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Rock in Rio 2011 | Diário do primeiro dia, com Katy Perry, Elton John e Rihanna

Noite pop inaugura o festival, com alguns atrasos e grandes hits

Carina Toledo
24.09.2011
10h54
Atualizada em
29.06.2018
02h45
Atualizada em 29.06.2018 às 02h45

Começou o Rock in Rio 2011, um dos festivais mais aguardados do ano, que causou algumas polêmicas já nos primeiros anúncios de line-up, por sua programação eclética.

Rock in Rio 2011

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Depois de um voo altamente turbulento e muito, mas muito trânsito no Rio de Janeiro, a equipe Omelete finalmente chegou à Cidade do Rock, e a festa já estava a todo vapor.

Titãs e Paralamas do Sucesso abriram as atividades do Palco Mundo, acompanhados da Orquestra Sinfônica Brasileira. Pegamos este show já na metade, em "Loirinha Bombril", com participação especial de Maria Gadú assumindo os vocais.

Em seguida, foi a vez de Sérgio Britto fazer um apelo sentimental, pedindo à plateia que cantasse a próxima música como uma oração. A dica foi suficiente para que todos adivinhassem seu título: "Epitáfio", aquela música cheia de mensagem e meio brega, mas com potencial de fazer mulheres chorarem em dias de TPM.

Logo depois, as canções de protesto (um tanto engessadas, mais de 20 anos depois): "Homem Primata", para animar a multidão, e "Polícia", em ritmo de punk rock, resgatando as origens do Titãs. Seguindo nos arranjos mais rápidos, "Meu Erro" foi tocada de maneira mais acelerada que o habitual, escolha apropriada para um show com tantas pessoas no palco.

A profusão de músicos, aliás, serviu como vantagem e desvantagem no show. Ao mesmo tempo em que tornava a apresentação grandiosa, deixou alguns músicos aparentemente sem função. Paulo Miklos, por exemplo, parecia meio perdido em alguns momentos. A orquestra também pareceu desperdiçada naquele show de pop rock, com instrumentação pouco audível, exceto por alguns momentos, como um solo de violino no final de "Meu Erro". Para finalizar, a fúnebre e bonita "Flores", trocando os vocais de Sérgio Britto pela voz de Branco Mello.

Com muito axé...

Claudia Leitte foi a segunda atração do palco principal. A ex-Babado Novo começou seu show mostrando que sabe sambar, com uma batucada tradicional. Deixando de lado a discussão "o que uma cantor de axé está fazendo no Rock in Rio", é preciso admitir que o carnaval de Salvador é uma grande escola de performance, presença de palco e fôlego para dançar, pular e cantar, tudo ao mesmo tempo (habilidade que várias cantoras do pop, cheias de hits, não dominam).

Além da presença, a cantora mostrou força com sua cenografia, telão e iluminação. Teve até um jato de fogo - e quem esperava pirotecnia em show de axé? Preocupada em envolver a plateia, Claudia Leitte usou todos os cantos do palco, e comandou movimentos com voz de aeromoça, antes de liberar a folia em "Caranguejo".

Tivemos ainda covers de "Manguetown", de Chico Science & Nação Zumbi, "Taj Mahal", de Jor Ben Jor, "Vale Tudo" e "O Descobridor dos Sete Mares", de Tim Maia, "Telegrama", de Zeca Baleiro, e espaço ainda para "Locomotion Batucada", o single non-sense feito para lançá-la no exterior, e "Samba", sua colaboração com Ricky Martin.

Que guarda-roupa!

Os brasileiros esquentaram a plateia, mas a vez era mesmo dos gringos. Katy Perry abriu seu show com "Teenage Dream", em um palco com cenário altamente colorido, cheio de balões e decoração de doces. Nas duas primeiras músicas, a cantora mostrou seu nervosismo, com tremor aparente na voz.

Aos poucos, ganhou confiança com as reações positivas do público, que vibrou já nos primeiros acordes de "Peacock", em que Perry trocou seu vestidinho azul rodado por um colante com rabo de penas. Para combinar, suas dançarinas tinham leques de penas, amplamente usados na coreografia, ora formando uma cauda de pavão para a cantora, ora a circulando, como pássaros. As sugestões sexuais da letra da canção também marcaram presença na performance, já que a dança tinha um certo movimento de cabeça que, ao lado do microfone, insinuava o sexo oral. Ao final da música, foi afirmada a sugestão, quando Katy Perry descansou o microfone entre as pernas.

"I Kissed a Girl" foi o momento do mise-en-scène, que começou quando a cantora disse que estava se sentindo muito solitária e queria um moço da plateia para lhe fazer companhia - e o que tirasse a camisa primeiro seria o ganhador. Assim, lá foi "Júlio de Sorocaba" para o palco. Entre diálogos e beijinhos no rosto, Júlio virou um fenômeno instantâneo, ganhando mais de 20 mil seguidores no Twitter em poucos minutos, da mesma maneira que aconteceu com Katilce, no show do U2 de 2006. Mas não demorou para que Katy Perry expulsasse do palco seu novo namoradinho, para entoar o refrão "eu beijei uma garota e gostei", mas com arranjo diferente, de balada de rock, com direito a um longo solo de guitarra e de piano, momento estratégico para uma troca de figurino.

