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Esquadrinhando: A luz no fundo do poço&qt&

Esquadrinhando: A luz no fundo do poço&qt&

Atualizada em 24.01.2017, ÀS 03H07
Sabe qual o futuro dos quadrinhos comerciais&qt;& Nenhum. Ou algo muito perto disso. E – por mais estranho que possa parecer – é aí que está o futuro dos gibis como modo de expressão.

Acabo de ler um artigo na Forbes – a Bíblia dos executivos – veja você – sobre a situação da Marvel Comics, ou melhor: Marvel Enterprises, e sua versão feita pelo Jotapê aqui no Omelete. Ao contrário do que a visível melhora na qualidade do material publicado durante o último ano leva a crer, a situação da empresa não é das melhores. Só no ano passado, ela perdeu noventa milhões de dólares, repetindo a rotina de mau desempenho da última década. Os quadrinhos ainda dão lucro (de 27%, segundo o artigo) para a editora, mas só representam um quinto do volume de negócios.

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E daí&qt;& Isso quer dizer que a Marvel vai acabar&qt;& Não, nem de longe. E, em lugar de ficar preocupado, o fã deve é comemorar. Eu explico por quê.

Qual o maior problema das revistas de super-heróis&qt;& Eu acredito que é algo que se tornou inerente ao gênero: a repetição de histórias e situações que nunca se resolvem de verdade. Não importa se o Super-Homem ou a Tia May morreram, os editores vão exigir que se ache um jeito de trazer o defunto de volta. As personagens não evoluem, vivendo presas num tempo compacto que as leva a lugar nenhum.

E onde a Marvel no vermelho entra nessa história&qt;&

A solução apontada para a editora é explorar melhor suas personagens. E ninguém está falando de caracterização ou histórias melhores, mas em formas mais eficientes de se ganhar dinheiro: filmes, jogos e brinquedos. Segundo o raciocínio, os quadrinhos são uma forma muito barata de R&D; – a sigla em inglês para “Pesquisa e Desenvolvimento”. Os gibis tornar-se-iam uma forma barata de testar as águas antes de gastar milhões em um filme ou videogame.

As possibilidades são interessantes: aos invés de arrastarem, as personagens por décadas evitando mudanças, as editoras poderiam deixar os criadores brincarem sossegados. Dezenas de heróis e histórias – com começo, meio e fim! – poderiam ser testadas por ano. As séries que fizessem sucesso seriam levadas para outras mídias, já ligeiramente modificadas pelos comentários de críticos e leitores.

O resultado ia ser espetacular. Dezenas de personagens e idéias diferentes exploradas até o limite. Séries, desenhos animados, videogames e filmes de ficção e ação muito melhores do que os que estão rodando por aí. Você gostou de Matrix&qt;& Tá, o filme é ótimo, mas ele não duraria dez minutos em cartaz se, no cinema do lado, estivesse passando uma adaptação bem feita de Demolidor. Se até quadrinhos desmiolados como Witchblade dão séries boas, imagine o resultado de algo como Liga da Justiça.

Claro que pode acontecer justamente o contrário. Os editores – ainda tentando manter as vendas dos quadrinhos – poderiam torná-los cópias eternas dos filmes de sucesso baseados neles. Mas eu duvido que isso pudesse piorar a situação de certas personagens.

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