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Artigo

Mangá: <i>Gon - Come e dorme</i>

Mangá: <i>Gon - Come e dorme</i>

Alexandre Nagado
16.09.2003
00h00
Atualizada em
07.11.2016
13h03
Atualizada em 07.11.2016 às 13h03
Gon: Come e Dorme

Autor: Masashi Tanaka

144 pgs. - Editora Conrad
4 ovos

Lançado diretamente em livrarias e lojas especializadas, Gon: Come e Dorme, o novo mangá da Conrad Editora, é diferente de todos os quadrinhos japoneses já lançados no Brasil por um detalhe curioso: a história não possui balões de texto ou narrador, somente imagens. E também não há humanos, mas apenas animais, num conjunto de histórias onde o protagonista é um invocado filhote de tiranossauro.

Com uma apurada técnica de enquadramento e diagramação, o autor Masashi Tanaka não recorre nem mesmo ao uso de onomatopéias, tão importantes na composição visual e narrativa dos mangás. O resultado é ousado e primoroso, com uma arte detalhista e imagens de grande impacto numa história violenta e com um sutil senso de humor. Em termos de enredo, Gon é composto de vários contos onde a natureza da pequena fera é confrontada com as mais diversas situações da vida selvagem.

Passeando por paisagens naturais contemporâneas sempre à caça de comida e sossego, Gon é um caçador que não mede esforços para conseguir o que deseja, ainda mais quando provocado. Extremamente voraz, dono de uma força fabulosa e sempre agindo como uma criança, é capaz tanto de ajudar um velho leão a sobreviver, como de competir com um castor até as últimas conseqüências para mostrar quem é o melhor lenhador do pedaço. Tal como é apresentado, o dinossaurinho é quase uma força da natureza, absolutamente impossível de ser detida ou enfrentada.

Os animais apresentados possuem expressões humanizadas sem perder a fidelidade aos modelos originais, arduamente pesquisados pelo autor. As perseguições têm o ritmo alucinado de um desenho do Papa-Léguas, bem como a crueldade com que os perdedores se dão mal, com a diferença de que não há nada de fofinho ou graficamente engraçado para atenuar. Que o diga o pobre lince que cruza o caminho de Gon no quarto e último segmento deste primeiro volume.

Tendo estreado em 1990 no final do mangá Flash, publicado por Tanaka na revista semanal para adultos Morning (da editora Kodansha), Gon ganhou série própria em 1991 na mesma publicação. O trabalho rendeu seis volumes com suas histórias compiladas e ganhou diversos prêmios, como o Osamu Tezuka em 1997 e três categorias do Will Eisner em 1998. Com seu prestígio, Gon entrou no mundo dos games, sendo personagem secreta de Tekken 3, para PlayStation, e até o astro de um jogo com seu nome para Super NES.

Agora no Brasil, esse Godzilla-mirim mostra como uma história não precisa sequer de palavras para ser bem contada.