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Grant Morrison é um dos maiores roteiristas da sua geração, mas, vira e mexe, desanda a falar borracha. Recentemente, ele e Joe Quesada, o editor-chefe da Marvel, entrevistados pelo jornal The Sunday Times de Londres, afirmaram que a nova realidade mundial exige mudanças radicais nas HQs de super-herói. Trocando em miúdos, colantes espalhafatosos e fortões alienados não são mais in.

Nas palavras de Quesada, “a de-fantasiação dos heróis é uma tendência que [...] vocês vão ver mais em 2002”, uma vez que, segundo Morrison, “na esteira de 11 de setembro, super-humanos violentos não são mais necessários”.

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Grant Morrison

Peraí! Todo esse drama só porque andaram demolindo uns espigões em Nova Iorque&qt;& Tenha a santa paciência. O Dr. Destino apronta dessas faz mais de quarenta anos e, nem por isso, o Super-Homem botou a cueca pra dentro da calça. Acabar com uniforme de super-herói é conversa pra boi dormir, tanto que Morrison, em sites americanos especializados em quadrinhos, mudou o tom das declarações. Porém, com ou sem colante multicolorido, o escritor escocês quer mais realismo e aventureiros reagindo às questões sociais, políticas e econômicas do momento. Escapismo nem pensar!

Acontece, meus caros Morrison e Quesada, que super-herói sem escapismo e roupas chamativas é o mesmo que omelete sem ovo (Se parece que estou fazendo propaganda apelativa do meu site, é porque estou mesmo!!!). Às vezes, funciona, como Watchmen e Miracleman, mas esses não são gibis de super-herói nem aqui, nem em Apokolips. Escapismo é a espinha dorsal do gênero. Sem ele, eu prefiro ler A comédia humana de Balzac e não os dilemas do sobrinho da tia May.


Batman enfrenta terroristas que querem explodir as torres gêmeas de Gotham em Cavaleiro das Trevas

Diz o Aurélio que escapismo é “a tendência para fugir ou escapar a qualquer coisa ou situação que seja ou pareça difícil, desagradável, molesta”. Quando os super-heróis surgiram no final dos anos trinta, a situação difícil, desagradável e molesta chamava-se depressão econômica. Hoje, a gente tem inúmeros candidatos. Aviões carregados de terroristas suicidas são apenas exemplos mais recentes. É babaquice pura a indústria das HQs sentir-se culpada porque os Vingadores estavam enfrentando Kang, o Conquistador, em algum confim do espaço-tempo quando as torres vieram abaixo. O gênero super-herói é pra ser desmiolado mesmo e alienado até a ponta da capa.

Se, como Morrison diz, os super-herói não são mais necessárias, (Já foram algum dia&qt;&), então, que se aposentem, mas fazer remendos pra parecerem o que não são é tapar o Sol com a peneira. Com raras exceções, sem o escapismo, a turma do spandex tende a ser um porre. Super-Homem: paz na Terra; Batman: guerra ao crime e Shazam: o poder da esperança são de dar azia em sonrisal. Tenho engulhos só de pensar no que Alex Ross vai aprontar em Mullher-Maravilha: espírito da verdade.


Aranha no WTC. Clique para ampliar

Uma pitada de realidade, no entanto, às vezes, cai bem. É legar ver o J.M. Straczynski pondo as personagens Marvel no Ground Zero de Nova Iorque, ajudando voluntários e bombeiros a resgatar vítimas do World Trade Center, mas devagar com andor que o santo é de kryptonita. Afinal, como exigir mais realismo, se os prédios vieram abaixo justamente na cidade mais povoada de super-heróis do planeta&qt;& Não tinha ninguém pra matar no peito os dois aviões, salvar os passageiros e ainda levar os terroristas pro Asilo Arkham&qt;&

Coluna publicada originalmente na Revista Heroi, da Editora Conrad

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