As roupas, aliás, foram destaque no show de Katy Perry, com praticamente um visual diferente para cada música. E tudo isso veio amarrado com o conceito das canções. "Hot N' Cold", por exemplo, fala de um garoto que muda de ideia mais que uma mulher troca de roupa e só nesta performance foram seis vestidos, quase um número de ilusionismo.

Katy Perry mostrou-se esforçada e espontânea, conversou com o público diversas vezes, desceu até a plateia e ameaçou um mosh. Não usou playback e cantou todas as músicas, mas desafinou diversas vezes e mostrou sinais nítidos de cansaço. Era mais fácil alcançar as notas altas, aos berros, do que cantar com suavidade e afinação.

"E.T.", "Last Friday Night" e "Firework" também estiveram entre os hits da noite. Para encerrar o show, foi escolhida a animada "California Gurls", finalizada com um empolgado "Obrigado!".

Sentado no piano

A quarta apresentação da noite ficou com Elton John, que entrou no palco com 40 minutos de atraso. Sentou ao piano e abriu seu show com "Saturday Night's Alright" e já engatou "I'm Still Standing" . Só depois da segunda música é que deu boa noite à plateia.

Depois de um show agitado e provocante como o de Katy Perry, o veterano trouxe uma atmosfera totalmente diferente, mais séria e parada, mas ainda cheia canções conhecidas para o público cantar junto. O palco foi organizado ao redor do piano de cauda de Elton John, com a banda disposta ao seu redor. Era uma estrutura modesta, sem cenário, apenas projeções e iluminação.

Considerado um dos maiores pianistas do pop, John fez todo o show sentado ao instrumento, mais um fator para causar estranhamento na plateia, depois de serem comandados por vocalistas e de tanto pular nas duas apresentações anteriores. "Tiny Dancer", uma de suas músicas mais conhecidas (um pouco graças ao filme Quase Famosos) animou o público e teve até um invasor no palco, que rapidamente foi levado embora pelos seguranças.

Quase todas as músicas ganharam longos interlúdios instrumentais, comandados por Elton John e seu piano, que resgatava as origens do rock'n'roll, com toques leves de blues. O público fez coro em "Goodbye Yellow Brick Road", "Rocket Man", " Don't Let The Sun Go Down On Me", "Skyline Pigeon" e "Benny and the Jets", momento de total virtuose no piano, com direito a caras e bocas do cantor.

"Hey Ahab" foi uma das canções mais agitadas e dançantes, logo seguida de "Honky Cat", também com enorme interlúdio instrumental. Para encerrar o show, John fez a plateia pular em "The Bitch is Back" e "Crocodile Rock", em que todos cantaram em uníssono o divertido "shalalalala shalalalala".

Elton John encerrou seu show em grande estilo e conseguiu fazer a plateia se divertir, mesmo com uma dinâmica diferente das anteriores. Ainda assim, mal a banda deixou o palco e o público (mal-educado) já estava gritando por Rihanna. Ficou a impressão de que seria incrível assistir àquele show em um teatro, com poltronas e um ambiente mais intimista.

Ah os backing vocals...

Para encerrar o primeiro dia de festival, a cantora de Barbados entrou no palco com quase duas horas de atraso em relação ao horário previsto, acúmulo dos pequenas demoras desde o show de Katy Perry. Começou com "Only Girl (In the World)" e emendou "Disturbia". Antes da terceira música, no entanto, já parou para beber água, mas a plateia parecia não se importar e mostrou empolgação em "Shut Up and Drive", assumindo o refrão.

Em seguida veio "Man Down", que rendeu sua melhor performance como vocalista, e "S&M", que se desdobrou em "Raining Man", um playback acompanhado de projeções militaristas e uma performance dos dançarinos. A cantora retorna ao palco em cima de um tanque militar cor de rosa, e canta o final da música.

A apresentação foi cheia de hits, como "Rude Boy" e a dançante "Please Don't Stop the Music", que finalizou o show antes que ela entrasse para um rápido bis, com "Love The Way You Lie" e "Umbrella".

Assim como no show de São Paulo, ficou a impressão de que Rihanna é um pouco preguiçosa, deixando de cantar para apenas dançar livremente pelo palco (seu show quase não tinha coreografia). Suas backing vocals é que ficaram com a tarefa de cantar as músicas inteiras. O interessante é que ela tem muita presença e energia para empolgar o público, mas insiste em não se apossar do papel de vocalista.

Já eram 4h quando Rihanna deixou o Palco Mundo e nos preparamos para encarar a saída da Cidade do Rock e o trânsito de volta ao hotel. E ainda temos mais seis dias de Rock in Rio pela frente! Fique de olho aqui no Omelete e em nosso Twitter, para saber tudo que está acontecendo por lá.

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