Mauricio de Sousa na CCXP17

Créditos da imagem: Débora Nisenbaum/Galpão de Imagens

HQ/Livros

Artigo

Aos 85 anos, Mauricio de Sousa continua a ser um fenômeno

Criador da Turma da Mônica faz aniversário nesta terça-feira (27)

Nicolaos Garófalo
27.10.2020
12h23
Atualizada em
27.10.2020
12h37
Atualizada em 27.10.2020 às 12h37

Hoje (27), poucos dias após Cebolinha completar 60 anos, Mauricio de Sousa, criador do personagem, chega aos 85. O cartunista, roteirista e ídolo de grande parte do povo brasileiro é responsável, mesmo que indiretamente, pela criação de um público fiel de leitores de gibi. Astronauta, Louco, Cascão, Magali e, é claro, Mônica, são apenas algumas de suas criações que encantam gerações desde 1959, quando Bidu estreou na Folha de S. Paulo.

Ao longo de mais de seis décadas, os personagens de Mauricio se tornaram famosos não só no Brasil, mas também no exterior, com traduções para espanhol, alemão, inglês, italiano e até indonésio, um alcance que rivaliza com grandes títulos de Marvel e DC. Fora das páginas, a Turma da Mônica foi adaptada para animações, filmes e até parque temático. E, embora eu já soubesse de tudo isso, foi só em 2019, durante a CCXP, que presenciei de verdade o efeito que o quadrinista tem na comunidade nerd.

Ainda com menos de seis meses de Omelete, fiquei encarregado de acompanhar o painel da MSP no evento. Ainda que os principais anúncios fossem sobre os live-actions de Jeremias - Pele e Lições, nada mexeu com o público tanto quanto o carisma de Mauricio. Simpático, ele roubou completamente os holofotes e, mesmo quando não estava falando, tirava risadas e gritos dos presentes no auditório, acenando e sorrindo para fãs que chamavam sua atenção com louvor e paixão.

Esse amor do público pelo cartunista não é desprovido de razão, é claro. Embora tenha pouco envolvimento com a criação dos trabalhos que mais chamam a atenção da mídia e do público nos últimos anos, como as diversas graphic novels inspiradas em seus personagens, Mauricio faz questão de mostrar todo o orgulho que tem em ver suas criações atingirem novos públicos, alguns até alheios aos clássicos gibis e almanaques que conquistaram tantas crianças.

Embora estivesse cercado de adultos em todos os outros painéis que acompanhei durante a CCXP 2019, a chegada de Maurício fez com que todos os presentes voltassem à infância. Sua fala suave e sorriso carismático transformou Arlequinas em Mônicas, Thors em Cebolinhas e Homens-Aranha em Astronautas. Fazendo graça, o grande arquiteto da minha infância provocava a filha, Mônica, e cutucava o editor Sidney Gusman para revelar títulos e datas de lançamento, com uma alegria quase tão grande e pura quanto a das milhares de crianças que o assistiam da plateia. Mesmo competindo com produções como Mulher-Maravilha 1984, The Boys, Star Trek e outros nomes gigantes que vieram ao evento no ano passado, a Turma da Mônica teve uma das respostas mais animadas e a atmosfera mais gostosa do auditório ao longo daqueles cinco dias, e Mauricio foi com certeza o grande responsável por isso.

Admito que há muito não pego para ler uma revistinha do Cebolinha ou do Chico Bento (meus dois personagens favoritos de Mauricio). Infelizmente, meu contato mais constante com o universo da Turma tem sido apenas por meio das ótimas obras publicadas pela Graphic MSP (se você ainda não leu Jeremias – Pele, não sabe o que está perdendo). Ainda assim, sigo abrindo um sorriso toda vez que cruzo com uma tirinha da “versão clássica” dos habitantes do Bairro do Limoeiro e me sinto de volta nas bancas de jornal, reunindo uma pilha de gibis para pedir aos meus pais. Essa nostalgia incrível provém de um legado indiscutível e genial, proporcionado por um homem que, independentemente de sua idade, não deixa de sorrir e brincar como se fosse uma das crianças que tanto inspirou. Como se fosse um de nós.

Não dá para ser imparcial ao falar de Mauricio de Sousa. Só de imaginá-lo acenando e sorrindo para seus fãs do palco, já volto aos meus 6 anos de idade, quando comecei a aprender a ler e a escrever com a ajuda da Turma. Ainda que hoje chegue aos seus 85 anos, Mauricio segue construindo seu legado e encantando crianças de todas as idades.

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados para as finalidades ali constantes.