Crônicas Omeléticas: Made in Brazil
Crônicas Omeléticas: Made in Brazil
Quer arrumar encrenca num grupo de discussão sobre história em quadrinhos&qt;& Encrenca da grossa, daquelas de fazer o pessoal xingar a mãe e tudo mais&qt;& Comece a discutir quadrinhos no Brasil. É batata!
Há defensores de todo tipo de posição. Para alguns, brasileiro não entende nada de quadrinhos e só sabe copiar (mal) os americanos. Outros dizem que a culpa é das distribuidoras e grandes editoras, que não abrem espaço para a HQ tupiniquim. Alguns defendem que o País tem ótimos desenhistas, mas roteirstas que não sabem escrever nem um obituário decente, por absoluta falta de cultura. Uns garantem que os brasileiros que desenham para o mercado americano são uns canalhas vendidos, no que são imediatamente contestados por aqueles que defendem que esses profissionais abrem um importante mercado.
E mais: que modelo deve seguir uma história em quadrinhos legitimamente brasileira&qt;& O americano, com seus super-heróis fortões, mulheres gostosíssimas e vilões perversos até a unha do dedão do pé&qt;& O europeu, com suas histórias lúdicas, seus argumentos cabeça e mulheres igualmente gostosíssimas&qt;& Talvez o japonês, com sua narrativa ágil, temas fortes e - surpresa! - mulheres gostosíssimas&qt;& Ou um modelo iminentemente nacional, com temas regionais, folclóricos e - por quê não&qt;& - mulheres gostosíssimas&qt;&
Quem está certo&qt;& Quem sou eu para dizer! Evidentemente, tenho minha própria opinião. Não condeno os desenhistas que produzem para o exterior. Acho que estão trabalhando honestamente e, de certa forma, abrindo caminho para outros. E que podem usar o know-how adquirido lá fora para desenvolver trabalhos aqui. Que estilo seguir&qt;& Defendo o equilíbrio (fundamental, aliás, para tudo na vida) entre as variadas influências internacionais, pegando as características mais interessantes de cada um, fundidos num estilo que com o tempo, quem sabe&qt;& definiria a HQ Brasileira.
O caso dos roteiristas é mais sério. Um candidato a escritor deve obrigatoriamente ter, antes de tudo, uma formação cultural sólida o suficiente para garantir o mínimo de qualidade em seus trabalhos. E isso, francamente, anda em falta, apesar dos bons exemplos que a HQ nacional costuma oferecer. Se você pretende escrever roteiros para (boas) histórias em quadrinhos, um conselho: leia. Leia muito, de tudo. Seja um devorador de livros, de todos os estilos. Leia jornais e revistas (não só de quadrinhos, por Deus!). Observe o mundo à sua volta. Você verá que o dia a dia de pessoas comuns pode gerar grandes histórias. Quanto ao modelo, não esquente. Quando a trama é bem escrita, qualquer um serve.
Alguns outros bons exemplos da melhor HQ feita por aqui:
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