Thanos Vence

Créditos da imagem: Divulgação/Marvel Comics

HQ/Livros

Crítica

Thanos Vence

HQ brinca com o status quo do Titã Louco com reverência e uma dose de absurdo

Gabriel Avila
27.05.2019
18h40

Com uma infinidade de equipes, deuses e entidades, o núcleo cósmico da Marvel é sem dúvida um dos pontos mais complexos de seu extenso universo e, portanto, um dos menos convidativos para os novos leitores. Porém, nos últimos anos a editora se dedica a produzir tanto histórias que possam expandir sua mitologia quanto aventuras que servem como ponto de partida para uma nova audiência. Para Thanos Vence, a Casa das Ideias recrutou uma equipe de jovens talentos que soube estabelecer um equilíbrio perfeito entre honrar o legado do personagem e abrir as portas para iniciantes com um enredo simples e imersivo.

Enquanto promove mais um de seus rotineiros massacres pela galáxia, Thanos é levado para milhares de anos no futuro por uma versão mais velha de si mesmo. Ao chegar nesse tempo, o Titã Louco descobre que está destinado a erradicar toda a vida no universo, com exceção de um último (e poderoso) inimigo. Para derrotá-lo, o agora Rei Thanos recorre à sua versão mais jovem em busca de reforço para atingir seu objetivo e finalmente conquistar a Senhora Morte.

Embora seja um estigma da DC Comics, é fato que a onda de criar histórias sombrias e realistas tenha se espalhado por todos os lados da indústria dos quadrinhos. Entretanto, Thanos Vence foge da conveniência de trazer apenas morte e caos como ingredientes para uma história do vilão. Isso não significa que a violência foi deixada de lado, já que a HQ parte do princípio de que o Titã Louco aniquilou praticamente todo o seu Universo, mas o roteiro é inteligente e consegue enxergá-lo além da perspectiva de genocida galáctico.

O quadrinho é escrito por Donny Cates, que desenvolve a jornada de Thanos com grande reverência, mas brinca com o status quo de seu protagonista ao desenrolar uma teia de novos conceitos que poderiam cair em clichês ou se tornar exagerados demais se não fosse por um texto concebido com esmero. Em meio a combates e reviravoltas, a trama evolui de forma meticulosa, encaixando acontecimentos de forma quase cirúrgica. Em Thanos Vence, Geoff Shaw repete a parceria com Cates, estabelecida na HQ God Country, e transmite a grandiosidade que o roteiro propõe com um trabalho artístico vistoso, combinando uma agilidade narrativa com páginas duplas catárticas, ampliando o poder de momentos-chave com uma impressionante riqueza nos detalhes.

Ambientada em um futuro possível, por diversas vezes Thanos Vence remete a O que Aconteceria Se… (What If? no original), HQs publicadas pela Casa das Ideias cujo mote consiste em imaginar o Universo Marvel com mudanças pontuais. Esse conceito é aproveitado em diversos momentos, especialmente na criação de novos personagens que só poderiam aparecer em uma linha do tempo alternativa, como o Motoqueiro Fantasma Cósmico. Inicialmente um mero ajudante do Rei Thanos, o personagem rouba a cena por diversas vezes graças à sua bizarrice, fazendo sucesso a ponto de ganhar sua própria revista.

Reprodução/Marvel Comics

Thanos Vence se tornou o ponto de partida da jornada de Donny Cates através de quadrinhos cósmicos na Marvel. A partir dessa HQ, o roteirista escreveu o derivado Motoqueiro Fantasma Cósmico, assumiu o título dos Guardiões da Galáxia e por fim completará o ciclo na minissérie Silver Surfer: Black. Levando em consideração a paixão com que Cates escreve os personagens e sua coragem para introduzir ideias genuinamente novas, o futuro desse universo nunca pareceu tão promissor.

No Brasil, a história foi publicada em Thanos #3 pela Editora Panini.

Nota do Crítico
Ótimo