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Lembra desse? He-Man vs. Super-Homem

Lembra desse? He-Man vs. Super-Homem

Rodrigo "Piolho" Monteiro
04.04.2003
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h14
Atualizada em 21.09.2014 às 13h14

É, caro omelenauta! Parece brincadeira, mas essa tosqueira aconteceu mesmo.

Em julho de 1982, nas páginas de DC Comics presents 47, o Homem de Aço e o Defensor de Etérnia trocaram sopapos em um típico crossover caça-níquel que, de vez em quando, a DC aprontava.

A bagaceira começou mostrando um típico dia em Etérnia, com um príncipe Adam bem diferente daquele do que conhecemos da TV, tendo aulas de combate com o chefe da guarda do rei, Mentor. Versão light do Conan, o filho do rei não estava nem aí com seu treinamento e só queria saber de farra. Pouco depois, o leitor era levado à cidade de Metrópolis, na Terra, onde Clark Kent, em sua versão anterior à reformulação de John Byrne, apresentava o telejornal da WGBS. Não tardou e ele já estava em pleno vôo como o Super-Homem.

Novo corte. Adam e seu felino, Pacato, estavam agora em uma taverna, quebrando a cara de algum valentão. Ao fim da briga, um falcão-mensageiro, a mando da Feiticeira, convocou o príncipe à Caverna do Poder. Sem a menor cerimônia, ao recebê-los, ela transformou o rapaz e seu mascote em He-Man e Gato Guerreiro. É isso mesmo! Nada de raios vindo do céu, nem de espada do poder e muito menos de Pelos poderes de Grayskull. Quer coisa mais anticlimática?

De acordo com a Feiticeira, o Esqueleto e o Homem-Fera tinham se apossado da Espada do Poder e pretendiam invadir o Castelo de Grayskull. Dito e feito. Porém, no exato momento em que usou arma mística, o vilão inadvertidamente liberou uma energia que criou um portal em Metrópolis.

Advinha quem se teleportou pra Etérnia sem escalas.

Biduzão!!

O kryptoniano, então, partiu pra cima dos dois coisas ruins, mas foi parar longe com uma rajada da Espada do Poder. Pra ninguém reclamar que faltava obviedades, com tanto lugar pra cair, o Azulão se estatelou bem na frente do He-Man. Um rápido bate-papo esclareceu quem era quem e ambos partiram, já amiguinhos, rumo ao castelo.

A propósito, como é que toda essa moçada se entendia? Mesmo originários de outro continuum espaço-tempo, não tinha um que não falesse inglês fluente. Alguém me descola o endereço desse curso por correspondência?

Juntos, o Homem de Aço e o Campeão de Etérnia investiram contra o Esqueleto, auxiliados pelo Mentor, que apareceu só Deus sabe de onde. Infelizmente, a espada do bandidão tinha mil e uma utilidades e fez o kryptoniano ficar sob seu poder. Essa é a deixa pra obrigatória cena de briga de heróis em todo crossover mequetrefe que (não) se preze. He-Man levou um cacete federal. No entanto, o Super, na hora em que ia invadir Grayskull comandado pelo vilão, livrou-se de seu domínio e derrotou o safado.

Como pouco clichê é bobagem, o canalha escapou, o Super-Homem visualizou outro portal espaço-temporal e despediu-se, jurando amizade eterna ao herói de cabelo tigelinha. Bléargh! Pior do que isso só de eles se dessem as mãos e caminhassem juntinhos rumo ao horizonte.

Eis aí uma história que, com certeza, o roteirista Paul Kupperberg, o desenhista Curt Swan, o arte-finalista Mike DeCarlo e o colorista Gene D’Angelo querem apagar da memória. Os fãs, não tenha dúvida, já o fizeram.