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História e História em Quadrinhos - Parte 2

História e História em Quadrinhos - Parte 2

Joatan Preis Dutra
10.10.2001, às 00H00
ATUALIZADA EM 02.11.2016, ÀS 07H12
ATUALIZADA EM 02.11.2016, ÀS 07H12

As Histórias em Quadrinhos, como todas as formas de arte, fazem parte do contexto histórico e social que as cercam. Elas não surgem isoladas e isentas de influências. Na verdade, as ideologias e o momento político moldam, de maneira decisiva, até mesmo o mais descompromissado dos gibis. É o que se vê nesta série de artigos.

Tocha Humana
Criado por Carl Burgos - 1939
Namor
Criado por Bill Everett - 1939

Quando de sua estréia em 1939, Namor, o Príncipe Submarino despontou como o inimigo número um de toda a humanidade. Para nos defender, nós, pobres mortais, contávamos com a valentia do cibernético Tocha Humana, um andróide flamejante dotado de tecnologia muito além do seu tempo (e do nosso, diga-se de passagem).

Criado por Bill Everett, Namor McKenzie era um raro híbrido, dotado de grande força, domínio sobre o mundo aquático, dom de voar e capacidade de respirar dentro e fora d’água. O Tocha, por sua vez, foi apresentado aos leitores na primeiro gibi da Marvel, o Marvel Comics 1, numa história escrita e desenhada por Carl Burgos. Apesar do nome, ele não era realmente humano, mas um robô confeccionado pelo Prof. Phineas Horton.

Ambos tomaram parte do primeiro crossover significativo dos quadrinhos, uma grande batalha entre fogo e água que se estendeu pelas edições 8 e 9 de Marvel Mystery Comics. Outros confrontos como este despertaram grande interesse no público. No entanto, quis o desenrolar dos acontecimentos mundiais que Namor e Tocha chegassem a um acordo. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial e a entrada dos Estados Unidos no conflito, o presidente Franklin Delano Roosevelt (1933-1945) "convocou" todos os heróis... e super-heróis para o esforço bélico do país.

A interferência do governo mostra como os Comics - tanto os gibis quanto as tiras - chamaram atenção das autoridades já fascinadas e preocupadas com o poder da comunicação de massa. O cinema tanbém não escapou desse chamamento.

Com isso, os dois aventureiros passaram a visitar histórias um do outro de tempos em tempos, agora aliados contra alemães e japoneses. Esta união espelhou um movimento muito semelhante que ocorria, na cena mundial. Países historicamente antagônicos juntaram esforços - ainda que a contragosto - contra as potências do Eixo.

Em 1946, quase acompanhando o espírito da criação da Organização das Nações Unidas, os dois heróis tornam-se membros - juntamente com o Capitão América, Miss América e Whizzer - do efêmero All Winners Squad.

Como podemos ver, a guerra produz as mais surpreendentes alianças. Infelizmente, a paz não tem o mesmo dom.

Originalmente apresentado na disciplina de Didática do curso de História da Universidade Federal de Santa Catarina.

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