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Artigo

<i>Star Wars</i> nos quadrinhos

<i>Star Wars</i> nos quadrinhos

Marcus Vinicius de Medeiros e Érico Borgo
24.05.2005
00h00
Atualizada em
04.11.2016
23h03
Atualizada em 04.11.2016 às 23h03

Star Wars, de 1977

Tales of the Jedi

Império do Mal

Império do Mal II

Empire´s End
As histórias em quadrinhos sempre tiveram importância fundamental para a saga Star Wars. Começaram em 1977 pela Marvel Comics, onde permaneceram sendo publicadas durante nove anos. Iniciada por uma minissérie que adaptou o filme Uma nova esperança, a linha logo ganhou novos volumes com histórias de aventura descontraídas, sem grandes preocupações cronológicas.

Essas HQs, 114 no total (entre anuais, minissérie e a série regular), situam-se nos espaços entre os três filmes da trilogia original e foram republicadas pela editora Dark Horse há alguns anos. Por lá passaram escritores e desenhistas como Archie Goodwin, David Michelinie, Chris Claremont, Jo Duffy, Carmine Infantino, Al Williamson, Walt Simonson, Michael Golden, Ron Frenz, Tom Palmer, Cynthia Martin e muitos mais. Paralelamente, foi publicada também uma série de quadrinhos infantis estrelada pelos Ewoks e outra pelos andróides R2-D2 e C3-PO. A revista humorística Pizzazz também trouxe histórias desse universo, mas não durou muito. A última edição de Star Wars pela Marvel chegou às lojas em setembro de 1986.

Além da Marvel, uma tirinha com aventuras de Luke, Léia e cia. foi publicada de 1979 a 1984 em jornais, na tradição de grandes aventuras seriadas como Flash Gordon, Terry e os Piratas ou Tarzan. Recentemente, essas tiras voltaram a ser publicadas na seção para assinantes do site oficial de Star Wars. Por lá estão sendo recuperados os quadrinhos clássicos e duas novas HQs estão sendo publicadas. A primeira, por Pablo Hidalgo, está adaptando livros e contos já existentes. A outra é ambientada durante as Guerras Clônicas e tem roteiro de Paul Ens e ilustrações de Thomas Hodges.

Mas foi na Dark Horse Comics que os quadrinhos de Star Wars frutificaram e exploraram todo o potencial do "universo expandido". Na editora foram lançadas , além de adaptações de toda a saga (lançadas antes dos filmes!), séries que buscaram o passado remoto dos Jedi e dos Sith, bem como o futuro do universo de George Lucas. Tales of The Jedi, por exemplo, contém histórias que se passam 5 mil anos antes de Episódio IV, enquanto a minissérie Chewbacca mostra a morte do peludo amigo de Han Solo duas décadas depois de O retorno de Jedi.

A Dark Horse também buscou idéias na literatura de Star Wars, adaptando livros como Splinter of the Mind’s Eye e Sombras do Império. O grande destaque, contudo, ficou com Império do Mal (Dark Empire, HQ de 1992 escrita por Tom Veitch com arte de Cam Kennedy), por conta de dois elementos abordados: a ressurreição do Imperador Palpatine e a passagem de Luke Skywalker para o Lado Negro da Força.

A saudosa minissérie, publicada no Brasil em 1997 pela Editora Abril, começa após os eventos da Trilogia de Trawn, escrita com maestria por Timothy Zahn. Nela, a Nova República governa três quartos da galáxia e investe pesadamente contra o território imperial. Contudo, lideranças remanescentes do Império conseguem reconquistar sua antiga sede em Coruscant e parecem retomar a ofensiva. Numa missão a bordo do destróier Liberator, o mestre jedi Luke Skywalker e Lando Carlissian são abatidos e caem na Cidade Imperial. Assim, Han Solo e sua esposa Léia – grávida de seu terceiro filho - juntamente com Chewbacca e C3PO partem para o resgate.

Num cenário desolado de ladrões e desordem social, os heróis enfrentam os cães de batalha neks e são salvos por Luke... mas o filho de Darth Vader decide não retornar ao lado de seus amigos. Ele sentiu a presença do Lado Negro no local e decidiu que, como seu pai, é seu destino investigá-la ou sucumbir a ela.

Paralelamente, a Nova República enfrenta uma nova ameaça na forma dos Devastadores de Mundos, estruturas gigantescas que consomem tudo ao seu redor, que foram enviados para os planetas aliados. Deixando-se capturar, Luke é levado à presença do lorde supremo da maldade no universo, o Imperador Palpatine, que lhe conta a verdade sobre seu retorno. Tendo percebido que seu corpo não agüentaria seus imensos poderes, o Imperador preparou uma série de clones para os quais passaria seu espírito através do domínio da Força. Seduzido pelo estratagema maldito, Luke sente que sua única opção é seguir o caminho do Lado Negro e unir-se a Palpatine, ainda que visando sabotar seus planos para livrar a galáxia de sua influência nefasta. Mas a trilha da maldade pode ser poderosa demais para o jovem Mestre Jedi...

Ciente da condição do irmão, Léia parte com Han para trazê-lo de volta. Sabendo apenas que Luke encontrava-se em algum lugar no centro dos domínios imperiais, o casal precisa passar por Nal Hutta, o planeta natal de Jabba, o Hutt, e enfrenta novos desafios além de um antigo inimigo que julgavam morto: Boba Fett. Han visita seu antigo lar na lua espaçoporto, é traído por um antigo companheiro e recebe ajuda de uma ex-namorada. Léia, por sua vez, recebe de presente de uma Jedi decadente um sabre de luz. Finalmente, o casal consegue o transporte necessário para resgatar – ou enfrentar – Luke Skywalker e o próprio Imperador.

A trama é ágil, o suspense é mantido até as últimas páginas, as batalhas contra os Devastadores de Mundo são empolgantes e o confronto dos irmãos Jedi contra Palpatine mantém a emoção dos filmes originais. Contudo, algumas ressalvas devem ser feitas.

Palpatine é o vilão máximo da saga criada por George Lucas, mas morto não serviria pra nada no Universo Expandido. Assim, era inevitável que algum escritor o ressuscitasse, afinal, estamos falando dos quadrinhos, onde vilão bom é vilão vivo! O problema é que, apesar de gerar uma boa história, a idéia resulta desagradável porque acaba com a relevância do sacrifício de Anakin Skywalker ao final de O Retorno de Jedi.

Outro grande problema é a passagem de Luke para o Lado Negro. O tremendo potencial da idéia é desperdiçado e não rende os conflitos memoráveis que deveria. Também não explora a jornada interior do jovem Skywalker ao seguir os passos do pai.

A trama termina em Empire’s End, na qual o Imperador tem seu último corpo clonado em degeneração e tenta possuir o corpo do bebê de Léia. Em seu caminho está uma equipe de novos Jedi comandada por Luke. Um desfecho apenas satisfatório para uma seqüência que poderia ter oferecido muito mais.

Atualmente, cerca de quatro títulos de Star Wars são publicados mensalmente pela Dark Horse, prova de que o universo da Força continuará vivo por muito tempo nas páginas dos quadrinhos, apesar de ter finalmente acabado nas telonas.