Mark Millar fala sobre seu futuro e o do Universo Marvel
Mark Millar fala sobre seu futuro e o do Universo Marvel
Em uma longa entrevista ao site Newsarama, o escritor escocês
Mark Millar (Os Supremos) falou tudo (e ao mesmo
tempo falou nada) sobre o que pode esperar-se da sua carreira para este
e o próximo ano. Há seu contrato de exclusividade com a Marvel
até 2008, vários projetos secretos na editora, a segunda temporada
do Millarworld e uma intensa batalha contra uma doença até
agora incurável.
Não, Millar não está com AIDS, como alguns rumores diziam. O escritor revelou há algumas semanas que é portador da Doença de Crohn, uma inflamação crônica do trato digestivo sutilmente definida pelo próprio como “seu intestino comendo a si mesmo”. O problema já lhe rendeu muito tempo no hospital e chegou a um ponto crítico no ano passado, quando teve que revelá-lo à Marvel.
“A reação deles foi surpreendente – totalmente inesperada e incrivelmente generosa”, diz o escritor. A Marvel pagou a viagem de Millar a Nova York para examinar-se com médicos renomados. Ele também está voluntariando-se, “seguindo a tradição do grande Steve Rogers”, para os testes com uma nova vacina desenvolvida por um pesquisador de Londres – a doença até agora não tem cura. Além disso, montou a partir de seu site um fundo de contribuições a pesquisas sobre a doença (acesse).
Passando aos quadrinhos, Millar entra no seu tradicional estilo (auto-) publicitário. Primeiro, promete revolucionar o Universo Marvel com o megacross-over “Civil War” – ele é o roteirista da minissérie que guia o evento, criado a muitas cabeças pelos principais escritores da Marvel (Brian Bendis, J. Michael Straczynski e Jeph Loeb estão envolvidos). Não mede as palavras: solta que “se Civil War #2, por exemplo, não for o gibi Marvel mais comentado desde os anos 60, que Alá me fulmine com raios” e “está chegando um Universo Marvel pré-Civil War e pós-Civil War”.
O crossover trata de uma lei promulgada pelo governo norte-americano
que obriga todo super-herói a registrar-se para continuar suas atividades.
A discussão divide os heróis em dois pólos, o que levará
à guerra civil do título. Questionado sobre os possíveis
paralelos do evento com a política atual dos EUA, Millar deu uma
resposta brilhante:
“O Super-Homem da Era de Ouro não estava lá para
dar um símbolo de esperança aos imigrantes em meio à
Depressão. Era o Super-Homem brigando com Luthor e robôs descontrolados.
O Homem-Aranha não é sobre adolescentes sexualmente reprimidos
que ejetam substâncias pegajosas em segredo, pelas costas de sua tia,
é sobre o Homem-Aranha brigando com o Duende Verde. Há subtextos
em todas essas histórias, o que dá a elas alguma profundidade.
Crianças e adultos poderão, até subconscientemente,
fazer comparações com o mundo em que vivem e, com sorte, o
que é um quebra-pau como todo fanboy gosta terá também
alguma ressonância [política ou social].”
O escritor também adiantou que cinco novas séries serão lançadas a partir de “Civil War”, todas seguindo idéias dele, mas apenas uma (possivelmente) escrita pelo próprio. A nova Tropa Alfa, diz, não será escrita por ele, mas por “um escritor excelente de quem gosto muito”.
Após a poeira do mega-evento baixar, Millar entra de cabeça em três projetos. O primeiro ele acaba de revelar: Kick-Ass (“chuta-bundas”, como adoramos dizer no Omelete), uma minissérie de ação com seu parceiro de Wolverine, John Romita Jr., a sair pelo selo Icon da Marvel. O segundo é um secretíssimo trabalho com Bryan Hitch, com quem está concluindo o segundo volume de Os Supremos. “A única pista que vou lhe dar é que não vamos assumir uma série já existente. Não é uma série regular nem uma única revista. É bem, bem maior que isso; o trabalho mais ambicioso (em termos de números) em que já nos envolvemos.” Mais pistas, só em outubro, diz o escocês provocador...
O terceiro projeto é a segunda fase de Millarworld, uma série de minisséries e especiais autorais espalhados por diversas editoras (seu contrato de exclusividade com a Marvel permite estas pequenas “escapadas”), repetindo a primeira fase ocorrida em 2004. Há planos para “alguns especiais de terror” e quatro minisséries, das quais a única anunciada é American Jesus, uma seqüência de Chosen, mini que produziu com Peter Gross para a Dark Horse.
Millar comentou que ainda mantém os planos de um dia levar à frente seu projeto do Super-Homem com Bryan Hitch. Isso depois do fim de sua exclusividade com a Marvel em 2008, é claro. O escritor lembra que saiu brigado da DC, após problemas com alterações em seus roteiros de The Authority, em 2002, mas já fez as pazes com a editora e tem intenção de voltar a trabalhar com eles.
Por fim, o ex-parceiro de Grant Morrison diz que sua esposa, que não lê nem os quadrinhos do marido, já fez o pedido adiantado de 50 cópias de Civil War #1, apostando que a revista desaparecerá das prateleiras e terá alta cotação na eBay no futuro próximo. O que é o jeito nada discreto de Millar repetir que o evento do Universo Marvel será fantástico e retumbante.
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