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Três bons álbuns de HQs pela Devir

Três bons álbuns de HQs pela Devir

ÉB
21.06.2005, às 00H00.
Atualizada em 21.09.2014, ÀS 13H18

Chegaram recentemente às lojas especializadas e livrarias três álbuns da Devir Editora que merecem a óbvia, mas comumente mal empregada, classificação de "imperdíveis". De uma só tacada, a empresa publicou três das séries mais interessantes da atualidade nos quadrinhos norte-americanos: Planetary, Arrowsmith e Powers.

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Planetary: Mundo estranho, da Wildstorm, é escrita por Warren Ellis e desenhada por John Cassaday. Nela, uma organização investiga os mistérios da história da Terra em busca de respostas para a história secreta do século 20. Os "arqueólogos do impossível" são Jakita Wagner, Elijah Snow e o Baterista, trio que vaga pelo planeta para observar e catalogar eventos inexplicáveis.

A edição reúne o primeiro arco de histórias completo da HQ - devidamente introduzido por um texto fanboy de Alan Moore - e começa a brincar com o universo dos super-heróis e da cultura pop. Há referências para todos os gostos e idéias geniais a cada página. O texto de Ellis é inteligente, bem-humorado e, aliado aos traços limpos e precisos de Cassaday (valorizadíssimos pelas cores de Laura Depuy e David Baron), resulta numa HQ memorável. É curioso notar também como ela se assemelha em estrutura aos seriados de TV como Arquivo X. Existe uma mitologia da série, mas cada capítulo (pelo menos neste começo) pode ser lido separadamente, apenas pelo prazer de conferir o "monstro da semana". Felizmente, como a edição reúne as quatro primeiras edições da série mensal, mais um preview especial, isso não é necessário.

Arrowsmith - A guerra da magia, de Kurt Busiek e Carlos Pacheco, dupla responsável pelo gibi Vingadores eternamente, é o segundo lançamento. Trata-se de uma ótima surpresa saída da linha Cliffhanger. Os artistas mostram nesta criativa e bela HQ um cenário semelhante à Europa do início do Século XX, mas que é dominado pela magia e habitado por dragões, fadas e exércitos mágicos. Nessa realidade, uma mistura de O Senhor dos Anéis com Band of brothers, humanos e criaturas fantásticas lutam lado a lado na Primeira Guerra Mundial.

A narrativa acompanha as aventuras do jovem Fletcher Arrowsmith, que deixa a segurança de seu lar para tornar-se um "voador", soldado de uma unidade aérea que ataca as linhas inimigas do alto. Apesar da fantasia envolvida, a história trata de temas extremamente relevantes, como o uso de armas químicas, e o que acontece quando os supostos mocinhos passam a empregar táticas tão desumanas quanto seus oponentes.

O último álbum é Powers, criado por Brian Michael Bendis (o superstar da Marvel Comics) e Michael Avon Oeming. A publicação contém o volume I da série, com o arco "Quem matou a Garota-Retrô?".

Na HQ, heróis quase divinos voam pelos céus, vilões absurdos tentam seus golpes, alienígenas e outros tipos coexistem e são vistos frequentemente nas ruas de uma cidade cinzenta. Em meio a tudo isso, o detetive de homicídios Christian Walker tenta cumprir seu dever. Famoso por resolver casos que envolvem meta-humanos, Walker, ao lado de sua nova parceira, está diante da maior investigação que já teve de enfrentar... o assassinato da mais poderosa e popular heroína que o mundo já conheceu: a Garota-Retrô (uma referência explícita aos heróis da Era de Ouro dos quadrinhos). Ela foi achada em um beco escuro, brutalmente assassinada, sem direito a uma morte homérica ou épica. Agora, conforme as investigações avançam, verdades perturbadoras sobre a heroína vêm à tona forçando Walker a decidir entre desvendar o mistério ou revelar seus próprios segredos obscuros.

As três HQs lançadas têm como ponto em comum o fato de serem trabalhos autorais, desvinculados de cronologias ou universos maiores e de estarem livres dos grilhões criativos mercadológicos das grandes editoras. Também são todas figurinhas comuns em premiações como o Eisner Awards e toda essa qualidade foi respeitada pela Devir nas belas edições que estão sendo distribuídas. O papel e a impressão são de primeiríssima linha, assim como o acabamento. Tudo isso contribui para que sejam apreciadas por fãs de quadrinhos ou mesmo como um excelente ponto de partida para quem não tem o hábito de ler gibis... mas está doido pra começar.

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