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Organizadores do 6º FIQ comentam ao Omelete resultados do evento

Edição 2009 teve mais que o dobro de visitantes que a anterior

ÉA
02.11.2009, às 23H00.
Atualizada em 23.01.2017, ÀS 09H03

Setenta e cinco mil pessoas. Esse é o número oficial de público do 6º Festival Internacional de Quadrinhos, o FIQ, que aconteceu em Belo Horizonte entre 6 e 12 de outubro deste ano. A estatística foi divulgada na última semana no blog do festival.

É mais que o dobro de visitantes da 5ª edição, de 2007. Apesar das reclamações do público e dos expositores quanto ao local escolhido (principalmente após a chuva que atrapalhou o segundo e terceiro dia), o evento atraiu quadrinistas e fãs de todo o país para se conhecer, trocar ideias e trabalhos, bem como ouvir as dezenas de convidados oficiais do Brasil, dos EUA, da Europa e da China. O Omelete esteve por lá para comprovar.

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Mais do que isso, o evento pode ter sedimentado o ótimo momento dos quadrinhos no mercado nacional - com lançamentos e criadores de peso, fazendo parte do panorama internacional de "boom" das HQs. Foi sobre isso que buscamos conversar com três dos responsáveis pelo evento, em entrevista exclusiva.

São eles Afonso Andrade, diretor geral do evento, Roberto Ribeiro, diretor da editora Casa 21 (uma das responsáveis pela realização do FIQ), e Ivan Freitas da Costa, colaborador da organização e curador da exposição Batman 70 Anos - a mais visitada do Festival.

"Tivemos um crescimento em dois sentidos. Primeiro do público visitante residente em Belo Horizonte e proximidades, que cresceu muito em relação à última edição. Em segundo lugar, um aumento significativo das pessoas que vieram do interior de Minas e de outros estados. Isto ficava bem claro durante os bate-papos e mesas: a cada pergunta um sotaque diferente", destaca Afonso Andrade.

Roberto Ribeiro ressalta a sintonia que a sexta edição do evento teve com o mercado - nas anteriores, convidavam-se mais autores europeus, enquanto nesta houve destaque para o mercado indie e pop dos EUA.

"A nova geração de autores nacionais e internacionais que está conquistando, progressivamente, um novo e jovem público vem, igualmente, atraindo grandes editoras para o mercado de quadrinhos. Nas edições passadas, não contamos com editoras como Companhia das Letras ou Panini, como aconteceu este ano", diz, destacando como essa mudança de foco atraiu não só mais visitantes, mas também mais profissionais do mercado.

Ivan Freitas da Costa também destaca o apelo pop: "Mesmo em convenções nos EUA, não é comum vermos painéis com vários artistas de alto nível, algo que foi frequente neste FIQ. Além da diversidade, cobrindo desde o mercado indie - contamos com a presença dos cinco ganhadores do Eisner 2008 de Melhor Antologia -, além de astros mainstream como Ivan Reis e Eddy Barrows".

As comparações com eventos estrangeiros são válidas até certo ponto. Nos números, a San Diego Comic-Con atrai quase o dobro de visitantes com três dias a menos - foram 140 mil em 2009, aproximadamente. O Festival de Angoulême, na França, atrai geralmente mais de 200 mil também em apenas quatro dias. Para o porte do mercado brasileiro, porém, 75 mil em sete dias é um número proporcional - e certamente motivo para comemoração.

Quanto a número de profissionais convidados, o FIQ também é de grande porte para o que se costuma ver no Brasil, mas continua atrás dos internacionais - principalmente porque são poucas as editoras nacionais que investem em financiar a vinda de seus próprios convidados, como acontece nos festivais estrangeiros. O que também acontece lá fora, e que concretiza o internacional de seus títulos, é o número de visitantes, não convidados, que vêm de outros países para aproveitar a programação - o que ainda não é uma realidade para o Brasil.

Além do público, outro destaque do evento foram as vendas: nunca se viu tantas editoras produzindo tantos álbuns em quadrinhos no Brasil. E o movimento nos estandes mostrava que o investimento é acertado - inclusive no caso dos autores independentes. "O stand dos 10 Pãezinhos, de Moon e Bá, terminou o evento com absolutamente todas as revistas da dupla vendidas [incluindo as publicadas por Devir e Via Lettera], além do que foi vendido na Leitura Savassi. Curiosamente, no último dia do festival as lojas estavam ainda mais cheias", ressalta Ivan Freitas da Costa.

"De fato, estamos assistindo a uma quantidade impressionante de títulos chegando ao mercado. A maioria desses títulos deve-se ao ânimo e coragem dos autores independentes e a política do governo brasileiro para o setor", diz Roberto Ribeiro. Mas complementa lembrando o número de título não correspondeu ao interesse das editoras pelo evento.

"As grandes editoras não estão ainda assumindo grandes riscos. É normal. O mercado necessita de atores corajososos e audaciosos como as editoras independentes assim como das editoras com maior conhecimento dos meandros da distribuição. Esta combinação permitirá um crescimento maduro do mercado. Nenhuma editora participará do FIQ enquanto não for convencida e não tiver elementos estatísticos que indiquem possibilidades de venda reais de suas publicações", diz.

Companhia das Letras e Panini tinham estandes (o da última, bastante fraco para seu porte), a Zarabatana estava representada por seu editor e os outros estandes eram de estúdios ou quadrinistas independentes. Conrad, Devir, Ediouro/Desiderada e outras não participaram.

"O público e os artistas já entenderam que o FIQ é um festival importante - muitos deles, inclusive, vieram de outros estados para participar do festival. No momento em que as editoras também perceberem isso, todos só terão a ganhar", complementa Ivan Freitas da Costa.

Para fechar, o diretor Afonso Andrade junta-se ao coro que propôs "mais FIQs", não só em Belo Horizonte, mas por todo o Brasil: "É bom ressaltar o crescimento do FIQ como espaço de intercâmbio entre quadrinistas, agentes e editores. Espero também que outras cidades do país se sintam estimuladas a criar ou ampliar eventos de HQs e, quem sabe, num futuro próximo poderemos ter no Brasil um circuito de Festivais de Quadrinhos".

Os organizadores também adiantaram que, nas reuniões após o evento, já começaram a coletar ideias para a sétima edição - que, por enquanto, continua marcada somente para 2011.

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