Rock in Rio 2011 | Diário - Dia 3: Metallica, Slipknot, Motörhead e Coheed and Cambria

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Rock in Rio 2011 | Diário - Dia 3: Metallica, Slipknot, Motörhead e Coheed and Cambria

Dia Metal fecha primeiro final de semana de festival com show performático do Slipknot e clássicos do Metallica

Carina Toledo
26.09.2011
18h44
Atualizada em
29.06.2018
02h45
Atualizada em 29.06.2018 às 02h45

O terceiro dia do Rock in Rio 2011 foi muito diferente dos dois anteriores, e isso já era perceptível assim que entramos na Cidade do Rock, que a tarde já estava totalmente lotada.

Não sei se eram as camisetas pretas que faziam volume, ou se, como disse um Omelenauta com quem conversei, é porque "o metal une", mas o fato é que todos os cantos da arena estavam cheios: Palco Sunset, Palco Mundo, Rockstreet, áreas de alimentação e até as plataformas para deficientes físicos estavam bombando.

Sem dúvida o domingo, 25 de setembro, trazia o line-up mais coerente de todo o evento, sem ancorar-se tanto em um só headliner, mas escalando várias bandas de público fiel.

Chegamos antes de começar o terceiro show do Palco Sunset, que uniu Angra e Tarja Turunen, seguindo a proposta de encontros musicais. Apesar de terem atraído para o palco secundário uma plateia enorme, digna de Palco Mundo, o vocalista Eduardo Falaschi reconheceu a importância de estarem ali, tocando ao lado de bandas amigas, mesmo que de estilos diferentes.

Os brasileiros abriram o show com "Arising Thunder", seguida de "Angels Cry", com seu refrão fácil, e "Nothing to Say", ambas fazendo o público delirar. A ex-vocalista do Nightwish entrou quase na metade do show, para cantar "Spread Your Fire". Em seguida, Falaschi anunciou que tocariam uma música que o Angra já não tocava há 15 anos, "Wuthering Heights" (de Kate Bush, mas gravada por eles) e não havia ninguém melhor para os vocais que Tarja Turunen. Depois de errar a introdução, a cantora recebeu o apoio da plateia, arriscou algmas palavras em português, e começou de novo.

"Phantom of the Opera" foi com certeza um dos auges do show, que deixou o público mais extasiado. Depois desta canção, Tarja Turunen se despediu e deixou o Angra finalizar o show, com "Rebirth", "Carry On", "Nova Era", chegando finalmente à última música, "Gate XIII".

Drama no metal

O Sepultura e o grupo francês de percussão Tambours du Bronx encerraram as apresentações do palco secundário, depois de mais de uma hora de atraso, causado por problemas técnicos no som, e muitas vaias da plateia, outro diferencial do Dia Metal. Enquanto houve atrasos em todos os dias do festival, esta foi uma das manifestações mais significativas, com a plateia nada passiva gritando em coro "FALTA DE RESPEITO" e atirando coisas no palco. Irritado com as vaias, Andreas Kisser entrou no palco para assegurar que ninguém da banda estava fazendo "festinha do camarim", mas sim tentanto resolver o problema. Para enfatizar, jogou o microfone no chão com raiva e deixou o palco.

Não demourou para que o Tambours du Bronx começasse a apresentação, ainda com um pouco de microfonia e ruídos durante a batucada nos tambores industriais de seus 17 integrantes. Em seguida, Derrick Green, Andreas Kisser, Jean Dolabella e Paulo Jr. entraram no palco para tocar "Mixture", finalmente acalmando a plateia, afinal, estavam recebendo o show que tanto esperaram.

A adição da percussão com tambores ao som do Sepultura foi uma ótima combinação, sem dúvida rendendo um dos mais produtivos encontros do Palco Sunset. A apresentação teve três músicas do novo álbum, tocadas em sequência, a faixa-título "Kairos", "Relentless" e "Structure Violence". Grandes conhecidas do repertório do Sepultura também não podiam faltar, como "Refuse/Resist", "Territory" e "Roots Bloody Roots", que encerraram a apresentação em grande estilo.

Sepultura fez o Palco Sunset rivalizar em público com o palco principal, que já havia iniciado suas atividades com os brasileiros do Glória, vaiado durante toda a apresentação. Aqueles que escolheram guardar seu lugar no Palco Mundo para as principais atrações da noite com certeza perderam um show incrível do Sepultura.

Salvos pelo Iron Maiden

Os novaiorquinos do Coheed and Cambria foram a primeira atração internacional do palco principal, mas acabaram seravindo de momento de descanso para os aguardadíssimos shows de Slipknot e Metallica, levando o público a lotar as filas das áreas de alimentação ou buscar um lugar para sentar.

O grupo, liderado pelo vocalista Claudio Sanchez, com sua cabeleira à la Slash, só que com ainda mais volume, abriu com "No World For Tomorrow", seguida de "Grave Makers and Gunslingers". Suas canções longas e conceituais, que iam do rock progressivo ao pós-hardcore pareciam não agradar muito. Só foram fazer o público vibrar de fato lá no fim da apresentação, quando engataram "Everything Evil" em "The Trooper", cover da clássica música do Iron Maiden. Finalizaram o show com "The Crowing" e "Welcome Home".

