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THE BOYS 2

Garth Ennis não gosta de super-heróis. Não gosta e faz questão de nos lembrar disto. Sua brincadeira com o Lanterna Verde em Hitman e a sátira de A Pro não deixam dúvidas. Para ele, se existissem seres com super-poderes em roupas colantes, seriam Paris Hiltons que ficariam mais se mostrando do que salvando o mundo.

The Boys é a vingança de Ennis. Os garotos do título são um time - alguns com poderes, outros não - formado pelo governo americano para manter os super-heróis na linha. Chega dessas de destruir a cidade para derrotar o vilãozinho da semana. Ou mudar o clima. Ou desconsiderar os inocentes mortos durante as brigas. Se eles fazem algo disso, merecem uma surra. The Boys dão a surra.

A primeira página da primeira edição é emblemática: a bota preta do líder Butcher enfiando a cara de um uniformizado no chão.

As duas edições iniciais mostram Butcher (um cara muito parecido com Frank Castle) recrutando seu time em diferentes partes do mundo. Ennis não sabe mais escrever cenas sérias como fazia, de vez em quando, em Preacher e Hellblazer, mas pelo menos consegue usar seu humor forçado para inventar algumas cenas legais. E Darick Robertson transforma as piadas de Ennis em desenho da forma mais grotesca possível. The Boys vai ser divertida.

AMERICAN SPLENDOR 1

Harvey Pekar ganhou fama porque teve a idéia de retratar uma vida banal (a sua) em quadrinhos? Não. É porque Harvey Pekar é Harvey Pekar. Ranzinza, compulsivo, intratável e, o mais divertido, ciente de que é ranzinza, compulsivo e intratável. Não é um reality show - é um cara mostrando conscientemente seu pior lado, para lembrar que a gente também tem nossos dias ruins.

As crônicas de Pekar chegam à DC/Vertigo nesta minissérie em 4 edições. A vantagem de trabalhar com a Vertigo: desenhistas melhores e, possivelmente, um editor. Quando era indepedente, Pekar produzia ele mesmo as revistas, tendo que pagar os artistas do próprio bolso. Famoso depois do filme, ele agora tem a maior editora dos EUA fazendo isso por ele.

Mesmo na Vertigo, American Splendor mantém o preto-e-branco de sua versão indie. A primeira edição tem quatro histórias: Harvey contando a vida de seus pais (arte de Ty Templeton), 24 horas de sua vida recente (arte de Dean Haspiel) e duas curtas com suas observações impagáveis sobre o mundo ao redor (com Hilary Barta, Greg Budgett e Gary Dumm).

A melhor é uma sem texto, na qual ele observa uma senhora gorda comendo um muffin enquanto lê um livro. Farelos do muffin correm pelo corpo dela e pelo chão. Você vê a expressão de Pekar "essa mulher é imbecil demais para comer!". E que livro ela está lendo? O Código DaVinci.

CONAN 31

Conan encontra Hellboy. Ou quase. Mike Mignola, criador do garoto do inferno, escreve sua primeira história do guerreiro cimério, adaptando uma idéia não desenvolvida pelo criador Robert E. Howard. Com civilizações antigas, lendas e animais - no caso, sapos - transformados em ameaça por forças místicas, ficou parecendo muito com a típica história do Hellboy.

Ou será o contrário? Conan sempre enfrentou bichos gigantes, entrou em torres assombradas e lidou com feiticeiros anciãos. Como Hellboy. Sendo a única diferença que Hellboy se baseia, bem livremente, no folclore europeu e americano.

Essa rápida incursão de Mignola por Conan - aliás, maravilhosamente desenhada, com alguma homenagens ao estilo de Mignola, por Cary Nord - me deixou pensando o quanto o criador de Hellboy não tirou de Conan para seu personagem. Nunca tinha feito essa associação.

SOLO 12

É a edição de despedida de Solo, uma das séries mais legais que a DC inventou nos últimos anos.

Um artista de renome convidado por edição. Casa aberta. Ele pode usar personagens da DC, pode contar histórias auto-biográficas, pode usar suas próprias criações. Pode inclusive convidar escritores para roteirizar as histórias. Por 48 páginas.

Tim Sale (#1), Mike Allred (#7) e Sergio Aragonés (#11) fizeram os melhores números. Paul Pope (#3) e Darwyin Cooke (#5) ganharam prêmios Eisner por suas histórias. Mark Chiarello, editor da revista, levou um Eisner e um Harvey - mais do que merecidos, pela qualidade da revista e pela trabalheira que tinha para organizar cada número.

A última edição é uma espécie de pesadelo lisérgico do artista britânico Brendan McCarthy, que não fazia quadrinhos desde os anos 90. É só para quem gosta de coisas bem amalucadas. Prova que Solo era o espaço para todo tipo de coisa. Se para cada McCarthy ou Damion Scott (desenhista novato e desconhecido, inexplicavelmente convidado para uma das edições) eu tivesse mais uma edição como a do Howard Chaykin, perfeito.

O motivo do cancelamento, aparentemente, é a trabalheira para organizar a revista, que excedia em muito as obrigações normais de um editor. E as vendas não ajudavam. Mas com a quantidade de prêmios que a série recebeu - após o anúncio de cancelamento -, pode ser que a DC mude de idéia. Cruze os dedos.


































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