HQ/Livros

Entrevista

Omelete entrevista Bob Schreck

Editor de Frank Miller, Moon e Bá e tantos outros sucessos é uma das atrações da Rio Comicon 2011

Érico Assis
17.10.2011, às 00H00
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H45
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H45

Frank Miller, a lenda viva dos quadrinhos, quase que só foi à prancheta nos últimos vinte anos quando este homem pediu. Greg Rucka deve seus mais de dez anos de carreira nas HQs a um convite dele. A Oni Press, que gerou WhiteoutScott Pilgrim e uma série de histórias legais, foi fundada por ele. Fábio Moon e Gabriel Bá não poupam elogios ao cara que lhes convidou a criar a multi-premiada Daytripper. O Eisner Awards já o reconheceu com quatro estatuetas. E nomes consagrados da HQ nos EUA, como Neil GaimanMatt WagnerMike Allred estão sempre mais dispostos a fazer seus quadrinhos se ele for o editor.

Bob Schreck

None

Batman Cavaleiro das Trevas 2

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Daytripper

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Holy Terror

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Sin City

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Respeite Bob Schreck.

O editor participa da Rio Comicon este mês para contar sua experiência com alguns dos grandes nomes da HQ norte-americana. E é um currículo que começa na Marvel Comics dos anos 80, passa pela Comico, vai para quase dez anos de Dark Horse Comics - onde editou Sin City e outras pérolas -, inclui a co-fundaçao da Oni Press no final dos anos 90, tem mais uma década de DC Comics com a linha Batman - que gerou a saga "Terra de Ninguém"Cavaleiro das Trevas 2 -, depois na linha Vertigo e mais uma passagem pela IDW Comics.

Atualmente, ele responde como editor-chefe da Legendary Comics, divisão de quadrinhos da produtora de cinema Legendary Pictures, onde Schreck faz bom uso de seus contatos - a linha acabou de estrear nos EUA há poucas semanas, com o lançamento da controversa Holy Terror, de Frank Miller.

Conversamos com ele sobre Moon, Bá, Miller, como é ser editor de figurões e como anda o mercado de HQs. Aproveite para conhecer mais do cara antes de conversar com ele ao vivo na Rio Comicon.

Você tem grande parte em Daytripper, a obra de Fábio Moon e Gabriel Bá elogiada e premiada pelo Eisner, pelo Harvey, pelo Eagle... Como você descobriu o trabalho deles e como foi o convite para a Vertigo? Mesmo que não tenha envolvido-se com a produção e lançamento [Schreck deixou a Vertigo logo após o início do projeto dos gêmeos], o que achou do resultado?

Fábio e Gabriel começaram a participar da Comic Con faz uns 11 ou 12 anos e, sendo os caras espertos que são, foram com tudo atrás de quem pudesse gostar do trabalho deles entre os que achavam ser os melhores editores dos EUA. Eu, Diana Schutz, Karen Berger, Will Dennis e outros. Foram muito pacientes e sempre dispostos a ouvir e absorver nossas críticas e opiniões sobre o que faziam, tanto em termos de narrativa sequencial quanto de traço. Quando nos conhecemos, eu estava à frente da linha Batman na DC Comics e o trabalho deles era meio "fora dos padrões" de títulos "mainstream" como aqueles. Diana Schutz foi mais rápida e lançou aquele lindo De:Tales pela Dark Horse Comics.

Então, como sempre fui fã do trabalho deles, assim que fui para a Vertigo comecei a cobrar dos gêmeos ideias que pudessem se encaixar na nossa linha. Depois de vários meses e de várias propostas, eles me enviaram o conceito de Daytripper e eu soube de imediato que eles haviam encontrado a história certa para a gente. Foi muito difícil deixar o projeto, mas eu sabia que tudo ficaria bem nas mãos do talentoso Pornsak Pichetshote. Achei que o resultado ficou perfeito e, ao que parece, não fui só eu, visto que a série ganhou os maiores prêmios e honras do mercado. Eu sempre comemoro na noite em que um projeto meu é indicado, porque é realmente legal ser destacado entre tantos trabalhos ótimos que chegam às prateleiras no ano. Mas tenho que admitir uma coisa: vencer não é de todo mal!

