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Exclusivo! Mark Millar fala sobre nova HQ, Netflix e Brasil

Quadrinista falou com exclusividade ao Omelete sobre seu novo lançamento, The Magic Order

Fábio de Souza Gomes
30.05.2018
16h16
Atualizada em
30.05.2018
18h01
Atualizada em 30.05.2018 às 18h01

Mark Millar é um dos mais respeitados quadrinistas da atualidade. Criador de franquias como Kick-Ass, Kingsman e diversos outras HQs de sucesso, recentemente ele negociou o seu selo, o Millarworld, com a Netflix e prepara diversos novos projetos com o serviço de streaming que envolvem as mais diferentes áreas, como séries, filmes e, também, quadrinhos.

A relação entre os protagonistas de The Magic Order

A história foca especialmente uma família que conta com vários problemas shakespearianos. Fala sobre o lado obscuro de um pai e a relação com suas três filhas e como manter todos juntos, pois tudo que defendem está em jogo. É uma relação complicada, pois eles realmente se importam uns com os outros, mas não quer dizer que eles se amam do jeito que uma família se ama. E acho que o público conseguirá se identificar com essa história, pois todos nós somos filhos ou pais de alguém e isso ajuda a entender as relações deles mais facilmente.

“Uma parte do acordo que fizemos com a Netflix, quando ela realizou a compra no ano passado, é que além de preparar novos conteúdos para séries e filmes dentro do serviço de streaming, eu também continuaria trabalhando com novos projetos em quadrinhos, que é a minha grande paixão”, afirmou em entrevista EXCLUSIVA ao Omelete.

O submundo protegido por mágica

Eu adoro a ideia de um submundo não ser exatamente do jeito que nós pensamos que ele seja. E pensei que seria muito interessante que se as coisas que acontecem nas sombras fossem coisas mágicas e estão bem embaixo do nosso nariz. 

Diferença para outros heróis

É diferente, pois muitas HQs são sobre indivíduos que não são casados e não precisam lidar com os pais ou os filhos. Em HQs de heróis como o Tony Stark você não vê muito a relação dele com os pais. Então, essa é uma história muito mais real com uma ligação muito forte com o O Rei Lear [obra de Shakespeare]  – pois é sobre um homem velho preocupado com seu “reino”, tendo de lidar com seus filhos, de olho no futuro e uma eventual queda de seu império. Essa estrutura clássica está presente na história.

O primeiro lançamento com a Netflix será The Magic Order, publicação que conta com os desenhos de Oliver Coipel e mostra que o submundo é protegido por cinco famílias de mágicos – que juraram proteger o mundo ao longo de suas gerações. De dia, eles vivem como vizinhos, amigos e cidadãos comuns, mas a noite eles são feiticeiros, magos e mágicos que nos protegem das forças do mal ao mesmo tempo que precisam lidar com problemas verdadeiramente humanos.

Projetos em filme, HQ e série

Eu provavelmente farei sete projetos por ano e três ou quatro deles serão quadrinhos. Eu ainda sou apaixonado por HQs e quis continuar fazendo isso. O contrato que assinei junto com minha esposa me proporcionou a oportunidade de criar seis novas franquias e algumas delas serão lançadas em HQ e o resto funciona melhor como uma série ou filme

Inspiração em Quentin Tarantino

Eu sempre admirei pessoas que conseguem trabalhar com vários gêneros, essa é uma das coisas que eu amo sobre Quentin Tarantino. Ele trabalha com filmes de terror, de artes marciais... e eu gosto do desafio de tentar coisas diferentes. E eu amo super-heróis, eu amo sci-fi e também amo coisas mágicas. Então quis tentar algo no estilo Harry Potter, para pessoas que cresceram com o Harry Potter e mundos mágicos e agora procuram algo mais complexo.

Magic Order pode ser uma série?

Com certeza, quero dizer existe uma conversa para uma possível série de televisão. Então sim, para o futuro é possível.

Importância do desenho de Oliver Coipel

O Oliver [Coipel] é definitivamente um dos melhores desenhistas com quem tive uma parceria – e eu trabalhei com artistas acima da média como Frank Quietly e Dave Gibbons. Ele é fantástico pois independente do gênero que ele desenha, ele consegue imprimir a sua marca, então nessa HQ ele consegue capturar as nuances, o realismo e a violência brutal dela. Então, ele consegue levar ao papel tudo que imagino na minha cabeça.

Magic Order em outros países

Estamos falando com a editora Panini sobre a possibilidade de lançar a HQ em outros países. Pois uma coisa que gostamos da Netflix é que ela chega em todos os países e queremos fazer o mesmo com o quadrinho. A ideia é sempre pensar internacionalmente, pois a audiência está crescendo cada vez mais em locais como a América do Sul e a Ásia.

Futuros projetos

Estamos preparando algumas franquias diferentes de diversos gêneros que estamos preparando para o próximo ano. Todos os dias estamos estudando possíveis nomes para roteiro e direção, pois temos milhares de horas de material original e pretendemos produzir o máximo em breve. Se você for comparar, outros [estúdios] produzem algo em torno de 24, 25 horas de material por ano e na Netflix estamos tentando fazer tudo o que planejamos, o que é extremamente animador. Em três ou quatro anos teremos a verdadeira dimensão de tudo isso, pois nosso material estará disponível ao redor do mundo.

Personagem brasileiro?

Eu estou criando um personagem brasileiro neste momento e será algo muito legal. O Brasil é um país muito interessante com fãs apaixonados e outros criadores de quadrinhos tem me falado que preciso ir para a convenção que é realizada por aí [CCXP] e falam que ela é a melhor do mundo. Então, pretendo um dia participar dela. Além disso, gostaria de visitar para fazer uma pesquisa sobre o personagem e ter mais ideias claras de como ele pode ser.

Marvel x DC x Millarworld

Acho que é uma coisa geracional. Quando era mais novo os personagens da DC dominavam: Batman, Superman, Mulher-Maravilha... o imaginário popular era dominado por esses personagens. Porém, tudo mudou nesta geração por conta do trabalho da Marvel [no cinema] e as crianças estão mais interessadas no Homem de Ferro, Capitão América e outros heróis [da Casa de Ideias]. E, quem sabe, os personagens da Millarworld não podem ser o futuro.

Encontros da Millarworld em filmes ou séries

Sou um grande fã de pequenos encontros, pois acho que eles funcionam muito bem. Como a Marvel fez recentemente com o Thor e o Hulk [em Thor: Ragnarok], que apresentou os personagens juntos. Outro bom exemplo é Homem-Aranha: De Volta ao Lar, onde colocam o Aranha junto com o Homem de Ferro. Eu acho que pode ser uma coisa gradual e construir algo para que em alguns anos possamos reunir todos [os personagens da Millarworld] em um filme. Podemos construir devagar, mostrando como eles se conhecem e eventualmente eles vão precisar um do outro.

Na galeria abaixo, listamos como foi a conversa com o quadrinista, que falou sobre o novo projeto, a relação com a Netflix e a possibilidade de vir ao Brasil. Confira: 

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