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Morre Will Eisner

Morre Will Eisner

Érico Borgo, biografia por Roberto Elísio dos Santos
04.01.2005
00h00
Atualizada em
02.11.2016
05h04
Atualizada em 02.11.2016 às 05h04

Spirit

Will Eisner faleceu ontem, dia 3 de janeiro de 2005, em decorrência de uma cirurgia do coração. O artista, um dos maiores nomes das Histórias em Quadrinhos de todos os tempos, tinha 87 anos e estava internado em Fort Lauderdale, Flórida.

Nascido em Nova York em 1917, Eisner começou sua carreira durante a Era de Ouro dos quadrinhos norte-americanos. Depois de fazer diversas tiras (como as de Sheena, a Rainha da Selva), criou, em 1940, as histórias de Spirit, sua maior contribuição aos comics da época. Com estilo noir, as aventuras do detetive mascarado, repletas de mulheres fatais e gângsteres, são inovadoras do ponto de vista narrativo e do uso da seqüencialidade dos quadrinhos.

Já consagrado mundialmente como um dos principais artistas da nona arte (ao lado de seus contemporâneos Alex Raymond, Burne Hogarth, Hal Foster, Milton Caniff e Al Capp), Eisner renovou a arte seqüencial, no final da década de 1970, com a criação do romance gráfico Um contrato com Deus, obra que levou às prateleiras das livrarias as modernas publicações de quadrinhos.

Nas décadas de 1980 e 1990, além de vários romances gráficos (a exemplo de O edifício, Um sinal do espaço, O último dia no Vietnã, O nome do jogo, entre outros), Eisner também elaborou reflexões teóricas a respeito das Histórias em Quadrinhos, em dois livros, Quadrinhos e arte seqüencial e Graphic storytelling & visual narrative (este ainda inédito no Brasil). O artista publicou, ainda, um livro de entrevistas que realizou com os melhores quadrinhistas americanos, como Jack Kirby e Neal Adams.

Porém, mesmo com toda a glória alcançada, Eisner - que empresta seu nome ao maior prêmio dado aos destaques dos quadrinhos nos Estados Unidos - até o fim continuava a produzir álbuns de narrativas seqüenciais, adaptando à linguagem das HQs histórias provenientes da literatura (em O último cavaleiro andante, baseou-se no Dom Quixote de Cervantes, e no álbum A baleia branca, partiu do romance Moby Dick, escrito por Herman Melville) e de lendas (como A princesa e o sapo).

Seu último trabalho é a HQ The plot, que mostrará a farsa dos Protocolos dos Sábios do Sião, conspiração forjada na Rússia no início do século passado para culpar os Judeus pelos males do país. A edição será publicada ainda em 2005 pela editora norte-americana W.W.Norton. Além disso, também será publicada este ano uma autobiografia pela Dark Horse Comics, Will Eisner: A Spirited Life.

Não haverá funeral para o mestre. Eisner sempre manifestou-se contrário à prática. Ele será enterrado ao lado de sua filha, Alice, que morreu em 1969. O artista deixa sua esposa, Ann, seu filho John e milhares de leitores e fãs, que em algum momento de suas vidas foram cativados pelo sensível trabalho desse excepcional - e imortal - criador.

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