Você conhece outros quadrinistas do Brasil? Vem aqui procurando novos autores?

Já conheci Gustavo Duarte e cheguei a trabalhar com Rafael Grampá em uma história do John Constantine. Conheço o trabalho de Danilo Beyruth e vários outros. E sim, estou sempre atrás de novos talentos! Sempre!

Você faz parte do lançamento da Legendary Comics, que é a divisão editorial de um estúdio de Hollywood. O que você pensa desta última década de relacionamento entre os quadrinhos dos EUA e Hollywood? Hollywood depende dos quadrinhos? Os quadrinhos dependem de Hollywood?

Tem sido um baile interessante, não acha? Assim como é com qualquer coisa, houve sucessos e fracassos, positvos e negativos. Só posso comentar nossas intenções na Legendary, que são de lançar um linha consistente de narrativas em quadrinhos ousadas e de alta qualidade, explorando formatos novos e diferentes para levar estas histórias ao leitor. Pretendemos lançar material fantástico e que se sustente sozinho. Acho que temos um bom começo com Frank Miller, Paul Pope, Matt Wagner, Simon Bisley e mal consigo me segurar para dizer quem mais já temos confirmado! Talvez a notícia já tenha saído quando eu chegar no Rio!

Holy Terror, primeiro lançamento da Legendary, acaba de sair e alguns resenhistas são pouco favoráveis ao trabalho de Miller, principalmente em relação às opiniões anti-islâmicas que ele expressa. O que você achou disso?

O trabalho de Frank geralmente é apreciado meses antes de ser publicado e antes de ser lido por qualquer outro. Ele é o quadrinista mais influente que temos e não tem vergonha de abordar o assunto que estiver a fim.

Você e Miller têm uma ótima relação de trabalho - pode-se dizer que ele sempre vai trabalhar com você, já que vocês passaram por Sin CityCavaleiro das Trevas 2Holy Terror. Também parece ser a ótima relação que você tem com outro grande quadrinista, Matt Wagner. Qual é a manha para ter uma boa relação editor-autor, principalmente com estes grandes nomes?

Honestidade. Mesmo que eu me vire pra contar uma história, quando você trabalha com um Matt Wagner ou com um Frank Miller, bom... eles não têm muito o que aprender comigo. Bem pelo contrário: eu absorvo o que aprendo com eles e divido com os novos e jovens talentos com quem trabalho. Mas Frank e Matt dependem de mim para dizer o que acho que do que estão fazendo. Se acho que não estão sendo claros no que querem dizer, ou às vezes vão na direção oposta do que queriam, eu digo. Na cara. Sem meias palavras.

Você trabalhou na Marvel, na Comico, na Dark Horse, na DC, na IDW, ajudou a fundar a Oni Press e a Legendary Comics. O que pensa atualmente do mercado de quadrinhos americano, em termos do que faz um quadrinho de sucesso e também do que você gostaria que este mercado fosse?

Um sucesso de verdade é uma HQ que mexe com o leitor. Faz ele sentir. Faz ele pensar. Faz ele ver o mundo pelos olhos de outra pessoa. É um casamento perfeito entre palavras e imagens que juntas começam a dançar no seu cérebro, coisa que nenhuma outra mídia consegue fazer. Quando você consegue isto, espera-se que o resultado seja uma HQ agradável e interessante. Em um mundo perfeito, é esta HQ que venderia um monte de exemplares.

Bob Schrek estará na Rio Comicon no sábado, 22/10, às 16 horas. Sua apresentação será mediada por Fábio Moon e Gabriel Bá. Na sexta, 21, das 18h30 às 20h30; e domingo, no mesmo horário, ele avaliará portfolios. Por duas horas, ele vai avaliar e conversar com 40 artistas. As senhas serão distribuídas no dia, duas horas antes do começo da avaliação.

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