Destradução: A desvalorização do idioma
Destradução: A desvalorização do idioma
A anunciada mudança pela Abril do nome do mais tradicional dos super-heróis dos quadrinhos, o Super-Homem, para o original em inglês, Superman, é o auge de uma tendência que está afetando as HQs de super-heróis: A “destradução” de nomes.
A causa provável dessa tendência é a tremenda anglicização da sociedade brasileira. Cada vez mais lojas, empresas, casa de espetáculo e até pessoas estão sendo batizadas com nomes tipicamente americanos. Poder-se-ia dizer ingleses, mas é claramente a influência norte-americana que motiva essas aberrações. Um simples passeio pela Barra da Tijuca demonstra esse fato de forma cabal.
Mas tanta gente assim sabe o inglês&qt;& Os cursos de idiomas estão superlotados. No entanto, uma rápida conversa em inglês com os alunos “formados” por esses cursos mostra que, na maioria dos casos, o conhecimento do nobre idioma bretão é limitado, para dizer o mínimo.
Então por que tanta coisa em inglês&qt;& Simples, nós, brasileiros, tão influenciados pelo gostos e costumes americanos, temos vergonha de falar português, uma língua que os idolatrados habitantes dos EUA não sabem sequer que existe. A fim de reduzir a distância entre nós e nossa Meca cultura, atribuímos nomes americanizados a tudo que podemos. É a única explicação.
Essa tendência vem sendo sentida nas HQs de super-heróis (um produto cultural essencialmente americano). Nos últimos tempos, muitos dos novos personagens a aparecer nas HQs americanas, especialmente os mais importantes, têm conservado seus nomes originais, mesmo que a tradução seja óbvia. Exemplos clássicos são os X-Men Gambit (tradução: Gambito) e Bishop (tradução: Bispo).
Mesmo as poucas HQs nacionais de super-heróis estão recheadas de nomes em inglês. A editora Trama, especializada na área, já publicou séries com nomes como UFO Team, Godless e Killbite.
O problema chegou no auge quando, na aparição da nova Batmoça, a personagem foi rebatizada Batgirl, seu nome em inglês.
O que nos leva o problema Super-Homem/Superman. Ora, personagens obscuros como Gambit ou Bishop poderiam ser chamados do que quer que fosse sem nenhum problema e a Batmoça ficou imortalizada como Batgirl pela dublagem da série de TV do Homem-Morcego, mas Super-Homem NÃO É um personagem obscuro e qualquer criança conhece o personagem pelo seu nome em português (e pelo nome em inglês, diga-se de passagem). Então eu sinceramente não consigo entender as razões da Abril, a não ser pela ótica da “vergonha” da língua portuguesa.
Só devo dizer que, enquanto eu não me chamar Peter Parker, continuarei chamando a identidade secreta de Clark Kent de Super-Homem. E espero que todos os leitores o façam.
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