HQ/Livros

Artigo

O Monge, a raposa e o sonho

O Monge, a raposa e o sonho

Juliano Zappia
02.03.2001, às 00H00
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 13H11
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 13H11
Sandman está de volta. Bem... quase. Os Caçadores de Sonhos, que chega às livrarias brasileiras em um caprichado lançamento da editora Conrad Livros, não é apenas outra história do Mestre dos Sonhos. Mais do que isso, é uma fábula sobre o amor; uma linda história sobre a devoção de uma corajosa raposa apaixonada por um jovem e solitário monge budista.

Para os fãs, um aviso: em um primeiro contato, a trama pode desapontar aqueles que aguardam ansiosamente pelo despertar da personagem, que descansa em paz desde o fim da série, em 1997. Familiarizados com as estranhas criaturas que habitam o universo onírico de Sandman, uma romântica e trágica fábula asiática pode não parecer tão saborosa; Principalmente porque ele, o cultuado Lorde Morpheus, faz sua primeira aparição apenas na página 100, faltando somente 32 para o fim da história.

Mas não desanime. Seres misteriosos e fantásticos, disputas, bruxaria, vingança, terror e uma breve visita ao mundo dos sonhos estão temperados com o melhor da imaginação e criatividade de Gaiman. E as ilustrações... ah, as ilustrações!

Nada de quadrinhos

Em 1999, o roteirista inglês Neil Gaiman, responsável pela reformulação e sucesso de Sandman durante quase toda a década de 90, foi chamado pela DC para fazer um projeto especial em comemoração ao décimo aniversário da nova personagem. Ele caprichou.

Contactado pela editora, Gaiman sugeriu uma adaptação de A Raposa, o Monge e o Mikado dos Sonhos, uma antiga fábula japonesa. Fiquei chocado com as semelhanças, algumas quase inquietantes, entre o conto e minha série Sandman, diz o autor no posfácio do livro.

Encantado com um desenho de um pôster de Sandman feito pelo artista japonês Yoshitaka Amano, famoso pelo seu trabalho no jogo Final Fantasy, Gaiman não pensou duas vezes: era a pessoa ideal para ilustrar seu novo projeto. Amano aceitou, mas com uma objeção: embora gostasse de quadrinhos, ele não os desenhava.

Foi assim que deixaram o formato convencional das HQ de lado e começaram a trabalhar em Os Caçadores de Sonhos, um perfeito casamento entre a prosa simples e deliciosa de Gaiman com a magnífica e rica arte de Amano.

A parceria fez com que uma história simples de uma raposa, que se apaixona perdidamente por um monge budista, se transformasse em um épico. O desenho de Amano traduz perfeitamente o clima fantástico da história. Com linhas delicadas e coloridas nos momentos alegres e sublimes e com traços violentos e negros nos momentos de tensão e terror. Só a página quádrupla, uma belíssima ilustração da primeira aparição do Mestre dos Sonhos na história, já vale a edição - apesar do salgado preço, 49 reais. Para os fãs de Sandman, um presente e tanto.

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados e cookies para as finalidades ali constantes.