, vemos que uma supernova afetou os romulanos, e a Federação decidiu não ajudá-los. E Picard não podia aceitar isso. Ele aí já não tinha o apoio de sua tripulação, e ele se retrai."

Não é difícil pensar que a jornada de Luke Skywalker também não é livre de traumas, como lembra muito bem Letamendi.

"O jovem Luke tinha muitas dúvidas, por que fazer isso, não sei se estou pronto para aquilo... ele ainda tinha de experimentar adversidade. E quando ele o faz, com a perda de seus cuidadores, as ameaças não só a seus amigos, mas ao universo, isso faz ele buscar seu propósito."

Embora ambos cresçam diante das adversidades, os dois personagens também têm um ponto de inflexão marcante que vem na fase final de suas vidas. Ambos, diante de crises sobre as quais eles sentiam enorme responsabilidade, se retraíram. E depois disso precisaram passar por um processo de crescimento para restaurar seu equilíbrio emocional.

"Que sorte que temos, nas duas franquias, uma lição central, de ambos os personagens, que é: aprenda com suas falhas", comentou Mutta. "Luke encontra Yoda em Os Últimos Jedi, e Yoda diz a ele que o maior professor é o fracasso. E Picard reencontra Troi na série Picard, e ela diz para ele, aprenda com tudo isso, cresça com tudo isso."

Jennifer Muro apontou como, apesar dessas trajetórias semelhantes, a visão dos personagens é bem diferente. "Eu fico pensando sempre no jovem Luke e no velho Picard", disse. "Picard sempre foi um diplomata, sempre empata, sempre capaz de ver os dois lados, e isso é ser emocionalmente inteligente. Mas, para além do episódio "Tapestry", não vemos muito da juventude de Picard. Com Picard, a gente vê ele olhando para trás, as escolhas que ele fez. Luke é o oposto, nós vimos o jovem e depois pulamos para o velho. E é interessante essa inversão. Eles são diferentes, mas ambos interessantes."

E acaba que tudo se resume à necessidade de buscar "o equilíbrio da Força", destacou Stashwick.

Sempre buscando temas controversos e ricos como pontos de comparação entre as duas franquias, o debate também explorou as diferenças e semelhanças entre mandalorianos e klingons, o contraste entre duas personagens femininas fortes que acabaram sendo muito criticadas por parte do público, Rey e Michael Burnham, e um embate entre as duas trilogias capitaneadas por J.J. Abrams, a de Star Trek iniciada em 2009 e a de Star Wars, começada em 2015.

Conferir abaixo o painel completo.

 

Salvador Nogueira é jornalista e editor da Coleção Trek Brasilis, série de livros-reportagem que abordam os mais variados aspectos da saga de Star Trek.