HQ/Livros

Artigo

Lá fora: Os lançamentos norte-americanos

Lá fora: Os lançamentos norte-americanos

Érico Assis
13.12.2004
00h00
Atualizada em
19.10.2017
17h01
Atualizada em 19.10.2017 às 17h01

Na seção "LÁ FORA", o Omelete lê e comenta todos os grandes lançamentos em quadrinhos nos Estados Unidos.

Será que aquele projeto que foi tantas vezes notícia aqui rendeu alguma coisa boa ou foi decepcionante? Quais são as novas séries que estão agitando os leitores americanos? Onde estão surgindo os novos nomes, seja de escritores ou ilustradores?

Vamos conferir aqui, sempre atentos às lojas especializadas americanas, as respostas para estas e outras perguntas.

[ Plastic Man 12 ]

Se você é uma daquelas poucas - e, para mim, inconcebíveis - pessoas que não gostam dos antigos desenhos animados do Pernalonga, ou de toda antiga produção da Warner, mantenha-se longe de Plastic Man.

É a melhor série de comédia que os quadrinhos têm hoje. É uma piada criativa atrás da outra, num crescendo que leva a momentos hilários, de virar o pescoço pra trás e chorar de rir.

Kyle Baker - que, não por acaso, trabalhou nos estúdios de animação na Warner - está superando-se a cada edição. Momentos especiais: Morgan, ajudante do herói, usando um tele-evangelista para abençoar a água que vai usar contra um vampiro; Plas e Woozy tentando fazer John Wilkes Booth MATAR o presidente Lincoln após acidentalmente fazer este viajar no tempo (Woozy: Se alguém vir você, isto vai alterar o passado e o futuro deixará de existir, mesmo que o futuro ainda não tenha acontecido, então tecnicamente ele ainda não existe!); e a desejada explicação de por que o Super-Homem nunca consegue derrotar Lex Luthor.

Tudo isso com dezenas de piadas visuais espalhadas pelas página. Baker está genial. Quando que é o Brasil vai ver trabalhos mais recentes dele, desde Why I hate Saturn até Plastic Man?

Série insanamente engraçada e imperdível.

[ Gotham Central 25 ]

Quem diria que uma série envolvendo apenas o cotidiano de uma central de polícia seria das melhores no mercado americano?

Greg Rucka e Ed Brubaker - que alternam edições ou arcos de histórias, às vezes escrevendo a quatro mãos - podem até fazer algumas coisas ilegíveis por aí, mas nunca deixam a peteca cair em Gotham Central. É o cop drama de Nova Iorque contra o crime misturado à galeria de vilões sádicos que se vê pelas bat-séries - mas de maneira bem mais realista e assustadora do que estamos acostumados.

O último número trata das mudanças na relação entre a central e Batman na Gotham City depois de War games. O Morcegão agora é inimigo público, o que causa algum mal-estar entre os policiais que já foram ajudados pelo herói e os que apóiam a decisão do comissário. O bat-sinal acaba servindo de metáfora para essa quebra de relação - é destruído, por acidente, quando operários tentam desinstalá-lo.

A série teria muito menos valor sem os desenhos de Michael Lark. Ele dá um tom pulp às personagens e aos ambientes, lembrando Alex Toth.

Em suma: ótimos roteiros, desenhos excelentes e uma temática muito bem trabalhada. Pacote perfeito.

[ The Pulse 6 ]

Se você desconstruir o trabalho de Brian Bendis, vai chegar a pelo menos uma explicação de por que ele é tão adorado: Bendis não tem medo de jogar a merda no ventilador.

The Pulse, a série sucessora de Alias, já começa chutando o balde.

A morte de uma jornalista do Clarim Diário acaba degringolando na revelação da identidade secreta do maior inimigo do Homem-Aranha. E o interessante está em como se acompanha a história: a partir da redação do Clarim.

A narrativa começa com Jessica Jones, a estrela de Alias, sendo contratada pelo Clarim para ser ponte entre o jornal e o universo de super-heróis de Nova Iorque. Mas, pelo menos na primeira história, Jessica não aparece muito e deixa o povo do jornal - J.J.J., Joe Robertson, Ben Urich - serem os protagonistas. Aí entra toda esperteza de Bendis em jogar com o ambiente do jornal pra lidar com a trama.

A última edição serve de bastidores da mini-série Secret war, também escrita por Bendis. Luke Cage é quase morto por uma bomba que também manda Jessica para o hospital. Quem é o inimigo? Ninguém sabe.

The Pulse está saindo bem lentamente, quase bimestral. Mas dá gosto esperar cada edição.

[ Amazing Spider-Man 514 ]

Sins past, conclusão.

Você já ouviu o que J. Michael Straczynski inventou para virar do avesso a vida de Peter Parker? Bom, não sou eu quem vai contar...

Digamos que ele está se metendo num terreno bastante perigoso, que lembra MUITO a famigerada Saga do clone. Tem grandes revelações do passado, novos vilões ridículos, superplanos maléficos organizados ao longo dos anos...

Gosto muito do que Straczynski tem feito com o Aranha. Suas histórias costumam ser leves, bem-humoradas, divertidas como as aventuras do Aranha devem ser. Alguém meteu na cabeça do cara que é preciso fazer grandes reviravoltas... e está estragando tudo.

Até agora, Sins past está uma grande porcaria. E o pior: vai ter repercussões em todas as séries do Aranha. Tomara que dê em alguma coisa boa. Mas vai ser difícil.

Leia mais "Lá Fora" - Clique aqui

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados para as finalidades ali constantes.