Metal sem frescura

Em seguida, tivemos um ótimo show do Motörhead, sem nenhuma cenografia ou projeções no telão, confiando apenas na iluminação e em sua música. Lemmy Killmister, Mikkey Dee e Phil Campbell entraram prometendo o verdadeiro rock'n'roll e começaram com "Iron Fist", ganhando a empolgação da plateia já na primeira música, seguida de "Stay Clean" e "Back in Line", em que Campbell mostrou sua habilidade com um admirável solo de guitarra.

Lemmy, com seu jeito curto e grosso, voz rouca e sotaque britânico quase imcompreensível, animava a plateia, sempre fazendo-a pedir mais. "Querem que a gente toque? Então coloquem os braços para o alto!", ordenou o vocalista e baixista, com resposta imediata de toda a plateia. Veio então "Metropolis" e "Over the Top", precedida de mais um incentivo de Lemmy. "Estamos há 30 anos tentanto encontrar a plateia mais barulhenta do mundo. Quando eu contar até três, serão vocês", já fazendo o público vibrar. "Esperem, cala a boca, porra!", repreendeu. "Quero dor! Um, dois, três!", foi a senha para muitos gritos e o início da música.

Já em seguida veio "One Night Stand", clássica do grupo inglês, especialmente pelo trabalho de bateria de Dee, que ficou sozinho no palco enquanto o baixista e o guitarrista faziam uma pequena pausa para o uísque. Em seguida, anunciaram "Know How to Die", de seu mais recente álbum, The Wörld is Yours (2010), emendando "The Chase Is Better Than The Catch", do clássico álbum Ace of Spades (1980), e "In the Name of Tragedy", de Inferno (2004).

Mais um momento de interação com a plateia veio com o anúncio de "Going to Brazil", escrita pelo Motörhead após sua primeira viagem ao país, no início dos anos 1990. Depois de "Killed by Death", começaram a encerrar o show, apresentando a banda, "Já que muitos de vocês provavelmente estão vendo o Motörhead pela primeira vez", comentou Lemmy.

Para finalizar sua apresentação, nada melhor que uma sequência de clássicos dos veteranos. "Ace of Spades" incendiou a plateia, seguida de "Overkill", que ganhou uma segunda guitarra pelas mãos de Andreas Kisser. Apesar do Motörhead ter feito uma ótima apresentação e empolgado o público com seus principais hits, a participação de Kisser deixou nítida a falta que faz um segundo guitarrista para a formação da banda, que funciona como trio desde a morte de Würzel, em 1995. Mais um guitarrista daria ainda mais força a um som que já é pesado e empolgante, mas uma participação especial foi o suficiente para terminar um ótimo show.

E que reine o caos

O Slipknot quase derrubou a Cidade do Rock, com o show mais performático do festival até aqui. Depois de meses lendo matérias em veículos estrangeiros, em que Corey Taylor mostrava-se relutante em continuar no Slipknot para mais um álbum, especialmente depois da morte de Paul Gray, eu estava com receio de que esta instabilidade fosse refletir na apresentação do grupo no festival, mas não foi o caso.

As máscaras e macacões laranja, que já chamam muita atenção em fotografias, foram apenas um adicional à enorme presença de palco demonstrada pelo grupo, em uma performance que incendiou quase 100% dos presentes na Cidade do Rock. As filmagens aéreas mostradas nos telões davam a real dimensão do caos, com várias rodas de bate-cabeça formadas na enorme plateia do Palco Mundo.

Para a satisfação total do público, a banda tocou seus sucessos mais antigos, dos três primeiros discos. "Wait and Bleed", "Spit It Out", "Before I Forget" e "Duality" foram sem dúvida os pontos altos do show. Depois de seis anos sem vir ao Brasil, o Slipknot deu aos fãs uma performance caótica e frenética, que foi retribuída por eles na mesma medida. Corey Taylor, em sua segunda apresentação no festival, estava inconformado com a reação da plateia. "Obrigado por fazer desta noite uma que nunca vamos esquecer!", agradeceu o vocalista, ao encerrar o show com "Surfacing". Antes de deixarem o palco, um momento de ternura em meio a tanta agressividade, quando Taylor e o baterista Joey Jordison se abraçaram e deixaram o palco.

Finalmente, Metallica

O aguardado show do Metallica começou à 1h15, ao som "The Ecstasy of Gold", de Ennio Morricone, emendando "Creeping Death" e "For Whom the Bell Tolls", ambas do disco Ride the Lightning (1984).

A apresentação foi baseada na turnê World Magnetic, que passou pelo Brasil em março do ano passado. Apesar de não ser novidade por aqui, era a escolha adequada para um show de festival, concentrando-se em hits de seus 30 anos de carreira, como "Fade To Black, "Sad But True", "Master of Puppets", "Nothing Else Matters" e "One", indroduzida com fogos de artifício e lança-chamas. O guitarrista Kirk Hammett surpreendeu os metaleiros ao iniciar "Enter Sandman" com um verso de "Samba de Uma Nota Só", de Tom Jobim.

James Hetfield comandava com sua voz potente as ações dos fãs, que lançavam seus punhos ao alto e cantavam em coro, além de conversar em português macarrônico, típico dos gringos. Encerraram a apresentação com "Whiplash" e "Seek and Destroy", uma ótima finalização para o primeiro final de semana do Rock in Rio.