HQ: <i>Cédric</i>
HQ: <i>Cédric</i>
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Cédric Dupont é um menino de 8 anos, rabugento mas com um grande coração, que divide sua vida com os seus pais, seu avô (Pépé), a escola, seus colegas de traquinagem e Chen, uma linda chinesinha e o amor da sua vida, a quem ele não consegue se declarar.
Cédric encarna um herói próximo das crianças. Ao mesmo tempo divertido e carinhoso, seu universo é extremamente codificado e pontilhado de referências familiares positivas.
A série, publicada pela Editora Dupuis, fala sobre o cotidiano dos pequenos com muito humor e sensibilidade. Diferente do tipo de gibis a que temos acesso no Brasil, em Cédric, as crianças não são apenas engraçadas - como na Turma da Mônica, de Maurício de Sousa - ou excessivamente politizadas - como em Mafalda, do argentino Quino -, fazendo, por vezes, papel de adultos. Talvez a comparação mais próxima com a produção brasileira seja o Menino Maluquinho, de Ziraldo. Todavia, proximidade não significa necessariamente paridade. Cédric tem uma identidade própria que o diferencia de outras personagens.
Nesta série, as crianças são realmente infantis em suas peraltices, em suas dúvidas e em suas primeiras experiências. Mas, nunca, superficiais, pois são abordadas questões importantes, como as disputas entre os pais, as primeiras emoções - o primeiro amor, platônico e não correspondido - e a cumplicidade entre o neto e seu avô, traduzida em uma relação de carinho e companheirismo que chega em alguns momentos a ser comovente. Se você tem 8 anos ou é um adulto de 48 vai encontrar em Cédric uma diversão certa.
Cédric está com 18 álbuns publicados e foi criado pelo desenhista Laudec juntamente com o mestre Raoul Cauvin, seu pai espiritual. As aventuras do menino foram inspiradas nas memórias de infância de Laudec, ou Antonio de Luca (Tony de Luca, para os amigos). O ilustrador nasceu em 1947, em Spezzano, sul da Itália. Aos três anos, mudou-se com sua família para a Bélgica. Na escola, foi apresentado à sua grande paixão, as HQs: ganhou uma edição de Spirou como recompensa pelas suas boas notas. Para agradar a família - que não enxergava futuro numa carreira de desenhista -, diplomou-se em eletrônica e automatismo, em 1969. Paralelamente, dedicava-se aos quadrinhos, desenhando para fanzines belgas.
Foi assim que ganhou um prêmio no festival de HQs da Cheratte. No júri, estavam grandes nomes da nona arte como Jidéhem, Walthéry, Franquin, e Hubinon. Lá, ele teve seu primeiro encontro com o mestre Raoul Cauvin, que olhou seus desenhos e lhe disse: Está muito ruim. É muito rígido, você parece trabalhar com uma metralhadora nas costas. Uma crítica dura que fez com que Laudec trabalhasse mais seu traço e aprimorasse sua técnica.
Nos anos 70, recebeu um convite de um editor da Dupuis para publicar seus primeiros desenhos. Em 1986, Philippe Vandooren (então redator-chefe da revista Spirou) colocou-o novamente em contato com Cauvin. Neste segundo encontro, nasceram as aventuras de um menino rabugento: Cédric.
Laudec não é um artista excepcional, mas possui uma marca bem pessoal. Além disso, não falta charme em seu traço final, leve e fluido, em particular dos cabelos. Ele e Cauvin trabalharam depois em outros projetos, mas nenhum deles emplacou tanto quanto Cédric. Talvez pela experiência do roteirista, que conhece como ninguém o universo infantil e pelo toque pessoal de Laudec, esse menino peralta e rabugento tenha se tornado uma personagem tão querida entre o público europeu.
Cédric já é um clássico das HQs européias, seduzindo, com a mesma cumplicidade, todas as gerações. A tiragem de cada um de seus álbuns está em torno de 220 mil exemplares, e a adaptação de suas histórias para a TV em desenho animado tem cinqüenta e dois episódios de traduzido minutos cada. É traduzido em português, pela Meribérica, que o publica em almanaques, juntamente com outras personagens famosos na Europa, como Toupet, Kid Paddle e Petit Spirou.
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