Manifestação política e tempo bom marcam quinta-feira do Rock In Rio

Créditos da imagem: Red Hot Chili Peppers/Rock In Rio/Mauro Pimentel/AFP

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Manifestação política e tempo bom marcam quinta-feira do Rock In Rio

Copo que brilha e chifres da Malévola são os brindes mais amados do Rock in Rio

Tereza Novaes
04.10.2019
08h49
Atualizada em
04.10.2019
08h59
Atualizada em 04.10.2019 às 08h59

O sol voltou e fez a Cidade do Rock brilhar na quinta-feira. O clima estava diferente, com menos crianças e famílias na plateia, e mais grupos de amigos. Nile Rodgers com Chic e Red Hot Chili Peppers, duas atrações do palco principal, parecem também ter contribuído para a elevar a faixa etária.

Independente da idade, o principal objeto de desejo entre os rolezeiros e roqueiros desta edição é um copo reutilizável que brilha, promoção do energético Red Bull. Ele tem uma lampadinha no interior, acionada graças ao líquido. Quem compra duas latas da bebida, recebe o brinde. Outra sensação é a tiara com os chifres da Malévola, distribuída na entrada principal, divulgando a estreia de Malévola: Dona do Mal, na próxima quinta-feira (17). 

Outra diferença marcante da quinta-feira no Rock in Rio foi a manifestação política. Se no final de semana passado críticas ao presidente brasileiro estiveram mais à margem dos palcos, a banda Francisco el Hombre radicalizou na primeira apresentação do dia. Entre outras mensagens, projetou no telão: "Mentira acima de tudo/Censura para cima de todos", e cantou os versos: "bolso dele sempre cheio/bolsonada que pariu". A galera respondeu no tradicional: "ei Bolsonaro vai caçar tatu".

Na sequência, o encontro dos paraenses Dona Onete, Jaloo, Gaby Amarantos e Fafá de Belém uniu vozes pela floresta Amazônica e em defesa das mulheres. Já Emicida, que dividiu o palco com as irmãs Ibeyi, também se posicionou, ao estampar a foto da menina Ágatha Félix no telão, logo na primeira música.

Antes, na abertura do palco principal, o Capital Inicial provou que segue muito bem de fã clube e sua sétima participação no RiR foi concorrida. O público ensaiou o grito contra o presidente e Dinho Ouro Preto aproveitou para falar de política. "Por um país [que fique] menos na mão de extremistas. Quem assiste ao debate brasileiro acaba achando que, por eles serem mais barulhentos, representam o Brasil, quando, na verdade, o Brasil é um país de moderados", opinou.

Capital Inicial/Rock In Rio/Mauro Pimentel/AFP

O Hip Hop Hurricane fechou o palco Sunset, reunindo uma orquestra e Baco Exu do Blues, Rael, Rincon Sapiência e o português Agir. A juventude apaixonada mostrou a força dos artistas, especialmente ao cantar, palavra por palavra, "Envolvidão", de Rael e "Flamingos", de Baco.

O presidente foi lembrado. "A cultura hip hop ensinou que se nós tivermos cultura, saúde e educação, eu preciso de uma arma na minha mão pra quê, parça?", afirmou Rael. A plateia emendou xingando Bolsonaro.

Sem dúvida, a maior parte do público estava ali para o Red Hot Chili Peppers, que em seu nono show no Brasil, o quarto em um Rock in Rio, desfilou hits, entremeados por solos de bateria e guitarra, em um espetáculo que agradou os fãs.