Charlie Watts em apresentação pelos Rolling Stones (Divulgação)

Créditos da imagem: Divulgação

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Charlie Watts, lendário baterista dos Rolling Stones, morre aos 80 anos

Informação foi confirmada pelos representantes do músico; causa da morte não foi revelada

Eduardo Pereira
24.08.2021
13h46
Atualizada em
24.08.2021
17h58
Atualizada em 24.08.2021 às 17h58

Charlie Watts, o lendário baterista da icônica banda britânica The Rolling Stones, morreu aos 80 anos de idade. A informação foi confirmada pelos representantes do músico à PA Media e à Variety. A causa da morte não foi informada. Famoso por seu talento e habilidade na manipulação sonora das peles da bateria, Watts foi um dos grandes responsáveis pela mescla de blues e jazz que marcou a evolução do som da banda liderada por Mick Jagger ao longo dos anos.

No início do mês, o baterista se retirou da turnê norte-americana da banda, prevista para acontecer no final deste ano, depois de ser submetido a uma cirurgia não especificada. Segundo declaração de seu agente feita à época, "Charlie fez uma cirurgia que foi completamente bem-sucedida, mas acredito que os médicos concluíram, nesta semana, que ele precisa de mais um tempo para descansar". Para assumir as baquetas do lendário músico, o própro teria selecionado Steve Jordan, parceiro do guitarrista Keith Richards no projeto paralelo The X-Pensive Winos, segundo comunicado oficial da banda.

No Instagram, o perfil oficial dos Rolling Stones publicou uma foto de Watts acompanhada do comunicado oficial de seus representantes. O texto informa que o músico "partiu pacificamente em um hospital de Londres, rodeado de familiares". Além de ressaltar a vida do artista como "amado marido, pai e avô", o documento relembra seu status como "um dos maiores bateristas de todos os tempos" e pede que a "privacidade de sua família, companheiros de banda e amigos próximos seja respeitada".

Em 62 anos de carreira, Watts se manteve admiravelmente ativo e central ao trabalho dos Rolling Stones mesmo frente a uma batalha contra o abuso de drogas, nos anos 1980, e a vitória na luta contra um câncer de garganta, em 2004. Universalmente reconhecido como um dos maiores a já se sentarem em um kit de bateria, Watts foi a essência do trabalho instrumental da banda ao lado de Richards, que frequentemente se apresentava de costas para o público para acompanhar o trabalho do colega na percussão.

Longe da teatralidade de performers vigorosos e virtuosos, Watts se fez notório pelo senso de ritmo e cadência precisos, bem como pela disposição física ímpar que o permitiu se apresentar por mais de duas horas em estádios lotados até os 78 anos. Sua última apresentação ao vivo com os Stones aconteceu em Miami, nos Estados Unidos, em 30 de agosto de 2019. Em abril de 2020, o baterista fez sua última exibição com os colegas na transmissão ao vivo do show One World Together, promovida no início do isolamento social contra a pandemia da covid-19.

ORIGENS NO JAZZ

Nascido em 2 de junho de 1941 em Londres, Watts passou a se interessar por Jazz graças à admiração pelo pianista Jelly Roll Morton e saxofonista Charlie Parker. Foi na bateria, entretanto, que ele se encontrou, abandonando a carreira de publicitário quando cruzou caminho com o restante dos Stones em meio à efervescência da cena musical trad de Londes nos anos 1960. Ele era a peça que faltava ao ról inicial de músicos da banda, com quem permaneceu por mais de 50 years.

Em entrevista repercutida pela Variety, Watts admitiu que "foi com Brian, Mick e Keith que eu realmente aprendi sobre R&B. Eu não sabia coisa alguma sobre isso. Blues para mim era Charlie Parker ou Johnny Dodds tocando lentamente". Autodidata, Watts passou a estudar sozinho ouvindo performances de bateristas como Earl Phillips e Fred Below, ícones dos anos 1950, a ponto de ser celebrado pela mescla de estilos que ditavam o ritmo do som dos Stones.

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