Tex Willer deixa estigma de revista ultrapassada para trás em nova HQ

Créditos da imagem: Divulgação/Mythos Editora

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Tex Willer deixa estigma de revista ultrapassada para trás em nova HQ

Primeiras aventuras do personagem são o foco da nova coleção

Gabriel Avila
06.03.2019
14h15
Atualizada em
06.03.2019
16h20
Atualizada em 06.03.2019 às 16h20

Poucos personagens fora dos quadrinhos de super-heróis carregam um nome tão forte quanto Tex Willer. Há mais de 70 anos, o cowboy foi o primeiro personagem criado para a Sergio Bonelli Editore, tradicional editora italiana, que é casa de títulos mundialmente conhecidos como Zagor, Julia Kendall e Dylan Dog. Desde sua estreia em terras brasileiras, em 1951, Tex arrebanhou um enorme número de fãs que cresceu em meio à explosão do faroeste nos cinemas. Com o declínio da popularidade do gênero, o herói acabou perdendo espaço e pela pouca renovação de seu público acabou ficando conhecido como “HQ de velho”. Em paralelo às outras revistas do personagem, a Bonelli passou a publicar em 2018 uma revista Tex Willer, título que chega ao Brasil pouco menos de um ano depois e conta histórias da juventude de seu protagonista justamente mirando em novos leitores, com uma narrativa ágil que serve como ponto de partida para curiosos.

Em seu cânone oficial, Tex faz parte da força policial do Texas, atuando em prol da lei ao lado de seus parceiros (chamados de pards) Kit Carson, o nativo-americano Jack Tigre e seu filho Kit Willer. Embora focadas no presente, as aventuras do vaqueiro constantemente citam seu passado, especialmente seu período como fora-da-lei. A nova HQ Tex Willer conta aventuras justamente dessa época, quando o rosto de Tex estampava cartazes de procurado e um bando de caçadores de recompensa liderado pelo maligno Coffin seguem uma trilha até uma mina abandonada, que supostamente servia de morada para o herói. A premissa talvez soe familiar para fãs mais fervorosos de Willer, isso porque a trama narra os eventos que levaram à sua primeira aventura, na história Totem Misterioso, escrita por Gianluigi Bonelli com arte de Aurelio Galleppini. Buscando inspiração nas raízes do personagem, a revista incorpora o espírito clássico com uma abordagem moderna.

Capa de Tex Willer #1
Divulgação/Mythos Editora

Tex Willer tem um ritmo dinâmico que se aproveita muito da parte visual para contar sua história. Embora use diálogos expositivos para contextualizar o leitor logo nas primeiras páginas, o quadrinho dá grande destaque para a atmosfera e para a ação. A caça a Tex é conduzida com um grande suspense, que culmina em um tiroteio explosivo, o que se torna um grande exemplo de como a trama utiliza situações extremas para despertar empatia pelos mocinhos. Embora utilize uma estrutura básica na composição das páginas, a arte de Roberto de Angelis dá vida ao cenário árido do sul dos EUA: seus cânions e riachos parecem vivos em ângulos que tornam a leitura quase cinematográfica.

O roteiro da HQ é tão responsável pela sensação de se visitar um bom faroeste quanto a arte. A história é assinada por Mauro Boselli, autor que escreve histórias de Tex há mais de 20 anos e agora tem a oportunidade de “cavalgar por trilhas nunca antes batidas” como o mesmo descreve no prefácio da primeira edição. O texto de Boselli é dinâmico e se apropria de clichês das histórias que se passam no velho-oeste para não só contar umaaventura, mas para construir seu protagonista.

Tex é tudo o que se poderia esperar de um pistoleiro: viríl, bom de briga, justo e que em pequenos detalhes se distancia de seus rivais. Mais do que incorporar tipos clássicos como John Wayne ou Clint Eastwood, Boselli atualiza o personagem suavizando certos estigmas sociais que contribuem para a formação de um herói íntegro. Se o vilão Coffin trata um nativo aliado com desprezo, Willer tem orgulho de chamar um Cochise de irmão. Nesses pequenos detalhes a revista dá maiores camadas a um amado personagem, que vai além de gatilhos rápidos e frases de efeito.

Tex Willer é publicado mensalmente pela Mythos Editora no tradicional formato italiano.